A Palavra de Deus

A Palavra de Deus

DOPAS

DOAÇÃO, ORAÇÃO, POBREZA, ALEGRIA E SIMPLICIDADE

12 de agosto de 2015

Alimentação e oração caminham juntas?


Alimentação e oração caminham juntas?

Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com
Com a falta de alimentação e oração, passamos a ser desnutridos espiritual e fisicamente

O nosso corpo é formado por um conjunto de órgãos e tecidos, porém, muitas vezes, esquecemo-nos de que somos dotados também de alma e espírito. Para um bom funcionamento do nosso organismo físico, assim como para nossa saúde espiritual, é necessário que aconteça o equilíbrio entre essas partes. Elas precisam se comunicar de forma saudável e equilibrada.

O primeiro ponto importante para refletirmos é como um corpo mal nutrido pode corresponder também a uma alma que não é nutrida por Deus.

Estar bem nutrido é dar as doses certas de nutrientes em quantidade e qualidade para o corpo. E não basta dar apenas proteínas ou só vitaminas, porque as carências alimentares vão aparecer e, junto com elas, consequentemente, as doenças.

Na nossa vida espiritual, se não nos alimentarmos pela oração, se não soubermos buscar o “alimento” certo e em quantidade certa, seremos desnutridos espiritualmente e ficaremos com a alma doente.

Na Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Jesus, neste ano, o Papa Francisco nos falou, em sua homilia, sobre o verdadeiro alimento que sacia a alma: “Se olharmos ao nosso redor, daremos conta de que existem tantas ofertas de alimento que não vêm do Senhor, mas, aparentemente, satisfazem mais. Alguns se nutrem de dinheiro, outros de sucesso e vaidade; há ainda os que se alimentam de poder e orgulho. No entanto, a comida que nos alimenta verdadeiramente e que nos sacia é somente aquela que nos dá o Senhor! O alimento que Ele nos oferece é diferente dos outros, e talvez não nos pareça saboroso como certas iguarias que nos oferece o mundo.”

Outro ponto importante que podemos refletir é que para cumprirmos bem nosso trabalho e missão, é necessário ter o vigor e o ânimo que os alimentos nos trazem. Vemos isso na Palavra de Deus quando Elias, fugindo, sentiu-se desfalecer de fraqueza; então, o anjo o chamou e alimentou, enviando-o novamente para a missão.

“E o anjo do Senhor tornou uma segunda vez, tocou-o e disse: ‘Levanta-te e come, porque te será muito longo o caminho’. Levantou-se, pois, e comeu e bebeu; e com a força daquela comida caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus” (1 Reis 19,7-8).

Vale lembrar que a privação de determinados alimentos parcial ou completa, como uma forma de se relacionar com Deus – prática do jejum –, não pode ser entendida apenas como uma via natural e explicável, pois aí temos toda uma mística, uma ação sobrenatural de Deus no corpo do homem.

Vemos na história de vários santos que muitos se alimentavam apenas com a Eucaristia, e ela os sustentava de forma completa, no que diz respeito também ao seu sustento físico. Santa Catarina de Sena, por exemplo, desde a idade de 20 anos, só se alimentava com a Sagrada Eucaristia. Dessa forma, podemos perceber verdadeiramente que os mistérios de Deus na vida do homem vão muito mais além do que aquilo que podemos explicar de forma fisiológica. Por isso, podemos dizer que a alimentação e a oração caminham juntos: alimentos do corpo e alimentos da alma. Nós rezamos também com o nosso corpo!
Cristiane Zandim -  É missionária na comunidade Canção Nova desde 2011. 

4 de agosto de 2015

Onde se encontram as vocações presentes na Igreja


Onde se encontram as vocações presentes na Igreja

A palavra vocação adquire um significado específico quando se trata de uma vocação especial

“A razão mais sublime da dignidade do homem consiste na sua vocação à união com Deus.
É desde o começo da sua existência que o homem é convidado a dialogar com Deus: pois, se existe, é só porque, criado por Deus por amor, é por Ele por amor constantemente conservado; nem pode viver plenamente segundo a verdade, se não reconhecer livremente esse amor e se entregar ao seu Criador. Porém, muitos dos nossos contemporâneos não atendem a esta íntima e vital ligação a Deus, ou até a rejeitam explicitamente; de tal maneira que o ateísmo deve ser considerado entre os fatos mais graves do tempo atual e submetido a atento exame” (Gaudium et Spes, 19).

“Vocação” tem assim um significado muito amplo e se aplica a toda a humanidade, chamada à salvação cristã. Entretanto, “vocação” se realiza em atitudes e deveres particulares que determinam a escolha que cada pessoa faz para dar à própria vida um sentido ideal: cada estado de vida, cada profissão, cada dedicação aos outros pode ser caracterizada como vocação, que lhe dá uma dignidade superior e um valor transcendente. Mas a palavra vocação adquire um significado específico quando se trata de uma vocação especial, que vem de Deus diretamente, como um raio fulgurante de luz que ilumina o mais profundo da consciência humana e se expressa numa entrega total da vida ao amor de Deus, que depois se desdobra no amor e no serviço ao próximo. Trata-se de um fato tão sagrado que exige uma atenção especial da Igreja, justamente pelo valor da “pérola preciosa” (Mt 13, 46) que aí se expressa (Cf. Beato Paulo VI, Mensagem para a Jornada Mundial de Orações pelas vocações, 1967).

Mais ainda. A Igreja não vive sem pessoas que se dediquem à evangelização. “De fato, ‘todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo’. Ora, como invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele que não ouviram? E como o ouvirão, se ninguém o proclamar? E como o proclamarão, se não houver enviados? Assim é que está escrito: ‘Bem vindos os pés dos que anunciam boas novas!'” (Rm 10, 13-15). E aqui está o desafio, pois a Igreja não organiza uma rede de propagandistas profissionais, mas envia homens e mulheres livres e voluntários, seguidores de Cristo que lhe dão tudo o que são e o que têm, com todos os riscos que este seguimento comporta. Com que alegria meu olhar se dirige a tantos jovens, rapazes e moças, que têm acolhido o chamado de Deus a esta radicalidade de vida!

Mas onde se encontram tais pessoas? Onde encontrar mais gente que se dedique ao anúncio do Evangelho? “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para sua colheita!” (Mt 9, 37-38). Um assunto tão delicado foi confiado por Deus a nós e à nossa oração! Ele quer depender justamente de nós para que as vocações de especial consagração a ele e ao seu Reino sejam despertadas e cultivadas na Igreja. Imensa bondade e confiança indescritível na responsabilidade das pessoas e das comunidades cristãs. Aqui nasce o primeiro apelo para o mês de agosto, dedicado às vocações. Se são importantes todos os estados de vida na Igreja, desta feita nos permitimos voltar nosso olhar de modo especial à consagração específica de dedicação exclusiva à Igreja e ao Reino de Deus.

Onde se encontram estas pessoas? Em nossas Paróquias e Comunidades. Durante o mês dedicado às vocações, chegue minha palavra aos sacerdotes, especialmente os que têm a cura pastoral nas Paróquias. Chamem e o façam de modo bem claro e explícito, pois as vocações estão presentes na Igreja. O que falta é trato, carinho, cuidado atencioso. Proponho que todos os padres e em todas as missas, especialmente aos domingos, durante o mês de agosto, convoquem para o seguimento de Jesus crianças, adolescentes e jovens, para a vida sacerdotal, religiosa, missionária e para as novas formas de dedicação à Igreja. Depois, queira Deus que sejam procurados pelas vocações assim despertadas e dediquem tempo para acompanhá-las.

Onde se encontram tais pessoas? Sem dúvida alguma nas famílias! Peço aos pais e mães que perguntem com liberdade e força aos seus filhos e filhas sobre “vocação”. E tenham a coragem de abrir-lhes o horizonte, dizendo que ser consagrado a Deus é um caminho de grande felicidade! Tenho a certeza de que existem vocações escondidas, quais pedras preciosas, que aguardam pais e mães capazes de as cultivarem com carinho e oração.

Onde se encontram tais pessoas? São crianças, adolescentes e jovens aos quais chegam estas palavras, destinadas a abrir o mês vocacional. É você que já sentiu um apelo irresistível pela entrega total da vida a Deus. Pode ser que o ambiente da sociedade não lhe favoreça responder positivamente, mas muito maior do que todos os ventos que correm é a voz de Deus que lhe diz ser este o seu lugar, na dedicação total a ele e ao seu Reino, no coração da Igreja.

Onde se entram tais pessoas? No coração de Deus! Por isso, proponho às famílias e às Paróquias rezarem durante o mês de agosto uma das mais belas e conhecidas orações pelas vocações:

“Senhor da messe e pastor do rebanho, faz ressoar em nossos ouvidos teu forte e suave convite: ‘Vem e segue-me’! Derrama sobre nós o teu Espírito, que Ele nos dê sabedoria para ver o caminho e generosidade para seguir tua voz. Senhor, que a messe não se perca por falta de operários. Desperta nossas comunidades para a missão. Ensina nossa vida a ser serviço. Fortalece os que querem dedicar-se ao Reino, na vida consagrada e religiosa. Senhor, que o rebanho não pereça por falta de pastores. Sustenta a fidelidade de nossos bispos, padres e ministros. Dá perseverança a nossos seminaristas. Desperta o coração de nossos jovens para o ministério pastoral em tua Igreja. Senhor da messe e pastor do rebanho, chama-nos para o serviço de teu povo. Maria, Mãe da Igreja, modelo dos servidores do Evangelho, ajuda-nos a responder SIM. Amém”.
Dom Alberto Taveira Corrêa - Arcebispo da Arquidiocese de Belém – PA.

Sou padre e feliz


Sou padre e feliz

Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com
O sacerdócio é um caminho de realização e felicidade, por isso sou padre e sou feliz

Certa ocasião, Jesus estava falando sobre as verdades do Reino de Deus para os seus discípulos. Ele dizia que era preciso renunciar, aceitar os desafios e enfrentar a cruz. Em Suas palavras, explicava valores eternos como a ternura, a sensibilidade para com os pobres, a simplicidade e a fidelidade. De repente, o atrevido Pedro tomou a palavra e perguntou: “Eis que deixamos tudo para te seguir. Que haverá então para nós?”. Jesus respondeu: “Todo aquele que por minha causa deixar irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos, terras ou casa receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna” (Mt 19,27-29).

Isso tem a ver com a Ladainha da Felicidade que Jesus pronunciou no conhecido Sermão da Montanha: “Felizes os pobres, porque deles é o céu; felizes os que choram, porque serão consolados; felizes os mansos, porque possuirão a terra […]; felizes sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.” (Mt 5,1-12). Deixar tudo para seguir Jesus não é um caminho de frustração e tristeza, mas de realização e felicidade. Por isso, sou padre e sou feliz.

Jesus prometeu aos Seus seguidores a felicidade já na terra e a garantia de um lugar no céu. Isso nos deixa totalmente seguros e felizes. Mas atenção! O mestre de Nazaré não vendeu um pacote de ilusões. Ele avisou – como disse o poeta – que, no meio da caminho, haveria uma pedra: “Em verdade vos digo: ninguém há que tenha deixado casa ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras por causa de mim e por causa do Evangelho que não receba, já neste século, cem vezes mais casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras, com perseguições e no século vindouro a vida eterna” (Mc 10,29-31).

A vida do sacerdote é um caminho de felicidade entre riscos. O profeta tem que estar preparado para colher os frutos de sua profecia. Podem ser elogios ou críticas; admiração ou incompreensão. Se o padre vai à casa das pessoas, muitos dirão que é popular; outros dirão que é populista, vive passeando, escolhe as pessoas etc. Se o padre é mais místico e prefere ficar na casa paroquial em oração e estudo, dirão que é antissocial. Se faz um sermão mais social, dirão que é metido em política. Se a homilia é mais espiritual, alguém dirá que ele é alienado. Se é zeloso com a liturgia, haverá quem o critique por ritualismo. Se é criativo, dirão que não prepara seus sermões. Se fala o básico, alguém dirá o mesmo: não prepara seus sermões.

Nem Jesus agradou a todos. João Batista era um profeta dedicado à ascese e foi criticado como antissocial e possesso por um demônio. Jesus ia à casa das pessoas e comia do que Lhe ofereciam. Foi chamado de guloso e beberrão (cf. Mt 11,18-19). Não tem jeito. O coração maldoso das pessoas teima em criticar quem faz o bem. O padre, no entanto, não toma como parâmetro as palavras malditas. A sua referência é a promessa das palavras benditas de Jesus. Ser padre traz imensa felicidade nesta terra e a certeza de que o meu lugar é o céu.

Tenho muitos irmãos sacerdotes que são criticados injustamente. Nenhum deles é perfeito, mas vivem o que é possível da sua vocação. Cheguei à conclusão de que ninguém joga pedras em uma árvore sem frutos. Os sacerdotes mais criticados normalmente são os que mais frutificam. Continuamos nosso caminho apesar desses rumores. Ser padre sempre passou pela cruz e pela renúncia, mas posso lhe garantir: é muito bom! Sou padre e sou feliz.
Padre Joãozinho, SCJ - Padre da Congregação do Sagrado Coração de Jesus (Dehonianos), 

A influência dos avós na educação dos netos


A influência dos avós na educação dos netos

Daniel Mafra/cancaonova.com

Hoje, os avós têm um papel importante na educação dos netos diante da realidade dos pais trabalharem fora 

Aqui em casa há uma placa que ganhei da minha irmã: “Na casa dos avós tudo pode”. No início pensei que seria deseducador, mas, com o tempo, senti que os meus netos se sentiam orgulhosos com o grau da sua importância para nós. Tudo pode quando eles vêm apenas para passear e não temos a função de educá-los; justamente por isso, fica fácil ser conselheiro, companheiro e contribuir para o desenvolvimento emocional e espiritual. O “domingo” para os netos é dia de diversão, quando podem experimentar e misturar alimentos, tais como batata com leite condensado e comer apenas arroz, porque é o que gostam, mas sem valor nutritivo.

Num mundo conturbado, onde os pais precisam trabalhar para garantir o “melhor” para seus filhos, muitos avós assumem a responsabilidade de ficar com os netos durante a jornada de trabalho de seus filhos.

O tempo de convivência diária e o tipo de relação definem a forma de relacionamento. A responsabilidade cotidiana tem uma forma de tratamento diferente de quem ajuda temporariamente, porque, nesses casos, os avós assumem o papel de educadores. É preciso também ter regras diferentes, para os casos de apoio enquanto os pais trabalham ou quando os avós assumem integralmente a responsabilidade parenteral, em caso de morte ou abandono dos pais.

Para os avós, os efeitos positivos dessa convivência é que rejuvenescem, sentem-se alegres, reencontram sua utilidade e objetivos de vida. Os efeitos negativos aparecem quando se sentem explorados e sobrecarregados física e economicamente. Em alguns casos, os conflitos entre modelos educacionais causam crises entre os pais e avós, que requer um diálogo para definir as bases da educação.

Para estudar ou trabalhar, deixar os filhos com pessoas que confiam, com laços de parentesco e de amor, propicia tranquilidade na maioria dos casos. Os impactos negativos surgem quando as culturas das famílias são muito diferentes e conflitantes ou por imaturidade dos avós que querem competir com os pais pelo amor da criança.

As crianças são beneficiadas, porque convivem com gerações diferentes, aprendem a valorizar os idosos, mantém o sentimento de pertença familiar, sentem facilidade de negociação com os avós, pois teoricamente pela idade já estão mais maduros para definirem as prioridades do que podem ceder ou não. Os estudos mostram que os avós, mesmo que não possuam formação escolar adequada, fornecessem valores sólidos, apoio emocional e se esforçam para garantir a felicidade dos netos, o que impacta positivamente na vida escolar e afetiva deles. Por outro lado, é preciso um alerta para não ter uma educação permissiva, conflitiva, mimada ou de compensação pela falta dos pais.

Quando os avós dividem com os pais a responsabilidade pela educação, alguns cuidados precisam ser tomados, tais como, definir em conjunto a rotina infantil, respeitar os princípios educacionais dos pais, não criticar os pais diante das crianças. Alguns pais se preocupam se os avós podem deseducar netos, a resposta é sim quando: eles não cumprem o seu papel de pais, os avós discordam e agem diferente dos princípios dos pais e estes não encontram disponibilidade de tempo para introjetar os valores e comportamentos que acreditam serem certos.

Em síntese, nesta convivência entre avós e netos, a família pode se beneficiar se as crianças percebem os pais como responsáveis pela educação e o acolhimento, e os avós como apoiadores que oferecem carinho. Entretanto, pode ser prejudicada quando, nesta relação, existe conflito de papéis e princípios, disputa de poder e falta de amor. É preciso discernimento para os avós estarem perto quando precisam e longe quando pais e filhos estão num momento que pertence só a eles. Ou seja, aquilo que ficar combinado num diálogo franco terá de ser cumprido para não sair caro para a família no final.
Ângela Abdo - É coordenadora do grupo de mães que oram pelos filhos da Paróquia São Camilo de Léllis (ES) 

Principais sintomas da hiperatividade


Principais sintomas da hiperatividade

Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

É importante ter clareza sobre as características da hiperatividade

Eta, menino sapeca! Esse menino não para quieto; tudo o que começa, ele larga! Só Deus!
Que pena você não ter pensado assim antes sobre o comportamento de seu filho, por isso demorou tanto para ver o que lhe faltava, para que ele pudesse se sentir uma criança socialmente saudável e feliz com ele mesmo! Mas como dizem os jovens, “a ficha caiu”. Vamos lá, então, discernir o que está acontecendo com as crianças de hoje. Creio que elas estejam sendo vítimas de um sistema bruto, carentes de atenção, de ensinamentos domésticos, reforços positivos e extremamente exigentes.

As crianças não sabem mais quem elas são, onde estão e para onde estão levando a sua infância. Ora as pessoas as vestem como adultos, ora as tratam como bebês. Mas nunca somente como crianças. E quem são essas crianças às quais estamos nos referindo? Esperamos que sejam crianças que brincam, choram, fazem birra, perguntam, falam e argumentam, que têm direitos e deveres. Dificilmente elas sabem onde estão: se na casa dos pais, se na casa dos avós ou na escola. Enfim, onde tiver gente para tomar conta, parece-me que ali elas vão estar. Para onde elas vão? Aí está o X do problema. Ops, o X do texto.

Para onde as crianças deste mundo contemporâneo estão indo? Algumas para a academia, outras para o ballet ou inglês; e como se fosse pouco, vão também para o apoio pedagógico, isso é, antiga banca, um lugar para fazer o dever de casa. Já outras vão para os consultórios de psicologia ou, quem sabe, neurologistas em busca de receitas para ficarem mais quietas e concentradas.

Há crianças que vão para psiquiatras infantis por não suportarem suas próprias ansiedades. Há também aqueles meninos e meninas, talvez poucos, que vão para área livre de suas casas, para correr de bicicleta, brincar de bonecas ou de super-heróis, fazer comidinha de mentirinha e cantar parabéns para o aniversário da Barbie, imitar a professora e brincar de escola, cair, levantar, ralar os joelhos, viver sem antecipação…

Que maravilha se todas as crianças fossem, desde o início da sua infância, para um território que se chama “brincar”! A ausência de oportunidades próprias para infância, nos tempos modernos, tem produzido comportamentos infantis intolerantes, birrentos, impacientes e, muitas vezes, insatisfeitos. Crianças que reclamam de tudo, de tudo o que têm e de tudo o que não têm.

O bom sempre é o desnecessário e o necessário sempre é o ruim. Acabam por serem afetadas negativamente pelo ambiente e, por consequência, afetam o mesmo. Um dos sintomas de que este século não tem sido adequado para formação dos nossos pequeninos é o surgimento de comportamentos estranhos, transtornos e desajustes que se instalam em muitas dessas crianças e adolescentes; principalmente os que têm a tendência a desenvolver transtornos mentais e comportamentais.

A hiperatividade tem sido uma característica comum no comportamento de muitas crianças, segundo a queixa dos pais e professores nos consultórios de psicologia. A hiperatividade se refere a uma extrema agitação psicomotora, enquanto o déficit de atenção manifesta-se em baixa concentração, impulsividade. Contudo, os dois sintomas juntos provocam incapacidade de terminar as tarefas propostas, sejam elas em casa ou as tarefas escolares.

Impulsividade na execução das tarefas, pouca organização, incapacidade de compreender instruções etc., são sintomas que impedem pais e professores de serem assertivos em suas atitudes frente tal comportamento. Faz-se necessário, então, autocontrole, paciência, estudos e clareza em como se pretende administrar um comportamento dessa natureza. Contudo, não se deve generalizar e achar que todo comportamento por demais ativo está enquadrado no TDHA – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.

Para saber se existe a possibilidade de ser esse o diagnóstico, deve-se basear os sintomas em várias fontes de informação, não apenas nos resultados dos questionários enviados pelos médicos à escola e à família. Devem ser ouvidos os pais e professores, de forma a “contextualizar” a informação dos questionários. Segundo Jorge Elói, psicólogo, mestre em Psicologia da Educação e pós-graduado em Hipnoterapia, a “Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção é uma perturbação neuropsicológica, com uma alta predisposição genética, aproximadamente 70%”.

É importante ter clareza sobre a característica, a frequência, intensidades e duração do comportamento que está comprometido nesse transtorno, para que não seja confundido o comportamento que requer medicamento e o que não precisa de profissionais de saúde para ser administrado. Contudo, o mais importante na educação de uma criança com comportamento que exige uma atenção especial não está apenas na aquisição dos diagnósticos e na escuta dos encaminhamentos médicos, mas na oportunidade de essas crianças se sentirem amadas e pertencentes a uma família: a viver em um lar harmonioso, livre de tensões, que seus pais tenha expectativas em relação à vida dos filhos; que as crianças convivam com bons exemplos e que, em suas vidas, tenham alegria, amor e divertimento.

A hiperatividade deverá ser enfrentada a partir do que de bom uma criança classificada como tal possa oferecer de melhor para o ambiente em que ela está inserida.
Judinara Braz - Diretora Pedagógica da Escola João Paulo I – Feira de Santana (BA).





O que é ser católico?


O que é ser católico?

Conhecer o significado de ser católico é enraizar-se ainda mais no cristianismo 

Um jovem me fez essa pergunta. Disse que há algum tempo está em crise de fé e tem buscado a solução em igrejas evangélicas. Em uma delas, ao se confessar católico, ouviu dizer que a palavra “católico” nem sequer está na Bíblia. Pedi que ele abrisse a sua Bíblia no Evangelho de Mateus, capítulo 28, versículos 18b-20. ““É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.””

Você percebeu que fiz questão de colocar em negrito uma palavrinha que aparece de modo insistente no texto: “TODO”. Jesus tem todo o poder; devemos anunciá-Lo a todos os povos, guardar todo o ensinamento d’’Ele na certeza de que estará todos os dias conosco. Essa ordem de Cristo foi levada muito a sério pelos discípulos. Em grego, a expressão “todo”” pode ser traduzida por “Kat-holon”. Daí vem a palavra “católico” (em grego seria: Καθολικός). Ao longo do primeiro e segundo séculos, os seguidores de Jesus Cristo começaram a ser reconhecidos como “cristãos” e “católicos”. As duas palavras eram utilizadas indistintamente.

Ser católico já significava “ser plenamente cristão”. O Catolicismo, portanto, é o Cristianismo na sua “totalidade”.

É a forma mais completa de obedecer ao mandato do Mestre antes de sua volta para o Pai. O mesmo mandato pode ser lido no Evangelho de Marcos 16,15: “”Ide e pregai o Evangelho a toda criatura””. Há, portanto, uma catolicidade vertical, que é ter o Cristo todo, ou seja, ser discípulo; e uma catolicidade horizontal, que é levar o Cristo a todos, ou seja, ser missionário. Isso é ser católico: totalmente discípulo, totalmente missionário, totalmente cristão!

Ao que tudo indica, o termo “católico” se tornou mais popular a partir de Santo Inácio de Antioquia (discípulo de São João) no ano 110 d.C. Pode significar tanto a “universalidade” da Igreja como a sua “autenticidade”. Quase na mesma época, São Policarpo utilizava o termo “católico” também nesses dois sentidos. São Cirilo de Jerusalém (315-386), bispo e doutor da Igreja, dizia: “A Igreja é católica porque está espalhada por todo o mundo; ensina em plenitude toda a doutrina que a humanidade deve conhecer; conduz toda a humanidade à obediência religiosa; é a cura universal para o pecado e possui todas as virtudes” (“Catechesis”18:23).

Veja que já estão bem claros os dois sentidos de “católico” como “universal e ortodoxo”. Durante mil anos os dois significados estiveram unidos. Mas, por volta do ano 1000, aconteceu um grande cisma, que dividiu a Igreja em “Ocidental e Oriental”. A Igreja do Ocidente continuou a ser denominada “católica” e a Igreja do Oriente adotou o adjetivo de “ortodoxa”. A raiz as duas palavras remetem ao significado original de Igreja: “autêntica”.

A Igreja católica reconhece que cristãos de outras Igrejas podem ter o batismo válido e possuir sementes da verdade em sua fé. Porém, sabe que apenas ela conserva e ensina, sem corrupção, TODA a doutrina apostólica e possui TODOS os meios de salvação.

Devemos viver e promover a sensibilidade ecumênica favorecendo a fraternidade com os irmãos que pensam ou vivem a fé cristã de um modo diferente. Mas isso não significa abrir mão de nossa catolicidade. Quando celebramos a Eucaristia, seguimos à risca a ordem do Mestre, que disse: “”Fazei isso em memória de mim!”.” A falta da Eucaristia deixa uma grande lacuna em algumas Igrejas. Um pastor evangélico, certa vez, disse-me que gostaria de rezar a Ave-Maria, mas, por ser evangélico, não conseguia. Perguntei por quê? Ele disse que se sentia incomodado toda vez que lia o “Magnificat” em que a Santíssima Virgem proclama: “Todas as gerações me chamarão de bendita” (Lc 1,48).… E se questionava sobre o porquê de sua geração tão evangélica não fazer parte desta geração que proclama Bem-aventurada a Mãe do Salvador!

Realmente, ser católico é ser totalmente cristão!
Padre Joãozinho, SCJ - Padre da Congregação do Sagrado Coração de Jesus (Dehonianos),