A Palavra de Deus

A Palavra de Deus

DOPAS

DOAÇÃO, ORAÇÃO, POBREZA, ALEGRIA E SIMPLICIDADE

6 de maio de 2020

Como aprender a rezar com Maria?









      Antes de tudo precisamos recordar que, rezar com Maria é contar com a Mulher agraciada por Deus, ou seja, estarmos unidos com Aquela que é cheia de graça. Ela teve o mérito de Deus e pela ação do Espírito Santo gerou, em seu ventre, o Salvador da humanidade, Jesus Cristo.

       Rezar com Maria é rezar com a Mãe, com a Mãe celestial, mas que viveu a vida terrena no meio de nós, que participou da vida do Seu filho Jesus, desde a concepção até a Sua subida aos céus. Ela o acompanhou em todas as fases da vida e, no momento mais difícil, na Sua agonia, Ela estava lá aos pés da cruz, viu Sua paixão e morte, esteve em Seu sepultamento e a espada traspassou o Seu coração de lastimável dor (cf.: Lc 2, 35). Mas a morte não foi o fim do Seu filho, Ela testemunhou a Sua ressurreição e, em pentecostes, reunida com os apóstolos que estavam desfalecidos e com medo, encoraja-os na fé e a perseverarem na caminhada cristã.

      Para aprender a rezar com Maria é preciso fazer memória de Sua vida terrena, pois é modelo para nós. Ela é uma mulher de fé e que ama a Deus sobre todos as coisas, Ele é único, é o centro e o sentido de Sua vida. A Sua fé é ativa e a impulsionava a buscar meios para corresponder à Sua religião hebraica. Frequentava a sinagoga, se dedicava na leitura das sagradas escrituras procurando decorar os Salmos e o profeta Isaías, pois, era na Palavra que estava a Sua esperança e vivia a feliz expectativa do cumprimento da promessa de Deus que enviaria o Salvador para libertar o Seu povo da escravidão.

Rezar com Maria é deixar-se conduzir em tudo pelo Espírito de Deus

      Rezar com Maria é ser humilde, pois a humildade é reconhecer que nada pode ser realizado sem o auxílio e graça divina. O humilde depende de Deus reconhece sua pequenez, sua incapacidade, então, se entrega totalmente à vontade de d’Ele, abandonando-se aos cuidados da Sua providência, que tem sempre o melhor para nós; é a garantia de que o que receberemos é bem melhor e maior do que os nossos planos, sonhos, vontades e desejos.
Rezar com Maria é deixar-se conduzir em tudo pelo Espírito de Deus, que nos auxilia e perscruta os corações para rezarmos como convém a Deus (cf.:Rm 8,26-27).

     Rezar com Maria é rezar a vida e, diante do que se vive cotidianamente, desenvolver uma escuta ativa a Deus que nos fala nos fatos e dos acontecimentos, sejam eles quais forem, talvez, a dor e aflição, alegria ou preocupação…
Diante dessas realidades, somos convidados a lê-los e contemplá-los à luz de Deus, ou seja, por meio da nossa visão espiritual e não humana, desse modo, veremos o verdadeiro e o real sentido desses acontecimentos. Para a contemplação e reflexão espera-se que as façam no silêncio exterior e interior, mas, se ainda houver inquietude na alma impossibilitando compreensão imediatos dos fatos ocorridos, somos convidados a dar uma resposta a Deus como Maria fez. Ela disse “Sim, faça-se em mim” (cf.:Lc 1, 38).

     Ao dizermos “sim” a Deus, significa a aceitação total da Sua vontade, num total abandono a Ele, crendo que, ao nos ter criado, não nos deixa à deriva, Ele está conosco todos os dias e para sempre (cf.: Mt 28,20). O que não é compreensível à natureza humana, assim como Maria, guardemos tudo no silêncio do coração.

Rezar com Ela é assumir a postura de intercessor

       Aprender a rezar com Maria é ter um coração em Deus e que se estende a toda a humanidade, um coração materno, maternidade espiritual que não centra em si mesmo, mas que está atenta às necessidades dos filhos e, por isso, é intercessora, ou seja, rezar com Ela é assumir a postura de intercessor. Ser intercessor como Maria é estar atento às necessidades que nos circundam no ambiente em que vivemos, onde estamos ou diante das situações que chegam até nós e até as que desconhecemos podemos, com Maria, apresentar tudo a Deus. É ter coração e ouvidos atentos à voz de Deus, e ser como uma “antena” que recebe um sinal, ou seja, é estar disponível para rezar em todo o tempo e lugar, crendo que não rezamos sozinhos, pois temos o auxílio do Espírito Santo e da Virgem Maria. Assim como Ela fez nas bodas de Caná também se antecipa diante das nossas necessidades (cf.: Jo 2,1-11).

      Maria agraciada por Deus, Ela é a Mãe das graças e, com o título de Nossa Senhora das Graças, pode nos conceder todas as que precisarmos. Rezar com Ela é ter a garantia que seremos ouvidos e atendidos na vontade de Deus. E, ao nos encontrarmos fragilizados na fé, sem forças para rezarmos e seguirmos o caminho de Cristo, nos lancemos no colo da Mãe porque Ela rezará, cuidará de nós e vai extirpar os males da nossa vida, pois a Ela foi dado o poder de nos proteger da serpente infernal (cf.: Ap 12,14).

Nilza e Gilberto Maia são casados, jornalistas e missionários de dedicação integral na Comunidade Canção Nova.

Ambos atuaram em suas próprias paróquias nas pastorais, movimentos e ações sociais. O casal viveu em Portugal por sete anos, onde realizaram a missão diretamente no Santuário de Fátima, através de transmissões diárias, para a TV, da Eucaristia e da Oração do Rosário da Capelinha das Aparições.


Nossa Senhora, mulher conduzida ao impossível


Foto ilustrativa: Andréia Britta/cancaonova.com







       Meditando sobre os mistérios do rosário, percebi como a vida de Nossa Senhora foi uma entrega ininterrupta. Quando abordada pelo anjo, prontamente disse sim; imediatamente após, por amor a Deus, foi servir à sua prima velha e grávida; depois, entregou todas as suas posses e família quando teve de fugir para o Egito. Nascendo o Menino, foi ao templo entregá-Lo, e assim aconteceu por toda a sua vida.

       Nossa Senhora entendeu corretamente que o sim que damos a Deus se renova em todos os momentos da nossa vida. Foi um eterno “Faça-se em mim segundo a tua palavra”, que, na verdade, mais que a palavra do anjo, era a Palavra de Deus, a vontade d’Ele. Fico pensando como essas palavras se parecem com as de Jesus: “Seja feita a vossa vontade!”. Também com Maria, Jesus aprendeu a Se entregar, e a oração que ensinou aos Seus discípulos, em boa parte, aprendeu-a dos lábios de Sua mãe. Maria quer nos ensinar que a sua força veio do amor, de seu grande amor pelo Senhor.

Convide Nossa Senhora

       Convide Nossa Senhora a tomar parte em sua oração, para que ela ensine você a rezar; convide-a a participar de tudo o que for fazer, e ela estará com você em seus empreendimentos e o afastará de tudo o que for mau e arriscado para a sua salvação.

       Se a tentação o assola, se a tristeza o oprime, invoque Maria! Se o medo de ser condenado ao inferno o desespera, olhe para ela, pois ela não o abandonou. Pense em Nossa Senhora, chame pelo seu nome. Que ela não se afaste de seus lábios, não se afaste de seus pensamentos e não se afaste de seu coração. Maria tudo pode quando intercede por nós junto de Deus. Não há caso de alguém que, tendo recorrido a Nossa Senhora, fosse por ela desamparado.

       São Luís Maria G. de Monfort dizia que as graças que, ao receber de Deus, depositamos em Maria não se perdem, pois ela não o permite; também diz que o Inimigo está atento, à espera de poder roubar essas graças ou mesmo de esvaziá-las. Desde que soube isso, tenho guardado em Maria os meus tesouros, tenho colocado à sua disposição os meus esforços para que ela disponha deles como quiser. Confio nela! Sei que qualquer coisa que ela fizer com os poucos méritos que eu venha a ter será sempre muito melhor do que qualquer coisa que eu faria.

      “Se o meu redentor, por causa de meus pecados, me atirasse longe de Si, lançar-me-ia aos pés de Sua Mãe e, prostrado, não me levantaria enquanto ela não me obtivesse o perdão. Ela não deixaria de fazer violência ao Coração de Jesus para que me perdoasse” (São Boaventura). Com esses fervorosos santos que descobriram o grande tesouro que é Nossa Senhora, rezemos:

      Lembrai-vos, ó piedosíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que recorrem à vossa proteção, imploram vossa assistência, reclamam vosso socorro, fosse por vós desamparado. Animado, eu, com igual confiança, a vós, Virgem entre todas singular, como Mãe recorro; de vós me valho e, gemendo sob o peso dos meus pecados, me prostro aos vossos pés. Não desprezeis as minhas súplicas, ó mãe do Filho de Deus humanado, mas dignai-vos de as ouvir propícia e de me alcançar o que vos rogo. Amém.
(São Bernardo)

Texto extraído do livro “Quando só Deus é a resposta”.

Márcio Mendes
Nascido em Brasília, em 1974, é casado e pai de dois filhos. Ex-cadete da Academia da Força Área Brasileira, Mendes é missionário da Comunidade Canção Nova, desde 1994, onde atua em áreas ligadas à comunicação. 

1 de maio de 2020

Como manter a sintonia do relacionamento

Foto ilustrativa: Daniel Mafra/cancaonova.com








        Em todo relacionamento existe o desejo de felicidade recíproca, de plenitude e satisfação. Viver e conviver bem com outra pessoa, em equilíbrio e amor, é algo bem próximo da perfeição. Claro que, a perfeição total num relacionamento não existe, pois estamos falando de seres humanos os quais têm suas fraquezas, seus erros e imperfeições. Porém, buscar em comum a felicidade, de forma serena, pode ser uma forma de perceber sintonia na relação. Essa sintonia é alimentada com o respeito, conversa, compreensão, confiança e inovação constante que regam qualquer relação.

       No início de qualquer relacionamento, a tendência do casal é querer ficar juntos o máximo de tempo possível. Mas com o passar do tempo, essa vontade pode ir diminuindo e a rotina do relacionamento aparece. Geralmente, acabam dizendo que o relacionamento esfriou e se acomodam, achando isso faz parte do relacionamento, além de ser inevitável. Conseguimos identificar que: o relacionamento esfria quando o casal demonstra uma falta de vontade de realizar atividades que costumeiramente sempre faziam.

      A falta de diálogo, a falta de tolerância na aceitação do outro e pequenas brigas podem ser sinais de que o casamento ou o namoro tenham caído na rotina. É normal. Acontece. Mas pode ser mudado! Porque toda planta que não é regada, ela seca e morre lentamente. Então, é preciso salvar a planta. Trocar o vaso, a terra, colocar adubo, trocar de lugar, quem sabe mais sol ou mais sombra. É necessário estar atento às necessidades dela e agir para que a plantinha do relacionamento se salve; perdure; dê sombra, flores e frutos.

Dicas para manter a sintonia mesmo depois de algum tempo

     O diálogo e a confiança são essenciais para evitarem as brigas e o desgaste dentro do relacionamento. Se o casal não conversa, não conseguirá manter um vínculo de cumplicidade e de confiança para resolverem problemas. Conversar sempre com seu(sua) parceiro(a); demonstrar que se interessa por ele(a) e se preocupa, faz com que ele(a), sempre tenha o interesse de compartilhar as novidades. Desde o começo do namoro, é necessário que o casal estabeleça uma rotina de conversa, confidenciando suas alegrias e tristezas para que, cada um, saiba que pode confiar e ter o apoio do outro quando for necessário.

Existem muitas dicas importantes e simples de serem seguidas, a fim de não deixarem o relacionamento envelhecer, são elas:

– Manter o diálogo;

– Desenvolver alguma atividade junto com o companheiro;

– Aprender a rir dos próprios defeitos e dos defeitos do outro;

– Não impor, mas respeitar a opinião do parceiro (a);

– Preservar os momentos de intimidade do casal;

– Ter um espaço individual, por exemplo, praticar uma atividade como esporte, arte, ir à manicure, jogar uma bola etc.;

– Expor a sua opinião;

– Fazer planos juntos.

      Algumas atitudes surpresas, sem precisarem de datas especiais, também são importantes. Elas acabam trazendo satisfação pessoal para quem as praticam. Por exemplo, presentear a pessoa que você ama: não precisa ser nada de
valor, apenas demostre que fez aquele gesto, aquela surpresa pensando nele(a).

    Sempre se arrume para sair com o seu namorado(a) ou marido, esposa. Sempre! Pois isso mostra que você se preocupa com sua aparência. Mesmo que há algum tempo seja casada(o) ou esteja namorando, ter a sua vaidade é importante, como também é importante querer se produzir para ele(a), assim como era no início do namoro.

     Entre outras coisas, procure realizar passeios, atividades para que, assim, a rotina sempre mude. Desse modo, vocês poderão aproveitar momentos descontraídos juntos. Essas são dicas que ajudam a manter a leveza do relacionamento do casal. Estejam cientes de que poderão passar tranquilamente por qualquer dificuldade na relação, se mantiverem a sintonia e a chama sempre acesas, ou seja, com a planta sempre regada, o relacionamento fica fortalecido.

Paulo Victor e Letícia Dias
Cirurgião-dentista de formação, Paulo Victor foi membro da Comunidade Canção Nova como apresentador, locutor e radialista. 

Letícia Dias 
é Gerente de Conteúdo e estudante de Letras/Libras com foco na Educação Especial. Foi membro da Comunidade Canção Nova como apresentadora de programas. 

Descubra-se, apoie-se e impulsione sua vida 






Ninguém é otimista porque não tem problemas, mas avança para impulsionar a vida

       No dia a dia é comum observarmos coisas boas e ruins acontecendo a nossa volta a todo instante. Com isso, sentimentos diversos são despertados em nosso interior. Se não estivermos atentos, acabamos sendo levados por eles de um lado para o outro. Isto pode até nos distanciar da felicidade que tanto buscamos. É fácil perceber que existem pessoas de bem com a vida e que conseguem se adaptar de maneira rápida às situações adversas, enquanto outras param diante dos desafios por simples que sejam e não conseguem avançar. Geralmente admiramos as pessoas do primeiro grupo, e até nos perguntamos de onde vem esta força para sorrirem, mesmo quando o mundo parece desabar?

Qual o segredo para sorrirem quando tudo parece desabar?

       Segundo especialistas, o segredo está na satisfação com a vida. Ninguém é otimista porque não tem problemas, mas porque tem uma visão positiva em relação às dificuldades. Portanto, aprender a ver o lado bom dos acontecimentos e a ser grato pelo que tem, é a melhor receita para ser feliz. Por outro lado, ficar pensando no que poderia ser mas não foi, e de cara fechada porque não é amado o quanto gostaria de ser, não vai resolver o problema e provavelmente vai até piorar a situação. A propósito, já está provado, que quanto mais uma pessoa tenta chamar a atenção por lamúrias, mais afasta de si as outras pessoas. Afinal quem é que gosta de ficar ao lado de alguém que só reclama?

Que postura tomar?

      Também não se trata de viver fora da realidade. A questão é a postura que se toma diante dos desafios que a vida proporciona. A jarra meio vazia para uns, é meio cheia para outros. Depende dos olhos que a enxerga, e os olhos veem de acordo com o que o coração sente.

      É por isso que, se quisermos encontrar satisfação na vida e passarmos do vitimismo para realização. É preciso treinar o coração para tomar decisões, ter força de vontade e acima de tudo fazer escolhas. Isso mesmo! Ser feliz passa por fazer escolhas concretas como, por exemplo, acordar cedo em vez de ficar mais alguns míseros minutos na cama e se atrasar ao ponto de ficar o resto do dia com mau humor. A escolha para quem quer mudar de vida será: levantar na hora certa, com boa disposição e fazer tudo com calma, inclusive cumprimentar e sorrir para as pessoas. Aliás, poucas coisas nos fazem tão bem como um sorriso sincero! E saber que custa tão pouco! Experimente hoje sorrir mais e cultivar a alegria. Deixe de lado as queixas e verá o quanto isso lhe fará bem!

       Talvez você não possa mudar as situações, mas quando faz opção pela alegria, altera totalmente a maneira como lida com elas. E não precisa ficar procurando razões especiais para ser alegre. Faça acontecer a felicidade na simplicidade do seu dia a dia. Experimente caminhar em um parque, cuidar de plantas, cozinhar, pintar. Dedique-se às pessoas. Preste atenção naqueles que estão ao seu lado, demonstre interesse por quem vem ao seu encontro. Esteja disposto a estender a mão, ouvir, elogiar, ser presença, amar. Você ficará surpreso com o quanto isso lhe causará felicidade. Em outras palavras: quer ser feliz? Saia do comodismo!

Qual é a melhor escolha?

   Dizem que existem duas principais escolhas que precisamos fazer na vida: aceitar a condição em que nos encontramos, ou aceitarmos a responsabilidade que teremos de mudá-la daqui pra frente. Ou seja, a felicidade que você deseja alcançar e o rumo novo que quer dar para a sua vida, estão ao seu alcance, só dependem de suas escolhas.

Dijanira Silva
Missionária da Comunidade Canção Nova, desde 1997, Djanira reside na missão de São Paulo, onde atua nos meios de comunicação. Diariamente, apresenta programas na Rádio América CN. Às sextas-feiras, está à frente do programa “Florescer”, que apresenta às 18h30 na TV Canção Nova. 

Saber viver o sofrimento a exemplo de Cristo e São Paulo


Foto Ilustrativa: Andréia Britta/cancaonova.com








O sofrimento de Cristo

      Ninguém gosta de sofrer e poucos conseguem perceber que o sofrimento é redentor. Para perceber que existe um mistério salvífico no sofrer basta que olhemos como Cristo viveu o seu sofrimento. A Cruz foi para Cristo a coroação do seu sofrimento e o ápice de toda a paixão salvadora.  Durante as dificuldades e sofrimentos da vida, muitos se perguntam “por que eu estou passando por este sofrimento?”

      A resposta para essa pergunta é complexa, porém podemos buscar nos dois grandes exemplos encontrados nos relatos bíblicos, Jesus e São Paulo. Primeiro, Cristo sofre por um fim, existe uma finalidade no padecimento do Senhor. Segundo, o apóstolo São Paulo sabiamente configura-se a Cristo e utiliza dos seus sofrimentos para assemelhar-se mais ainda. Essas duas grandes figuras de maneira geral tem muito a nos ensinar, principalmente quando se fala de dor e sofrimento.

As dores de Cristo

        O livro de Is 53,3-4 quando escreve sobre o Servo sofredor, figura essa que a igreja identifica a prefiguração de Cristo. O relato bíblico é o seguinte: “Era o mais desprezado e abandonado de todos, homem do sofrimento, experimentado na dor, indivíduo de quem a gente desvia o olhar, repelente, dele nem tomamos conhecimento. Eram na verdade os nossos sofrimentos que ele carregava, eram as nossas dores, que levava às costas”.

        Esse trecho do livro de Isaías, retrata o motivo pelo qual Cristo padeceu. Foi para nos livrar das nossas dores, para reparar o erro cometido por nós. Você pode se perguntar e por que ainda sofremos? As ações de Jesus tem sempre um teor de eternidade, por isso, o padecimento de Cristo livrou-nos não do que é passageiro, mas do que é definitivo, ou seja, livrou-nos do sofrimento eterno muito mais do que o sofrimento passageiro.

        A Cruz ao mesmo tempo que retrata a dor e a morte do Senhor, significa ao mesmo tempo sinal de redenção. O que para os judeus era escândalo e para os pagãos loucura, para nós cristãos é sinal de salvação e da glória de Cristo. O Senhor transforma todas as coisas, até mesmo o antigo sentido da cruz que agora torna-se novo com a manifestação de Jesus.

Os sofrimentos de Paulo

      O apóstolo São Paulo começa a Carta aos Colossenses com uma declaração que ao olhar humano pode ser insana: “Alegro-me nos sofrimentos que tenho suportado por vós e completo, na minha carne, o que falta às tribulações de Cristo em favor do seu corpo que é a Igreja” (Cl 1,24). São Paulo não se alegra por ter recebido a liberdade da prisão, por ter recebido o “título” de apóstolo, ou por ser reconhecido pelas pessoas, mas ele se alegra por sofrer. Sim, São Paulo deixa explicitamente que a sua alegria é suportar os sofrimentos e ainda completar o que falta a Cristo.

    O apóstolo não é nenhum tipo de masoquista ou alguém que busca o sofrimento pelo sofrimento, mas assim como Cristo, ele o faz por um sentido. São Paulo sabe que ele pode tirar proveito do que a vida o proporcionou viver, não um proveito pessoal, mas como ele mesmo disse: em favor do corpo de Cristo que é a Igreja. Ele ainda coloca numa progressão geométrica do sofrimento, pois à medida que crescem os sofrimentos de Cristo para nós, cresce também a nossa consolação por Cristo, eis aí o ângulo pelo qual os cristãos entendem o sentido do padecer. O sofrimento tem a condição de fazer crescer o conforto do homem em Cristo.

O meu sofrimento

    O Senhor concede aos homens contribuírem com a humanidade sendo cooperadores de Deus e de seu Reino. O Catecismo da Igreja Católica no n° 307 diz: “os homens podem entrar deliberadamente no plano divino, por suas ações, por suas orações, mas também por seus sofrimentos”. Partindo deste parágrafo do Catecismo e por meio do sacramento do  Batismo, o cristão é convidado a ser outro Cristo assemelhando-se a Ele. Desta forma, a semelhança não pode ser pela metade, ou naquilo que nos convém, mas em tudo, até nas dores.

       Precisamos utilizar dos nossos sofrimentos para remir as culpas obtidas pelos nossos pecados. A sabedoria que são Paulo expressou na Carta aos Romanos 8,18 é de certa forma reconfortante e nos promete uma recompensa sem medidas, impulsionando-nos a bem viver as dores que padecemos: “Considero que os nossos sofrimentos atuais não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada”. Sabemos que somos peregrinos neste mundo, estamos de passagem e não há porque nos apegarmos desejando aqui nesta vida eternidade, porque a eternidade está na glória de Cristo. A nossa espera deve ser na glória futura, no que Deus ainda tem reservado para os fiéis.

     Foi por consequência da obra salvífica de Cristo da qual o sofrimento faz parte, que o homem passou a ter esperança da vida e da santidade. A linguagem da cruz quer nos comunicar um sentido que só poderá ser entendido se olhado pelas chagas abertas de Cristo, pelas quais o ser humano é salvo. Aprendamos com São Paulo e com Nosso Senhor Jesus Cristo a dar sempre sentido as dores e dificuldades que passamos, pois os insensatos murmuram dos sofrimentos e os sábios tiram proveito para a contribuição na obra de Cristo.

Fábio Nunes
Natural de Fortaleza (CE), é missionário da Comunidade Canção Nova e candidato às Ordens Sacras.  Atua no Departamento de Internet da Canção Nova, no Santuário do Pai das Misericórdias e nos Confessionários.

Como é ser gerado no ventre de Maria?


Precisamos ser gerados no ventre de Maria para curar nossas feridas

    Benditos e benditas de Deus Pai, o Evangelho de Lucas 1,26-38 traz a anunciação de Jesus. O anjo que visita a Virgem Maria chama-a de ‘Ave, Cheia de Graça!’ e diz a ela: “O Senhor é contigo”. O anjo recomenda que ela não tenha nada de temor, porque ela conceberá pelo poder do Espírito Santo.

    Do ventre de Maria nasce a graça, a graça de nascer sem a mancha do pecado, ou seja, livre de toda doença, seja do ventre materno ou dos nossos antepassados. Isso é importante para que possamos entender como é necessário nascermos do ventre de Maria.

        A alma é criada por Deus no momento da concepção. Então, o homem tem duas origens: uma de Deus e outra do homem. Esta última é marcada pelo pecado original, fonte de todo sofrimento e morte; e aqui começa um grande problema, por isso precisamos nascer do ventre de Maria como Cristo. Ele é a nossa felicidade; Ele é a nossa cura.

As feridas que trazemos

       Do ventre da nossa mãe nós trazemos algumas feridas, e a primeira ferida é a do nada.

        No livro de Tobias, vemos que as crianças deveriam ser concebidas na oração e com a intenção de querer a vida. Hoje, não mais pedimos ou desejamos as crianças, elas se tornam “acidentes”; então, começa uma grande tragédia, pois quem não é concebido no amor será ferido no seu ser.

        Nascer por causa de muitos erros, por falta de precaução, cálculos errados… Tudo isso leva a uma vida sem razão. Essas pessoas têm em si a ferida de rejeitar a vida, de sentir-se um fardo onde estão, e se perguntam por que estão neste mundo.

        A segunda ferida é a do vazio, onde as pessoas se sentem perdidas, não têm pontos referências, trazem angústias de lugares grandes, não conseguem se relacionar, porque sentem um vazio existencial.

       Esse vazio pode acontecer por várias maneiras, até onde a concepção foi fruto de uma violência ou egoísmo do homem. Pode acontecer também quando a mãe não aceita a criança ou quando ela é afastada da criança ainda prematura, cortando essa relação.

       Assim, nós somos curados quando temos um relacionamento, um contato com Deus no ventre de Maria, pois lá encontramos paz, encontramos a razão da nossa vida, que preenche todo vazio.

        A ferida de morte é a terceira ferida, que acontece quando a gravidez se dá após um aborto, procurado ou espontâneo. O ventre da mãe ainda é cheio de morte, e essa ferida cria um desejo de não viver, uma tendência a tudo que diz de morte.

         A quarta ferida que nos leva a nascer de novo do ventre de Maria é a ferida da vergonha, que nasce de um sentimento que os pais têm quando se envergonham dos filhos por não serem o que eles pensam. Para isso, temos de criar a consciência de que somos planos de Deus, seus filhos dignos.

       A quinta ferida é a ferida da captação, e nessa ferida a vida é desejada, mas apenas para ser um troféu. Assim, a pessoa nasce querendo compensar a falta afetiva, e nunca tem paz nessas compensações.

         Outra ferida que também nos leva a buscar um novo nascimento em Maria é a da programação. Esta acontece quando a criança nasce diferente daquilo que os pais planejaram.

        Para sermos curados dessas feridas, rezamos a Maria para que ela possa nos gerar novamente, porque do ventre de Nossa Senhora só vem a graça bendita, redentora e restauradora do poder de ter gerado a salvação para toda a humanidade.

Quero rezar por você:

Ironi Spuldaro
É Membro do CAE (Comissão de Ação Evangelizadora) da diocese de Guarapuava. Membro do conselho diocesano, estadual e nacional da RCC (Renovação Carismática Católica)  Fundador da Missão Há Poder de Deus, escritor e apresentador do Programa Há Poder de Deus.