A Palavra de Deus

A Palavra de Deus

DOPAS

DOAÇÃO, ORAÇÃO, POBREZA, ALEGRIA E SIMPLICIDADE

1 de setembro de 2015

Por que dedicar um mês à Bíblia?

Por que dedicar um mês à Bíblia?

Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com
No Brasil, a Conferência Nacional dos Bispos estabeleceu setembro como o “mês da Bíblia” por várias razões importantes.

Este mês foi escolhido, porque o grande São Jerônimo, que traduziu a Bíblia do hebraico e grego para o latim, tem sua memória litúrgica celebrada no dia 30 de setembro. Ele foi secretário do grande Papa São Dâmaso (366-384), que o incumbiu dessa grande obra chamada “Vulgata”, por ser usada em toda a parte.

São Jerônimo levou cerca de trinta e cinco anos fazendo essa tradução nas grutas de Belém, vivendo a oração e a penitência ao lado da gruta onde Jesus nasceu. O santo disse que “desconhecer as Escrituras é desconhecer o próprio Cristo”. Ele nos deixou um legado de grande amor às Sagradas Escrituras. E possuía grande cultura literária e bíblica, sabia grego, latim e hebraico.

Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

A Sagrada Escritura é alimento para a nossa alma e fonte de vida. Jesus conhecia profundamente a Bíblia. Mais do que isso: Ele a amava e se guiava por suas palavras. Isso é o suficiente para que todos nós façamos o mesmo. Na tentação do deserto, quando o demônio investiu contra o Senhor, Ele o rebateu com as palavras da Escritura. Quando o tentador pediu que Ele transformasse as pedras em pães para provar Sua filiação divina, Jesus lhe disse: “O homem não vive só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor” (Dt 8,3c).

Quando o tentador exigiu que Ele se jogasse do alto do templo, Jesus lhe respondeu: “Não provocareis o Senhor vosso Deus” (Dt 6,16a). E quando satanás tentou fazer com que Cristo o adorasse, ouviu mais uma vez a Palavra de Deus: “Temerás o Senhor, teu Deus, prestar-lhe-ás o teu culto e só jurarás pelo seu nome” (Dt 6,13). O demônio foi vencido e se afastou, porque não tem poder diante da Palavra de Deus.

Não é sem razão que São Pedro disse: “Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal. Porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de uma vontade humana. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus” (2 Pd 1,20-21).

A importância do mês da Bíblia é que o povo brasileiro a conheça melhor e seja motivado a estudá-la com mais profundidade, uma vez que não é fácil compreendê-la, especialmente o Antigo Testamento. A Bíblia não é um livro de ciência, mas sim de fé. Utilizando os mais diversos gêneros literários, ela narra acontecimentos da vida de um povo guiado por Deus, quatro mil anos atrás, atravessando os mais variados contextos sociais, políticos, culturais, econômicos, entre outros. Por isso, a Palavra de Deus não pode sempre ser tomada ao “pé da letra”, literalmente, embora muitas vezes o deva ser. “Porque a letra mata, mas o Espírito vivifica” (2 Cor 3,6c), disse São Paulo.

Portanto, para ler a Bíblia de maneira adequada, exige-se, antes de tudo, o pré-requisito da fé e da inspiração do Espírito Santo na mente, sem o que a interpretação da Escritura pode ser comprometida. Mas é preciso também estudá-la, fazer um curso bíblico, entre outros.

A Carta aos Hebreus diz que “a Palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma A carta aos hebreus diz que “a Palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes, e atinge até à divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4,12).

“Vossos preceitos são minhas delícias.
Meus conselheiros são as vossas leis.” (v. 24)
“O único consolo em minha aflição
É que vossa palavra me dá vida.” (v. 50)
“Quão saborosas são para mim vossas palavras,
mais doces que o mel à minha boca.” (v. 103)
“Vossa palavra é um facho que ilumina meus passos. E uma luz em meu caminho.” (v. 105)
“Encontro minha alegria na vossa palavra,
Como a de quem encontra um imenso tesouro.” (v.162)espada de dois gumes, e atinge até à divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4,12).

Para que a Palavra de Deus seja eficaz em nossa vida, precisamos, pela fé, acreditar nela e colocá-la em prática objetivamente. Em outras palavras, precisamos obedecê-la, pois, ao fazer isso, estaremos obedecendo ao próprio Senhor.

Mas nem sempre a Bíblia é fácil de ser interpretada pelas razões já expostas. É por isso que Jesus confiou a interpretação dela à Igreja Católica, que o faz por meio do Sagrado Magistério, dirigido pela cátedra de Pedro (o Papa) e da Sagrada Tradição Apostólica, que constitui o acervo sagrado de todo o passado da Igreja e de tudo quanto o Espírito Santo lhe revelou e continua a fazê-lo no presente. (cf. Jo 14, 15.25; 16, 12-13).

A alma da Igreja é o Espírito Santo dado em Pentecostes; por isso a Igreja não erra na interpretação da Bíblia, e isso é dogma de fé. Jesus mesmo lhe garantiu isso: “Quando vier o Paráclito, o Espírito da verdade, ensinar-vos-á toda a verdade” (Jo 16,13a).

Embora seja feita de homens, santos e também pecadores, a Igreja Católica tem a garantia de não errar na interpretação dos assuntos da fé. Entretanto, ela não despreza a ciência; muito pelo contrário, a valoriza tremendamente para iluminar a fé e entender a revelação.

O Vaticano possui a “Pontifícia Academia de Ciências”; em Jerusalém está a Escola Bíblica que se dedica a estudar exegese, hermenêutica, línguas antigas, geologia, história antiga, paleontologia, arqueologia e tantas outras ciências, a fim de que cada palavra, cada versículo e cada texto da Bíblia sejam interpretados corretamente. É a fé caminhando junto com a ciência. Tudo isso para que possamos dizer como o salmista, no Salmo 118:

“Vossos preceitos são minhas delícias.
Meus conselheiros são as vossas leis.” (v. 24)
“O único consolo em minha aflição
É que vossa palavra me dá vida.” (v. 50)
“Quão saborosas são para mim vossas palavras,
mais doces que o mel à minha boca.” (v. 103)
“Vossa palavra é um facho que ilumina meus passos. E uma luz em meu caminho.” (v. 105)
“Encontro minha alegria na vossa palavra,
Como a de quem encontra um imenso tesouro.” (v.162)
Felipe Aquino - Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. 

Oração de libertação de nossa casa

Oração de libertação de nossa casa


Esta oração de libertação pode ser feita em casa com a família reunida

Após fazê-la, reze um Pai-Nosso e jogue água abençoada em todos os cômodos.


Em nome do Pai, do Filho, do Espírito Santo. Amém!


Pai de infinita bondade, estou consagrando ao Senhor minha casa, este lugar em que moro com meus familiares.

Muitas casas se tornam lugar de brigas, de disputas por heranças, de dívidas financeiras, choros e sofrimentos. Algumas são cenário de adultério, outras se transformam em lugar de ódio, vingança, prostituição, pornografia, devassidão, roubos, tráfico de drogas, falta de respeito, doenças graves, doenças psicológicas, agressividade, mortes e abortos.

Às vezes, enquanto a casa é construída, alguém, pelos mais variados motivos, amaldiçoa os donos ou os materiais de construção usados. Isso não é bom para o lugar em que vivemos. Por isso eu Te peço, Senhor, retira tudo isso do nosso lar.

Se o terreno, no qual está a casa, foi motivo de disputas judiciais e heranças mal resolvidas, o que pode ter gerado mortes, acidentes, violência e agressividade, peço, Senhor, que nos abençoes e afastes de nós todo esse mal!

Eu sei que o inimigo se aproveita dessas situações para instalar seu quartel geral, mas também sei que Tu tens o poder de expulsar daqui todo mal. Por isso, peço que o demônio vá direto aos Teus pés e nunca mais volte para esta casa.

Hoje, tomei a decisão de consagrar esta casa a Ti. Peço que, assim como foste na casa dos noivos de Caná da Galileia e ali fizeste o Teu primeiro milagre, venha hoje à minha casa e expulse todo o mal que possa estar nela enraizado e as possíveis maldições nela impregnadas.

Por favor, Cristo Senhor, expulsa agora, com o Teu poder, todo mal, toda falsa enfermidade, o espírito de separação, o adultério, os problemas financeiros, os espíritos malignos de agressividade, de desobediência, de bloqueios afetivos e familiares, toda e qualquer consagração, feitiço, benzimentos ou evocação dos mortos, simpatias ou uso de cristais, energização, todo tipo de vulto e barulho (cite outros incômodos que não estão aqui listados e que o (a) perturbam).

Que esses males sejam expulsos, agora, deste lugar, em nome de Jesus, e nunca mais voltem, pois esta casa agora pertence a Deus e a Ele é consagrada!

Senhor, eu Te peço, expulsa daqui toda a agressividade entre irmãos, toda briga, a falta de respeito e violência entre pais e filhos, entre o casal que aqui habita, entre os moradores desta casa e os vizinhos.

Que os anjos de Deus venham morar conosco. Que cada quarto, sala, banheiro, cozinha, corredor e área externa sejam agora habitados por eles. Que nossa casa seja uma fortaleza habitada e protegida pelos anjos do Senhor, para que toda a nossa família permaneça em oração, na fidelidade do amor a Deus, e que nela habitem a paz e a plena concórdia.

Muito obrigado (a), Senhor, por atender as minhas preces! Que cada dia possamos Te servir e que sejamos sempre agraciados com a Tua bênção. Saiba, Senhor, que esta casa Te pertence. Fica conosco, Senhor! Amém!
Autor: Padre Vagner Baia

Existe reencarnação?

Existe reencarnação?

Por falta de conhecimento, muitos cristãos aceitam as ideias da reencarnação

A reencarnação é a crença segundo a qual a alma volta à carne ou ao corpo, tendo animado outro corpo na vida anterior. Essa alma se desencarnou pela morte e, após certo intervalo, retorna à terra em outro corpo. Essas reencarnações são regidas pela lei do Karma, que obriga os indivíduos a pagar (expiar), em encarnações posteriores, as falhas cometidas na vida presente (hinduísmo) ou para aperfeiçoar-se na vida após esta vida (espiritismo).

Em uma primeira impressão, parece que a reencarnação responde a algumas perguntas existenciais do ser humano, como o motivo do sofrimento e as desigualdades entre as pessoas. Textos bíblicos descontextualizados são usados para defender essa crença, como, por exemplo, Mt 17, 10-13, quando os judeus julgaram ser João Batista uma forma de retorno de Elias. Porém, um estudo mais profundo de textos como esse mostra a inconsistência dessa afirmação. Em Jo 1,21, João Batista nega veementemente ser Elias. Ademais, na Transfiguração (cf. Mt 17,3), João Batista já tinha morrido; nesse caso, quem deveria ter aparecido não era Elias, mas João Batista.

Fenômenos psicológicos como a paramnésia (quando a pessoa tem a impressão de já ter vivido uma determinada situação) e a “terapia de vidas passadas”, também são usados como argumento a favor da reencarnação. No entanto, especialistas explicam facilmente esses fenômenos no campo da psicologia e psiquiatria.

Na verdade, a reencarnação se choca frontalmente com o Cristianismo, porque centra a salvação do homem nele mesmo, negando a salvação por meio de Jesus Cristo e a misericórdia do Pai com o mal do homem. Na reencarnação, o homem é seu próprio salvador, pagando pelos seus males em outras existências. Se todo mal deve ser autorredimido por sofrimentos, à pessoa de má índole, que praticou muitas maldades, só resta o desespero de saber que terá de pagar implacavelmente por tudo isso. Talvez essa crença, para aqueles que se acham puros, seja interessante, mas para aqueles que se sabem devedores do bem, só resta a angústia. Por isso, a reencarnação coloca em xeque a misericórdia de Deus, que perdoa e redime o mal do homem, tantas vezes pregada e testemunhada por Jesus, como o perdão de Jesus, a promessa do Paraíso imediato ao ladrão arrependido (cf. Lc 23,43) e o perdão do pai dado ao filho pecador na parábola do “Filho Pródigo” (cf. Lc 15, 11-32).

A reencarnação coloca a bela e complexa existência humana sob as leis quase mecânicas e implacáveis do Karma. Embora, aparentemente bem montada, duas contradições nessa teoria me parecem chamar à atenção. Após milhares de anos de gerações humanas, era de se esperar que o mundo estivesse bem evoluído. Ao contrário, embora a humanidade avance a passo largos no campo científico, no campo humano e espiritual, nos últimos 100 anos decaiu desastrosamente. Testemunham isso os massacres e assassinatos de centenas de milhões de pessoas pelas guerras e ideologias do séc. XX, a violência, a ganância individualista pós-moderna e as atuais leis contra a vida e a família disseminadas pelo mundo. Outra contradição está em que, se o sofrimento tem o valor intrínseco (independente da liberdade da pessoa) de purificar e redimir, então, não se deveria ajudar e atenuar os sofrimentos das pessoas, que estão sendo preparadas para novas existências mais felizes. A caridade com os pobres e sofredores passa a ser um bem para quem o faz (porque o purifica), mas um mal para quem o recebe.

Com a reencarnação, dogmas cristãos tão claramente expressos na Sagrada Escritura não têm sentido, como a vida e o juízo após a morte (cf. Mt 13, 24-30; 13, 37-40; Lc 14, 16-24; Mt 25, 1-12; Mt 25, 33-46, dentre tantas outras) e a ressurreição da carne, tão enfatizada por São Paulo, como por exemplo, em 1Cor 15. Talvez o texto bíblico que mais contradiga a reencarnação seja Hb 9,27, em que se lê: “Está determinado que os homens morram uma só vez, e depois vem o julgamento”.

Embora pareça dar respostas, a reencarnação usa de premissas gratuitas, como a que todo o homem começa a existir em condições físicas e psíquicas iguais. Ela tem uma visão pessimista da matéria como cárcere ou sepulcro da alma. Ao contrário, o Cristianismo tem uma visão positiva da matéria, tida como criatura de Deus e parte integrante do ser humano. Muitos reencarnacionistas apregoam que o Cristianismo, em sua origem, acreditava nessa crença e que se trata de um princípio religioso muito antigo. Essas são outras declarações gratuitas e sem fundamento.

Os cristãos sempre acreditaram na ressurreição; a Bíblia e a Tradição cristã estão repletas dessa verdade. Tampouco o grande escritor eclesiástico, Orígenes, acreditava na reencarnação, como dizem alguns deles. Na verdade, ele acreditava que as almas pré-existiam, mas não que se reencarnavam. Quanto à antiguidade da reencarnação e sua unanimidade entre as religiões, é importante esclarecer que essa crença só aparece no hinduísmo após o séc. VII a.C. e antigas religiões chinesas (taoísmo e confucionismo), egípcias e da Pérsia não acreditavam nela.

Em tempos de Nova Era, ocultismos e espiritualismos apregoados por filmes, novelas, autores de autoajuda etc, muitos cristãos pouco esclarecidos acabam por aceitar ideias reencarnacionistas. Não sabem, no entanto, que, aceitando a reencarnação, deixam de ser cristãos, porque negam o significado essencial de Cristo na vida do homem, a verdade fundamental de nossa fé pregada pelos apóstolos desde o início: “Em nenhum outro há salvação, porque debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos” (At 4,12).
André Botelho -  é fundador e moderador geral da comunidade católica Pantokrator, à qual se dedica integralmente.

Jesus é a nossa paz

Jesus é a nossa paz

Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com 
A paz não se constrói pelas decisões dos grandes do mundo, mas no tu a tu do trato entre as pessoas.

Jesus caminhava pelas estradas da Galileia e formava pouco a pouco os seus discípulos, chamados a serem apóstolos e missionários, enviados a levar a Boa Nova do Evangelho até os confins da terra. Quando retornam de sua primeira experiência missionária, partilham com o Senhor o que haviam feito e ensinado (Mc 6, 30-34). Jesus, sensível ao cansaço que certamente experimentavam, procura conduzi-los a um lugar sossegado. No entanto, a multidão sedenta da presença do Senhor chega na frente. Os discípulos, de lá para cá, aprendem do Senhor a ampliarem os horizontes, atentos às necessidades das pessoas. De fato, “ao sair do barco, Jesus viu uma grande multidão e encheu-se de compaixão por eles, porque eram como ovelhas que não têm pastor. E começou, então, a ensinar-lhes muitas coisas” (Mc 6, 34). A lista dos problemas que os cristãos devem enfrentar ao longo da história é muito grande, mas não podem recusar-se a enfrentá-los.

Ovelhas sem pastor, povo sem referências e orientação, abandono à própria sorte. São situações humanas desafiadoras e provocantes, que pedem resposta da parte dos cristãos e de toda a sociedade. Um dos gritos mais significativos de nosso tempo, como expressão do desgaste a que chegaram as relações entre pessoas e grupos é alto nível de violência, o acirramento dos contrastes ideológicos e sociais, incluindo, infelizmente, também a religião, quando esta tem como vocação própria aproximar as pessoas de Deus e umas das outras.

De acordo com os dados do Mapa da Violência, recentemente publicado, mais de cinquenta e seis mil pessoas foram assassinadas no Brasil em dois mil e doze, das quais vinte e sete mil eram jovens. E os números crescem ainda!

Com a proposta do Ano da Paz, a Igreja no Brasil quer ajudar na superação da violência e despertar para a convivência mais respeitosa e fraterna entre as pessoas, explica o bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner. “Violência que se manifesta na forma da morte de pessoas, na falta de ética na gestão da coisa pública, na impunidade. A violência, a falta de paz, provém do desprezo aos valores da família, da escola na formação do cidadão, do desprezo da vida simples”. A Igreja propõe uma reflexão sobre os motivos da violência e sobre a necessidade de uma convivência fecunda e frutuosa.

O Papa Francisco, na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, aponta para algumas raízes da violência e propõe que digamos um “não à desigualdade social”: “Hoje, em muitas partes, reclama-se maior segurança. Mas, enquanto não se eliminar a exclusão e a desigualdade dentro da sociedade e entre os vários povos será impossível desarraigar a violência. Acusam-se da violência os pobres e as populações mais pobres, mas, sem igualdade de oportunidades, as várias formas de agressão e de guerra encontrarão um terreno fértil que, mais cedo ou mais tarde, há de provocar a explosão. Quando a sociedade abandona na periferia uma parte de si mesma, não há programas políticos, nem forças da ordem ou serviços secretos que possam garantir indefinidamente a tranquilidade. Isto não acontece apenas porque a desigualdade social provoca a reação violenta de quantos são excluídos do sistema, mas porque o sistema social e econômico é injusto na sua raiz. Assim como o bem tende a difundir-se, assim também o mal consentido, que é a injustiça, tende a expandir a sua força nociva e a minar, silenciosamente, as bases de qualquer sistema político e social, por mais sólido que pareça.

Se cada ação tem consequências, um mal embrenhado nas estruturas duma sociedade sempre contém um potencial de dissolução e de morte. É o mal cristalizado nas estruturas sociais injustas, a partir do qual não podemos esperar um futuro melhor” (Evangelii Gaudium 59). “Isto torna-se ainda mais irritante, quando os excluídos veem crescer este câncer social que é a corrupção profundamente radicada em muitos países – nos seus Governos, empresários e instituições – seja qual for a ideologia política dos governantes” (Evangelii Gaudium 60).

Que resposta pode ser oferecida? A paz começa dentro do coração, no acolhimento daquele que é a paz, Jesus Cristo (Cf. Ef 2, 13-18). E esta paz é fruto da ação do Espírito Santo (Cf. Gl 5,22), a ser acolhido como dom derramado pelo Senhor, que o envia como presente que acompanha a Igreja e todos os cristãos. Vem a ser pedido em oração, pois vem do alto, antes de ser uma conquista pessoal. Sem a abertura para Deus o mundo e as pessoas andarão inquietos e não encontrarão a estrada da paz. E não nos esqueçamos de que os cristãos têm à sua disposição o Sacramento de Cura chamado Reconciliação ou Penitência. O recurso à graça sacramental desarma corações e estimula a busca dos caminhos de paz entre as pessoas.

É bom lembrar também que os discípulos de Jesus, em todas as gerações, trazem consigo as eventuais marcas decorrentes de suas situações familiares e da cultura de seu tempo. Não são diferentes dos outros quanto à natureza, mas, voltando-se para ele, empreendem o esforço cotidiano, sustentado pela graça de Deus, mudando suas atitudes, desarmando-se diante das outras pessoas, começando em casa e nas relações mais comezinhas, para ampliar até o relacionamento. A paz não se constrói pelas decisões dos grandes do mundo, mas no tu a tu do trato entre as pessoas. “Devemos sempre lembrar-nos de que somos peregrinos, e peregrinamos juntos. Para isso, devemos abrir o coração ao companheiro de estrada, sem medos nem desconfianças, e olhar primariamente para o que procuramos: a paz no rosto do único Deus. O abrir-se ao outro tem algo de artesanal, a paz é artesanal.

Jesus disse-nos: ‘Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus’ (Mt 5, 9). Neste esforço, mesmo entre nós, cumpre-se a antiga profecia: ‘Transformarão as suas espadas em relhas de arado'” (Is 2, 4; Evangelii Gaudium, 244). “Misericórdia e fidelidade se encontram, justiça e paz se abraçam” (Sl 85, 11).

Um olhar mais desarmado, sem considerar inimigas todas as pessoas desconhecidas, a capacidade de construir novas amizades, o conhecimento de ambientes diferentes, a abertura sorridente para as novas gerações, que clamam por adultos mais serenos! Parecem sonhos irrealizáveis, mas um primeiro passo dado mostrará as novas possibilidades abertas pela Providência de Deus!

Vale ainda pensar nas capacidades de cada pessoa, com as quais um ambiente diferente pode ser construído na sociedade. Se passarmos por quem atua na educação, ou quem trabalha em órgãos de segurança, chegando às repartições públicas, nas quais todos sejam bem tratados, a superação de obstáculos burocráticos para o atendimento dos cidadãos, para chegar aos detentores do poder que, sendo cristãos, não podem se omitir na busca de soluções para os graves problemas sociais e na busca sincera do bem comum.

Se dermos glória a Deus, em Jesus Cristo, nossa paz, a paz germinará na terra!
Dom Alberto Taveira Corrêa -  Arcebispo da Arquidiocese de Belém – PA.

Novo tecido político


Novo tecido político

Exercícios precisam ser praticados para que se avance no processo de melhorias do tecido político

A pluralidade ideológico-partidária é um vetor de grande importância para alimentar as dinâmicas que provocam reflexões, discernimentos e escolhas na construção da sociedade. A política partidária, assim, é constitutiva do tecido democrático, porém, neste momento, desenvolve-se sem o respaldo de uma cultura político-cidadã consistente, com capacidade para sustentar os embates pautados pelo inegociável compromisso com o bem comum. A responsabilidade com o país não pode ser jamais negociada por interesses mesquinhos e por esquemas de corrupção. Para além de sua competência específica, os políticos são cidadãos como todos os outros, alimentados no horizonte de uma mesma sociedade, portanto, filhos iguais da mesma cultura. Se essa cultura cidadã, que é básica, está comprometida, será sofrível o nível da política partidária.

A falta de envergadura nos exercícios políticos, ao se constatar equívocos em administrações, mediocridades em representações e obscuridades, evidencia desajustes nessa cultura cidadã. Assim, é indispensável investir num novo tecido político para subsidiar uma cidadania que consiga produzir líderes mais nobres, capazes de abrir frentes e encontrar novas respostas, ajudando no avanço inadiável de instituições e instâncias todas da sociedade. É necessário cultivar uma consistência nova que sustente a cidadania na sociedade brasileira. Esgotou-se a tentativa muito comum, ante os desarranjos da política, de alguém se apresentar no cenário político partidário como “salvador da pátria”, com soluções quase mágicas para os muitos problemas.

A política partidária, ao cair nas mazelas dos interesses mesquinhos pela sedução terrível do dinheiro e do poder, perde a moral e compõe um cenário rejeitado pela população. Candidatos, quando eleitos, com pouco tempo expõem suas fragilidades e inércias. Exercem responsabilidades, quando o fazem, a “passo de tartaruga”. E, no período eleitoral, começa a mesma cantilena partidária. Falta uma dinâmica mais adequada para o exercício da política, o que agrava crises por carência de líderes lúcidos e competentes. Tudo se resume num falatório e em discussões sem força para mudar cenários ou para alcançar respostas assertivas. Há de se considerar o investimento diuturno em busca de um tecido político mais qualificado na sociedade brasileira. Agora é hora oportuna, no enfrentamento das crises, para se abrir um novo horizonte, superar vícios e procedimentos que, mantidos, impedirão transformações importantes e na velocidade esperada. Sem essas mudanças, a sociedade continuará a amargar atrasos e a perda de oportunidades para seu esperado crescimento.

O investimento em educação, sem dúvida, é um ponto de grande relevância, mas não basta somente investir no ensino formal. A intervenção precisa ser mais abrangente no âmbito da cultura. Nessa dimensão, muitos aspectos merecem análises para serem modificados. Sabe-se que não basta apenas ser detentor de conhecimento. É preciso ser capaz de valer-se da riqueza das informações para articulações de alta complexidade e, assim, alargar horizontes, acionar a lucidez da inteligência que aponta soluções e a disposição cidadã de tudo fazer para dar ao conjunto da sociedade o desenvolvimento almejado.

Exercícios precisam ser praticados para que se avance no processo de melhorias do tecido político. Um rosário de tarefas pode ser apontado. Quando se considera os cenários de pobreza e miséria que desenham a sociedade brasileira, é indispensável priorizar os clamores dos pobres, como princípio e lei acima de normas vigentes, de direitos do Estado ou de defesa de interesses particulares. Também é hora do empresariado investir em projetos sérios, de credibilidade. É o momento dos agentes na política partidária abrirem mão de benesses que estão na contramão das expectativas de seus representados. Devem-se qualificar melhor, humanisticamente, para o exercício da liderança. De um modo geral, são necessárias novas práticas cidadãs, o que inclui respeitar tudo o que se relaciona ao bem comum. Não se avançará muito e não se conseguirá superar os graves problemas deste momento se não se encontrar o caminho, as dinâmicas, os modos e a boa vontade de todos para se constituir um novo tecido político.
Dom Walmor Oliveira de Azevedo - O Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, 

Você compensa suas emoções na comida?

Você compensa suas emoções na comida?

A comida pode estar ligada a uma necessidade fisiológica ou emocional 

Você saberia me dizer o que é emoção? É uma experiência subjetiva, associada a temperamento, personalidade e motivação. Existe uma distinção entre a emoção e seus resultados, principalmente os comportamentos gerados e as expressões emocionais.

Nossas emoções primárias são alegria, tristeza, medo, amor e raiva. As pessoas frequentemente se comportam como um resultado direto de seus estados emocionais, seja chorando, lutando, fugindo ou comendo. Emoções que, ainda criança, podem ser aprendidas ou condicionadas à alimentação. Um bebê, por exemplo, que sempre ao chorar é amamentado ou uma criança que recebe como estímulo, como recompensa por um bom comportamento ou uma tarefa cumprida, um alimento que lhe agrada o paladar, são “treinadas” a obter esse mesmo alimento sempre que experimentarem uma dessas emoções primárias, pois aprenderam que ao vivenciar uma forte emoção precisam se alimentar.

No entanto, existem alimentos que influenciam diretamente nosso Sistema Nervoso Central (SNC) e reforçam esse estímulo externo que recebem. A cafeína, por exemplo, atua diretamente no SNC e tem a capacidade de agir na corrente sanguínea e atingir o córtex cerebral que interfere na redução do cansaço, da atenção e cognição. O resultado obtido pela cafeína, que é encontrada não só no café, mas também nos refrigerantes e em alguns chás, são benéficos, porém, o uso contínuo pode causar dependência, principalmente se associado à forma de nutrir as emoções e suprir as carências.

Há outros alimentos que também precisam de nossa vigilância, pois são verdadeiros companheiros de nossas emoções: os chocolates e açúcares. Tanto o chocolate quanto o açúcar são capazes de estimular a produção da serotonina, que proporciona uma sensação de prazer e bem-estar. Por isso, muitas vezes, tornam-se companheiros das mulheres que vivenciam a TPM (tensão pré-menstrual), pois são alívio imediato da raiva e mais agradáveis ao paladar feminino que o masculino.

Contudo, precisamos ficar atentos, pois os alimentos não nos nutrem apenas física, mas emocionalmente também; por isso, é preciso saber identificar quando minha fome é física ou emocional. Como distingui-la? A fome física é fisiológica, é a nossa necessidade de reabastecimento, aquela que sustenta a vida, que nos mantém de pé, produzindo em nós a energia necessária para desenvolver as tarefas diárias. Já a fome emocional é aquela que não tem ligação com a sustentação da vida. Nesse caso, é aquela que nos faz comer mais e mais, apesar de já estarmos satisfeitos ou até passando mal. É aquele churrasco gostoso, o almoço de domingo, a festa boa que vamos… E mesmo já atingindo nosso limite físico, não somos capazes de dizer ‘não’ e continuamos a comer.

É primordial, então, o autoconhecimento, pois ele será nosso auxílio
adequado, o termômetro para não sermos reféns dos alimentos. Conhecer nossa história, emoções e reações promove em nós autodomínio e,
consequentemente, uma forma mais madura e saudável de ver a vida.

Não pare em suas limitações, desnude-as e vença-as!
Aline Rodrigues -  psicóloga há 10 anos,  é missionária do segundo elo da Comunidade Canção Nova.