A Palavra de Deus

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DOPAS

DOAÇÃO, ORAÇÃO, POBREZA, ALEGRIA E SIMPLICIDADE

9 de setembro de 2017

O que Paulo quis dizer com "deixai-vos conduzir pelo Espírito Santo"?

O que Paulo quis dizer com "deixai-vos conduzir pelo Espírito Santo"?


Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com
“Deixai-vos conduzir pelo Espírito Santo” (Gl 5,16a)

Você, realmente, sabe o que é se deixar conduzir pelo Espírito Santo? Qual foi a verdadeira intenção do Apóstolo Paulo ao dar essa ordem? Muitos perdem a oportunidade de viver direcionados por Deus, por não entenderem essa máxima fundamental para o Cristianismo.

Para compreender essa ordem de se deixar conduzir pelo Espírito Santo, segundo o pensamento paulino em Gálatas, é necessário olhar para o contexto literário e histórico da carta. Em outras palavras, é importante compreender o que fez com que Paulo dissesse isso. Depois, aí sim, podemos atualizá-la em nossa vida.

Uma das intenções do apóstolo Paulo, na carta aos Gálatas, é responder a uma das questões mais relevantes para o cristianismo primitivo: os pagãos que se convertem à fé de que Jesus é o Cristo precisam viver, segundo alguns preceitos específicos, da lei judaica? Precisam seguir as prescrições alimentícias do judaísmo? Eles tem a obrigação de fazer a circuncisão? (cf. At 10,19-23; 15,1-21; Gl 2,1-10).

A resposta não era tão simples assim, pois estava como “pano de fundo” da discussão o fato de que os judeus, sobretudo os fariseus legalistas daquela época, tinham a ideia de que aqueles que vivessem segundo tais normas seriam justificados por Deus, alcançariam d’Ele a graça e, portanto, seriam de alguma maneira salvos (cf. Gl 2,16). Em contrapartida, aqueles que não as cumprissem seriam considerados pecadores, impuros e estariam condenados às maldições de toda ordem. Desse modo, a vivência da lei seria a causa da justificação.

Qual é o problema dessa concepção legalista?

Se é a lei que justifica o ser humano, então, de nada valeu a vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo! (cf. Gl 3,13-14). Paulo entende a gravidade da questão e, diante da ameaça dos pregadores judaizantes e legalistas que estavam pregando aos gálatas, escreve parte da carta para mostrar que o que justifica é a graça de Deus, a qual, uma vez recebida pelo ser humano, deve ser vivenciada por meio de atitudes concretas (cf. Gl 2,4). Assim, o ser humano continua sendo dependente da graça de Cristo para a sua salvação e livre da tentação de querer salvar-se a si mesmo (cf. Gl 3,10-14).

É por essa razão que o apóstolo Paulo diz aos Gálatas que o cristão não deve viver como escravo da lei, mas sim pela fé vivida em Cristo (cf. Gl 3,23-29). Por que isso é importante? Porque o que deve garantir a vivência da santidade não é a imposição da lei, mas a ação do Espírito Santo no ser humano.

Com efeito, se alguém realiza o bem apenas porque a lei manda, então, o que motivou a ação pode ter sido, talvez, o medo da punição prevista na norma. Um exemplo pode ajudar na compreensão: imagine que uma pessoa esteja apontando uma arma engatilhada para sua cabeça e gritando para que você perdoe alguém que o magoou. Seu perdão seria verdadeiro? Muito provavelmente não! O que o teria conduzido, talvez, fosse o terror da morte. Essa é a dinâmica de quem está vivendo pela lei, segundo Paulo.

Ação do Espírito Santo

Assim, deixar-se conduzir pelo Espírito, dentro do contexto da Carta aos Gálatas, significa ser livre do jugo da lei e realizar a vontade de Deus como fruto da ação do Espírito Santo (cf. Gl 5,22-23). Trata-se de agir segundo a graça de Deus. Assim, se faço o bem, é porque sou cheio do Espírito Santo. Se perdoo, é porque sou cheio do Senhor. Se amo, é porque Cristo vive em mim! (cf. Gl 2,19-21). Quantas pessoas fazem o que Deus quer apenas por medo do inferno ou de qualquer outro castigo! Quantas pessoas vão à Santa Missa, só porque existe um mandamento! Talvez, você, meu querido leitor, tenha respondido essas perguntas, incluindo-se na resposta com um sonoro “eu”.

Diante disso, é preciso deixar-se conduzir pelo Espírito e não pelo medo, nem mesmo pela obrigação da lei. É preciso entender que “foi para a liberdade que Cristo nos libertou” (cf. Gl 5,1). Assim, se perdoo, se amo, se vou à Missa, se sou servo de Deus, é porque tudo isso é fruto da ação poderosa do Senhor na minha vida. É importante salientar ainda duas informações sobre o verdadeiro sentido da expressão “deixai-vos conduzir pelo Espírito Santo”. A primeira é que a melhor tradução do texto grego da Carta aos Gálatas (Gl 5,16a) é “andeis segundo o Espírito”, ou ainda, “andeis no Espírito”, já que o verbo é “paripateo”, literalmente, “andar” ou “caminhar”.

A relevância maior dessa informação está no fato de que este verbo, “paripateo” (andar), é utilizado várias vezes nos escritos paulinos. Trata-se, portanto, de uma utilização minuciosamente pensada (cf. 1Ts 2,12; 4,1.12; Gl 5,16; Rm 6,4; 8,4; 13,13; 14,15; 1Cor 3,3; 7,17; 2Cor 4,2; 5,7; 10,2.3; 12,18; Fl 3,17.18; Cl 1,10; 2,6; 3,7; 4,5).

Qual é o sentido mais profundo disso?

Este termo “andar” é utilizado na literatura secular a partir do século I a.C. para se referir à conduta ou modo de vida. No Novo Testamento, quando este vocábulo designa um modo de vida, ele é determinado por alguma qualificação, ou seja, ele está sempre acompanhado por alguma outra expressão (cf. Mc 7,5; At 21,21). Às vezes positiva, como é o caso em Jo 12,35; Rm 6,4; 13,13; 1Cor 7,17; 2Cor 5,7; 12,18; Gl 5,16; Ef 2,10; 5,2.8.15; Fl 3,17; Cl 1,10; 2,6; 4,5; 1Ts 2,12; 4,1.12; 1Jo 2,6; 4; 2Jo 6. Mas também negativa (cf. Jo 8,12; 12, 35; 1Jo 1,6; 2,11; 1Cor 3,3; 2Cor 4,2; 10,2; Ef 2,1-3; 4,17; Fl 3,18; 2Ts 3,6; 2Ts 3,11; Hb 13,9.

Tais qualificações evocam a ideia de uma oposição entre os dois modos de “andar” ou de “conduzir” a vida. Diante disso, o modo de vida do cristão é “andar segundo o Espírito”, é deixar-se conduzir por Ele. É também, como vimos antes, ser livre no amor e na graça, praticando as obras do Espírito.

Por fim, a segunda informação importante é que ser livre da escravidão da lei, segundo o pensamento paulino, não é fazer tudo o que se quer. Em outras palavras, não é libertinagem! É ser livre em Deus, para viver n’Ele e por Ele.

Desse modo, deixe-se conduzir pelo Espírito, ande segundo Ele, seja livre para amar por gratuidade e graça. Seja livre sendo escravo do Espírito Santo de Deus!

João Cláudio Rufino é Mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Membro da Equipe Nacional do Ministério da Pregação e Coordenador Núcleo de Reflexão Teológica da RCC Brasil.

A dor que nos purifica

A dor que nos purifica


Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com 
A cruz e o sofrimento nos purificam, pois abrem nossos olhos para panoramas maiores de vida, mais verdadeiros e belos

O sofrimento nos ajuda a escalar o cume do amor a Deus e do amor ao próximo. São inúmeras as histórias de homens e mulheres que, sacudidos pelo sofrimento, acordaram, adquiriram uma nova visão – que antes era impedida pela vaidade, pela cobiça e pelas futilidades – e perceberam com olhos mais puros: o que vale a pena, de verdade, é Deus, que nunca morre nem trai.

Descobriram que n’Ele se encontra o verdadeiro amor pelo qual todos ansiamos e que nenhuma outra coisa consegue satisfazer. Entenderam que o importante são os tesouros no céu, pois estes nem a traça rói nem os ladrões arrebatam (cf. Mt 6,20). Perceberam, enfim, que os outros também sofrem, por isso decidiram se esquecer de si mesmos e dedicaram-se a aliviá-los e ajudá-los a bem sofrer.

São Paulo Apóstolo

É uma lição encorajadora verificar que, na vida de São Paulo, as tribulações se encadeavam umas às outras, sem parar, mas nunca o abatiam. É que ele não as via como um empecilho, mas como graça de Deus e garantia de fecundidade, de modo que podia dizer de todo o coração: “Trazemos sempre em nosso corpo os traços da morte de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo”(2Cor 4,10).

Ainda afirmava: “Sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades e perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor de Cristo; porque, quando me sinto fraco, então é que sou forte!” (2Cor 12,10).

Com entusiasmo, ele dizia: “Nós nos gloriamos das tribulações, pois sabemos que a tribulação produz a paciência; a paciência, a virtude comprovada; a virtude comprovada, a esperança. E a esperança não desilude, porque o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rom 5,3-5).

É o retrato perfeito da alma que se agiganta no sofrimento, que se deixa abençoar pela cruz.

Outro exemplo: São João da Cruz

Uma perseguição injusta dos seus próprios confrades arrastou São João da Cruz a um cárcere imundo. Todos os dias, ele era chicoteado e insultado. Mal comia. Suportava frios e calores estarrecedores. Para ler um livro de oração, tinha de erguer-se nas pontas dos pés sobre um banquinho e apanhar um filete de luz que se filtrava por um buraco do teto.

Foi nesses meses de prisão, num cubículo infecto, que ganhou o perfeito desprendimento, alcançou um grau indescritível de união com Deus e compôs, inundado de paz, a ‘Noite escura da alma’ e o ‘Cântico espiritual’, obras consideradas dois dos cumes mais altos da mística cristã. E, uma vez acabada a terrível provação, quando se referia aos seus torturadores, chamava-os, com sincero agradecimento, “os meus benfeitores”.

Testemunho dos santos

As histórias de mulheres e homens santos, que se elevaram na dor, poderiam multiplicar-se até o infinito: mães heroicas, mártires da caridade. Daria para encher uma biblioteca só com a vida dos mártires do século XX, como São Maximiliano Kolbe, que, na sua cruz – na injustiça do campo de concentração nazista, nos tormentos e na morte –, soube dar o amor e a vida com alegria.

Márcio Mendes - é missionário da Comunidade Canção Nova, desde 1994, onde atua em áreas ligadas à comunicação. Teólogo, é autor de vários livros, dentre eles ’30 minutos para mudar o seu dia’, um poderoso instrumento de Deus na vida de centenas de milhares de pessoas.

5 de setembro de 2017

Bíblia: uma junção do ato humano e divino

Bíblia: uma junção do ato humano e divino


Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com
Na Bíblia, temos o sagrado que une o ato humano e a ação divina

A princípio, parece uma coisa óbvia dizer que a Bíblia é um livro, ou melhor, uma coleção de livros, e que, como tal, são para serem lidos; mais do que óbvio, é a entendermos como literatura. No entanto, quando se trata das Sagradas Escrituras, nem sempre a coisa é simples, porque a Bíblia é, para nós, a Palavra de Deus.

Por ser Palavra do Senhor, a Igreja venera a Bíblia profundamente. O que acontece, muitas vezes, é que as pessoas entendem de modo equivocado o fato de a termos como Palavra de Deus e de a venerarmos como tal. Acabam, então, por um respeito fora da normalidade, tendo medo de ler a Bíblia.

Destaque para a Palavra de Deus

Eu acho bacana quando chego em uma casa e a Palavra de Deus está aberta, geralmente num lugar de destaque. A pessoa tem aquela Bíblia grande, ilustrada e a coloca na sala, aberta. Isso é bem bonito! É muito importante dar destaque à Palavra de Deus, e a Igreja nos incentiva a fazer isso. No entanto, grande parte dessa pessoas ficam com medo ou respeito excessivo e não a leem. Por isso quero comentar sobre a Bíblia como literatura.

Para ficar mais fácil, vamos separar as palavras: Bíblia e Sagrada. “Bíblia” significa um conjunto de livros, e como já dissemos, livro é para ser lido. Ato humano. E a outra palavra “Sagrada”, segundo o dicionário, é algo relativo às coisas divinas, algo santo, separado. Ato divino. Percebemos aí o que Deus quer: a união do divino com o humano.

Ato humano e ação divina

Na composição da Bíblia Sagrada, temos, no momento da redação dos livros, a mão humana, mas também, e principalmente, a inspiração divina, que é o que torna a Bíblia algo sagrado para nós. Temos aí essa junção do ato humano e da ação divina.

Fazemos o que cabe a nós no ato humano da leitura dos textos; e Deus faz o Lhe cabe, enviando-nos Seu Espírito Santo, que nos ilumina e encaminha nessa leitura.

A Igreja nos ensina que a graça de Deus é oferecida a todo ser humano, mas que para produzir seu efeito é necessário que haja a cooperação humana. É o que a Igreja chama de livre adesão do homem à graça divina. Assim também o é com a Bíblia. Para que a Palavra de Deus, em toda sua sacralidade, e para que o ato divino aconteça em nós, precisamos realizar o ato humano da leitura dos textos.

Fique com Deus. Até a próxima.

Denis Duarte - é graduado em letras, especialista em Bíblia e mestre em Ciências da Religião. Professor e vice-diretor da Faculdade Canção Nova.

Como viver bem o mês da Bíblia?

Como viver bem o mês da Bíblia?



Em setembro, recebemos um belo convite da Igreja no Brasil: olhar com mais carinho para a Bíblia, fonte de nossa fé

O mês de setembro foi escolhido fazendo memória a São Jerônimo (celebrado no dia 30), que traduziu os textos sagrados do hebraico e grego para o latim. O que acontece é que, para muitos, algumas partes da Bíblia são tão difíceis de interpretar, que parecem que ainda estão em grego.

Nem sempre é fácil mergulhar com profundidade na Sagrada Escritura. Por isso, nessa formação, vamos conhecer algumas dicas para viver bem seu mês da Bíblia.

Conheça S. Jerônimo

Foi no fim do quarto século, quando o elenco de livros inspirados nem tinha sido definido de maneira conclusiva na Igreja (pasmem!), que São Jerônimo recebeu a incumbência do Papa Dâmaso de presentear o cristianismo com uma versão da Bíblia em latim, que seria chamada, mais tarde, de Vulgata.

O trabalho foi duro! São Jerônimo teve de analisar muitos papiros e pergaminhos, para ver qual tinha o texto mais antigo, já que os originais, provavelmente, estavam perdidos.

A tradução também era – e ainda é – demorada. Nós, que pesquisamos a Sagrada Escritura e temos de traduzir as passagens que estudamos, às vezes, levamos horas ou dias de pesquisa para traduzir um só versículo!

A dedicação fiel de São Jerônimo mostra que ele foi um homem apaixonado pela Sagrada Escritura. Ele amava a Terra Santa e fez muitas viagens para lá, inclusive, terminando sua caminhada terrestre em Belém.

Jerônimo é a prova de que o estudo, feito junto com a vida de oração, nunca tiram a fé; do contrário, aumentam nosso amor por Deus. Tanto, que o Concílio Vaticano II, quando ensina sobre as Sagradas Escrituras na Constituição Dogmática Dei Verbum, retoma uma frase célebre do santo, tirada de um comentário de Isaías: “Desconhecer as escrituras é desconhecer Cristo” (Comm. in Is. Prol.: PL 24, 17). Por isso, vale a pena debruçar-se sobre a Palavra: amá-la significa amar o próprio Jesus, verdadeira Palavra de Deus.

Por que um mês da Bíblia?

O sopro do Espírito, no Vaticano II, abraçou um movimento bíblico, que trazia novos ares na leitura da Palavra de Deus na Igreja. Até, então, a Bíblia não era nem traduzida para outras línguas, a versão oficial era somente a Vulgata, em latim.

Como bom filho do Concílio, o mês da Bíblia foi inspirado na Igreja do Brasil, em 1971, na arquidiocese de Belo Horizonte (MG), amparado pelo Serviço de Animação Bíblica (das irmãs Paulinas). Logo, espalhou-se pelo Brasil e tornou-se oficial pela CNBB.

A cada ano, a Conferência Episcopal dos Bispos do Brasil apresenta um livro bíblico para ser meditado e aprofundado, mas a escolha do texto não é aleatória. Veja só:

Em 2016, conhecemos Miqueias, o profeta de Morasti, que prega a Palavra de Deus defendendo os camponeses pobres, ensinando sobre a vida em família.

Em 2017, o testemunho mais antigo de uma comunidade, a Primeira Carta aos Tessalonicenses, vai iluminar a vida em comunidade.

Em 2018, o livro da Sabedoria, com suas máximas de vida, ensinando a viver bem e em harmonia, apresentará a vida em sociedade.

Para 2019, está reservado o tema da vida eterna, iluminada pela Primeira Carta de João.

O que fazer para que o mês da Bíblia seja uma experiência bonita e cheia de frutos? Bom, podemos oferecer algumas pequenas dicas que podem ajudar a começar um processo de encanto com a Palavra:
Para o crescimento pessoal

Como em uma boa amizade, é preciso aproximar-se da Sagrada Escritura. Perguntar, conhecer, interessar-se, gastar tempo com os textos e dialogar com eles.

Um bom amigo também é aquele que “faz nada” junto com a gente. Então, o silêncio diante da Palavra é necessário. Não aquele para pensar no que vou cozinhar ou para dar um cochilo, mas o que representa saborear a palavra, como sentir o gosto de um chocolate da boca depois de comer.

Separe um espaço da sua casa para ser seu “cantinho da oração” (uma cômoda, um espaço na prateleira). Não precisa de muito! Coloque alguns objetos sagrados que o levam a Deus, para que, toda vez que você chegar ali, seu coração saiba que é hora de rezar com a Palavra.

Uma boa música ajuda, de preferência instrumental. E que ela não seja a notificação do Whatsapp! Vale a pena conhecer e usar o “modo avião”!

Leia o texto de 1 Tessalonicenses todo! Se terminá-lo, um bom caminho para escolher as passagens é seguir a liturgia diária.
Em comunidade

Procure, com a pastoral litúrgica de sua paróquia, fazer uma celebração da Palavra, bem preparada, cheia de encanto. Fale com o padre da sua comunidade, para convidar um bom palestrante para estudar o livro de 1 Tessalonicenses. E ajude-o a motivar a paróquia para participar.

Leia o texto em comunidade e ore com seus irmãos de caminho. Quando estamos juntos, Deus está no meio de nós e fala conosco.

Fabrizio Zandonadi Catenassi - Mestre e doutorando em Teologia (PUCPR); professor de Sagrada Escritura (Católica SC); membro da diretoria da Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica; assessora cursos bíblicos e retiros no Brasil e na América Latina.

Como contemplar o Cristo no irmão doente?

Como contemplar o Cristo no irmão doente?

Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com
Diante de alguém doente, é preciso levar palavras de esperança e consolo

A doença é uma realidade que ninguém deseja, no entanto, ela chega sem pedir licença, e muitas das suas visitas vêm para tirar a paz no lar de muitas famílias. Contudo, mesmo em meio à doença, nós cristãos somos convidados a fazer como Jesus Cristo, e com Ele, o caminho da cruz. Muitos foram os santos e santas que a Igreja já canonizou, que fizeram de suas enfermidades um caminho de santificação e purificação.

Na família, onde se encontra uma pessoa doente, os membros dela necessitam estar imbuídos do Evangelho para, diante da doença e do tratamento, ser um sinal de esperança e consolo. Além dos cuidados médicos e o tratamento com medicação, a pessoa doente necessita de amor, carinho e atenção.

Diante de um enfermo

Em muitos casos, há pessoas que são totalmente dependentes de seus familiares para se movimentar, tomar banho, alimentar-se, fazer as necessidades fisiológicas; isso devido a uma doença degenerativa ou paralisia. Em minha família e entre conhecidos, pude ouvir de pessoas que têm esse tipo de doença e passam por tais tratamentos, que viver assim é uma humilhação, é vergonhoso.

Pode até ser vergonhoso, que realmente se sintam assim, pois como deve ser difícil – emocional e psicologicamente – para uma mãe doente, que faz o uso de fraldas, ter que depender de um filho homem ou do próprio esposo para trocá-la e dar banho! Talvez, para você que vive tal realidade, essa seja uma oportunidade de unir-se à cruz de Cristo e oferecer cada minuto de sua vida ao Senhor em atitude de louvor. O caminho do cristão é o mesmo que Cristo passou, um caminho de sofrimento e cruz. Porém, temos a certeza de que com Ele venceremos todas as tribulações.

Se você está no outro lado, como um membro da família que cuida do irmão, do filho, pai, mãe, cônjuge, nora, genro ou qualquer pessoa que tenha outro grau de parentesco, saiba que é sua chance de praticar o Evangelho. No “irmão doente” você contempla o rosto de Cristo.

Na comunidade Canção Nova, aprendemos que “os irmãos enfermos são um sinal privilegiado da presença de Jesus sofredor no meio de nós” (Nossos Estatutos §67).

Superar o desafio da doença

Para vencer e superar o cansaço e a rotina, a família deve contar uns com os outros no auxílio e ajuda mútua, no cuidado com o membro enfermo. Por isso, a necessidade de diálogo e compreensão na divisão dos gastos financeiros, principalmente, na vida de oração.

Sem vida de oração e intimidade com Deus, cuidar de um membro da família que está doente torna se um peso em pouco tempo, gera murmuração. Devemos sempre nos colocar no lugar do outro e nos perguntar: “E se fosse eu o doente, o enfermo, como eu gostaria que me tratasse?

Jesus disse: “Orais uns pelos outros para que sejam curados”. Diante de uma doença, a primeira coisa a fazer é procurar um tratamento médico, mas devemos ter também a coragem de reunir a família e orar pela pessoa doente. A oração é também fonte de cura e libertação.

Papa Francisco partilhou: “Como eu queria que fôssemos capazes de ficar ao lado do doente da maneira de Jesus, com silêncio, carícia e oração!”.

Está aí o convite do nosso querido Papa: façamos o esforço de colocá-lo em prática, primeiramente em nossa casa, com os mais próximos, em nossa família. E é claro, você, que é da área da saúde e trabalha em uma clínica, hospital ou até mesmo em um asilo, torne esse desejo do Papa uma realidade.

“’Quando foi que te vimos enfermo ou na prisão e te fomos visitar?’ Responderá o Rei: ‘Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isso a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes’” (Mateus 25,39-40).

Adailton Batista - Missionário da Comunidade Canção Nova

Como fazer com que a espiritualidade se torne parte do nosso dia?

Como fazer com que a espiritualidade se torne parte do nosso dia?

Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

A espiritualidade precisar ser um exercício diário de fé e reconhecimento da presença de Jesus

Cultivar a espiritualidade ainda não faz parte do cotidiano de muitas pessoas. Pouco se compreende que esse exercício é um pilar determinante na sustentação da interioridade e de uma qualificada participação na vida social. Por isso, muitas dinâmicas estão comprometidas. Ilusoriamente, pensa-se – talvez por forças de secularismos, excesso de racionalizações ou imediatismos – que a espiritualidade é opcional, mais apropriada para alguns mais devotos. Na verdade, a espiritualidade é indispensável para sustentar a vida de todos em parâmetros qualificados. Assim, um permanente desafio é estar em sintonia com o que diz o salmista nas Sagradas Escrituras: “Desde a minha concepção me conduzistes, e no seio maternal me agasalhastes. Desde quando vim à luz vos fui entregue, desde o ventre de minha mãe sois o meu Deus”.

A humanidade, mesmo emoldurada por diferentes manifestações confessionais e religiosas, não prioriza o hábito de cultivar a espiritualidade. As consequências são o comprometimento da vida, com equívocos nos critérios que regem discernimentos e escolhas, a prevalência da mediocridade na emissão de juízos e nas iniciativas que deveriam corresponder à dignidade própria do ser humano, na sua inteireza. A cultura da dimensão espiritual no cotidiano significa reconhecer a presença de Deus no lugar que Lhe é próprio, conforme ensina o salmista, em oração: “Porque sois, ó Senhor Deus, minha esperança, em vós confio desde a minha juventude. Sois meu apoio desde antes que eu nascesse, desde o seio maternal, o meu amparo. Vosso louvor transborda nos meus lábios, cantam eles vossa glória o dia inteiro. Não me deixeis quando chegar minha velhice, não me falteis quando faltarem minhas forças. Eu, porém, sempre em vós confiarei, sempre mais aumentarei vosso louvor”.

O exercício da espiritualidade

O lado espiritual não é apenas uma parte da existência. Trata-se de alicerce para a vida, cultivado pelo desenvolvimento da competência de se contemplar, isto é, tornar-se capaz de mergulhar no sentido mais profundo de cada ser, de cada criatura, superando superficialidades. E a oração é, por excelência, a experiência do exercício da espiritualidade. Causa empobrecimento considerar a oração como um recurso de poucos, para momentos passageiros de aflições maiores. As preces possibilitam o enraizamento de si mesmo na verdade e na fonte do amor que é Deus. Tertuliano, reconhecido escritor dos primeiros anos da era cristã, destaca a força da oração, ao comentar: “nos tempos passados, a oração livrava do fogo, das feras e da fome. Agora, a oração cristã não faz descer o orvalho sobre as chamas, ou fechar a boca de leões, nem impede o sofrimento. Mas, certamente vem em auxílio dos que suportam a dor com paciência, afasta as tentações, faz cessar as perseguições, reconforta os de ânimo abatido, enche de alegria os generosos, acalma tempestades, detém ladrões, levanta os que caíram, sustenta os que vacilam e confirma os que estão de pé”.

A oração possibilita ao humano experimentar o deserto de seu próprio ser. Leva-o a reconhecer sua condição solitária e pobre, para explicitar sua dependência de Deus. O lado espiritual de cada pessoa é que lhe permite assumir e conquistar a humanidade verdadeira e integral. Na espiritualidade, cultiva-se o silêncio que faz da própria vida um ouvir determinante, gera-se a competência para o diálogo que promove a cultura do encontro e quebra, com propriedade, a rigidez da mesquinhez. A experiência espiritual qualificada é que nos permite cultivar e aproveitar os nossos dons, edificando a unidade interior básica, que permite a inteireza moral e existencial. Quando se compromete essa unidade, a conduta pessoal sofre com reflexos negativos. E o caminho da espiritualidade, que possibilita uma condição humana qualificada, não pode ser trilhado apenas com a própria força, nem mesmo unicamente com a luz da razão. Trata-se de percurso impulsionado pelo Espírito Santo, que está presente em cada um dos que cultivam a abertura para receber seus dons.

A humanidade carrega um fardo pesado por não compreender a importância de cultivar a espiritualidade. Por isso, o cidadão contemporâneo fica moralmente enfraquecido gerando os descompassos que degradam o mundo. Assim, o investimento para transformar a realidade exige, de cada um, cultivar o lado espiritual. Eis o caminho que é fonte de soluções para os muitos problemas enfrentados pela humanidade.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo - O Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, é doutor em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma, Itália) e mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico (Roma, Itália).