A Palavra de Deus

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DOPAS

DOAÇÃO, ORAÇÃO, POBREZA, ALEGRIA E SIMPLICIDADE

3 de março de 2012

O QUE É DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA - III


Estamos aqui novamente para concluir o assunto que temos explorado nos dois últimos artigos: a essência da Doutrina Social da Igreja.Pedimos ao leitor desculpas por nos termos alongado tanto, mas um tema tão grave e importante não merece ser tratado com ligeireza. O Papa Paulo VI, na Encíclica Populorum Progressio, fez um apelo aos cristãos para que se esforçassem por ser “homens capazes de reflexão profunda” (n. 20). E, se por um lado nos anima o impulso catequético de falarmos da maneira mais compreensível que podemos, pelo mesmo motivo nos esforçamos por esmiuçar a matéria tintim por tintim, de modo a tornar claros todos os pontos fundamentais.

A partir de uma reflexão sobre o magistério do bem-aventurado Papa João Paulo II, no primeiro artigo nosso a tratar deste tema, mostramos que a Doutrina Social da Igreja não é uma ideologia, por isso, não pertence ao mesmo gênero do liberalismo e do socialismo. Uma ideologia é um sistema de ideias fundada em premissas arbitrárias e parciais, que passa uma falsa impressão de verdade em razão da coerência de suas conclusões. No artigo seguinte, apontamos também que, por não ser uma ideologia, a Doutrina Social da Igreja não traz um pacote de soluções prontas e acabadas, porém, nos oferece princípios de grande valia para, segundo as diversas circunstâncias de tempo e lugar, encontrarmos as melhores soluções para os problemas da sociedade.

Agora nos cabe enfatizar outro ponto do trecho que citamos do Papa João Paulo II, quando ele diz que a Doutrina Social da Igreja pertence «não ao domínio da ideologia, mas ao da teologia e especialmente da teologia moral». Ou seja, o Pontífice polonês afirma aqui, com todas as letras, que a Doutrina Social da Igreja faz parte do ensinamento moral da Igreja, por isso, não procede a objeção de certos católicos desobedientes ou ignorantes que dizem não fazer caso da Doutrina Social da Igreja porque só seguem o magistério em matéria de fé e moral. Os princípios da Doutrina Social da Igreja são orientações morais do Sagrado Magistério e, como tais, vinculam-se à consciência dos fiéis.

Boa parte dos preceitos do que se chama de moral cristã, com exceção do que se refere às virtudes teologais e à doutrina dos sacramentos, pode ser conhecido pelo homem sem a necessidade de uma revelação divina. Não é preciso que esteja escrito na Bíblia para se saber que não podemos mentir ou roubar. E mesmo que não estivesse escrito na Bíblia, nem por isso mentir e roubar deixariam de ser pecados. Esses preceitos se baseiam na natureza humana e constituem aquela lei natural definida por Santo Tomás de Aquino como sendo o reflexo da lei eterna na razão natural do homem (cf. Suma Teológica, Ia IIae, q. 91, a. 2). Todavia, em razão do pecado original, as potências espirituais do homem estão enfermas e nem sempre ele consegue, só com as luzes de sua razão natural, captar os preceitos da lei natural com toda a clareza. Mas a inteligência do cristão não trabalha apenas com a sua luz natural, mas também com a luz sobrenatural da fé que os [preceitos] ajuda ver em toda a sua força e esplendor.

Assim, a Doutrina Social da Igreja explicita os preceitos dessa lei natural que dizem respeito à sociedade humana, nos domínios da política, da economia e da cultura. É a defesa da ordem natural da sociedade, tal como Deus a quis e a criou. E é muito fácil de ver que, se as coisas estão em desordem, os objetivos não são alcançados. Fora dessa ordem natural, a sociedade humana não poderá atingir o fim para o qual tende e assistiremos apenas a uma sucessão histórica de frustrações e fracassos. Concluindo essas reflexões, já temos segurança para definir a Doutrina Social da Igreja como sendo o conjunto de ensinamentos de ordem moral do Sagrado Magistério, à luz das verdades da razão natural e da revelação divina, que visam o pleno respeito à ordem natural na constituição e no funcionamento das sociedades.
Rodrigo R. Pedroso

O SACRAMENTO DA CONFISSÃO


Após abordarmos os sacramentos da iniciação cristã (batismo, confirmação - crisma e Eucaristia), iniciaremos a segunda categoria dos sacramentos, chamados de cura (penitência – confissão e a unção dos enfermos). Trataremos, neste artigo, a respeito do primeiro sacramento de cura: a penitência, também chamado de sacramento da reconciliação, perdão, confissão e conversão.

Os batizados são chamados a viver esse sacramento, pois embora no batismo o homem seja liberto do pecado, arrebatado da morte e destinado a uma vida na alegria dos redimidos, à nova vida da graça, recebida neste sacramento, a fragilidade da natureza humana e a inclinação para o pecado (isto é, a concupiscência) não foram suprimidas. Desta forma, Cristo instituiu o sacramento da confissão para a conversão dos batizados, os quais d’Ele se afastaram devido ao pecado.

O sacramento da reconciliação foi instituído pelo Senhor, na tarde de Páscoa, quando apareceu aos apóstolos e lhes disse: «Recebei o Espírito Santo; àqueles a quem perdoardes os pecados serão perdoados, e àqueles a quem os retiverdes serão retidos» (Jo 20, 22-23). O próprio Jesus perdoou os pecados de muita gente, para o Senhor isso era mais importante que fazer milagres. Ele via aí o maior sinal da irrupção do Reino de Deus, em que todas as feridas são curadas e todas as lágrima enxugadas. O Senhor transmitiu aos Seus apóstolos a força do Espírito Santo, na qual Ele perdoava os pecados. Dessa forma, quando nos dirigimos a um sacerdote para confessarmos nossos pecados, caímos nos braços do nosso Pai celeste.

Assim, o homem arrependido de seus pecados, após um sincero exame de consciência; e uma verdadeira contrição (arrependimento) de seus pecados, motivada pelo amor a Deus e do propósito de não mais pecar, dirige-se ao sacerdote e diante dele descreve seus pecados, obrigando-se a realizar certos atos de penitência, que o confessor lhe impuser para reparar o dano causado pelo pecado. O sacerdote, por sua vez, exerce o dever que Cristo confiou aos seus apóstolos, aos bispos, sucessores destes e aos presbíteros, seus colaboradores, os quais, portanto, se convertem em instrumentos da misericórdia e da justiça de Deus. Eles exercem o poder de perdoar os pecados no Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

Todo o fiel, obtida a idade da razão, é obrigado a confessar os seus pecados graves ao menos uma vez por ano e antes de receber a Sagrada Comunhão. E quando mais se fizer necessário a partir de um diligente exame de consciência, confessando todos os seus pecados graves. A confissão dos pecados veniais é muito recomendada pela Igreja, embora não estritamente necessária, porque nos ajuda a formar uma consciência reta e a lutar contra as más inclinações, para nos deixarmos curar por Cristo e progredirmos na vida do Espírito.

Desta forma, o dinamismo do «coração contrito» (cf. Sal 51,19), movido pela graça divina, responde ao amor misericordioso de Deus. Isso implica a dor e a repulsa pelos pecados cometidos e o propósito firme de não mais pecar e a confiança na ajuda de Deus. Alimenta-se da esperança na misericórdia divina.

Os elementos essenciais do sacramento da reconciliação são dois: os atos realizados pelo homem que se converte sob a ação do Espírito Santo e a absolvição do sacerdote, que, em Nome de Cristo, concede o perdão. Os efeitos do sacramento da penitência são: a reconciliação com Deus e, portanto, o perdão dos pecados; a reconciliação com a Igreja; a recuperação, se perdida, do estado de graça; a remissão da pena eterna, merecida por causa dos pecados mortais e, ao menos em parte, das penas temporais que são consequência do pecado; a paz e a serenidade da consciência e a consolação do espírito; o acréscimo das forças espirituais para o combate cristão.

Em casos de grave necessidade (como o perigo iminente de morte), pode-se recorrer à celebração comunitária da reconciliação com confissão genérica e absolvição coletiva, respeitando as normas da Igreja e com o propósito de confessar individualmente os pecados graves no tempo oportuno. Um detalhe muito importante, dada à delicadeza e à grandeza deste ministério e o respeito devido às pessoas, todo o confessor está obrigado a manter o sigilo sacramental, isto é, o absoluto segredo acerca dos pecados conhecidos em confissão, sem nenhuma exceção e sob penas severíssimas.

Enfim, pela confissão o homem reconcilia-se com Cristo, com a Igreja e com os irmãos, é, portanto, um sacramento de cura, de recomeço de uma vida de santidade, de acolhimento nos braços do Pai. Assim, como ensinado por São João Maria Vianney, o Cura D'Ars, depois de cada pecado reconhecido, e confessado, ressuscitamos. A confissão concede ao homem a oportunidade de uma vida nova por meio da misericórdia do Senhor.

Aproveite esta Quaresma e se empenhe na vivência da penitência, reconhecendo seus pecados a partir de um exame de consciência sincero, e com o coração contrito, desejando não mais pecar, e procure um sacerdote a fim de receber este sacramento e gozar da vida nova destinada a você por meio da reconciliação com o Senhor.
Redação Portal Canção Nova - Fonte: Catecismo da Igreja Católica

REDESCOBRIR A ORAÇÃO


A oração é um exercício fundamental na busca pela qualidade de vida. Nas indicações que não podem faltar, especialmente para a vida cristã, estão a prática e o cultivo disciplinado da oração. É um exercício que tem força incomparável em relação às diversas abordagens de autoajuda, como livros e DVDs, muito comuns na atualidade.

A crise existencial contemporânea, em particular na cultura ocidental, precisa redescobrir o caminho da oração para uma vida de qualidade. Equivocado é o entendimento que pensa a oração como prática exclusiva de devotos. A oração guarda uma dimensão essencial da vida cristã. Cultivar essa prática é um segredo fundamental para reconquistar a inteireza da própria vida e fecundar o sentido que a sustenta.

É muito oportuno incluir entre as diversificadas opiniões, junto aos variados assuntos discutidos cotidianamente, o que significa e o que se pode alcançar pelo caminho da oração. Perdê-la como força e não adotá-la como prática diária é abrir mão de uma alavanca com força para mover mundos. A fé cristã, por meio da teologia, tem por tradição abordar a importância da oração ao analisar a sua estrutura fundamental, seus elementos constitutivos, suas formas e os modos de sua experiência. Trata-se de uma importante ciência e de uma prática rica para fecundar a fé.

familiar, social e comunitária. Muitos podem desconhecer, mas ela [oração] pode ser um laço irrenunciável com o compromisso ético. É prática dos devotos, mas também um estímulo à cidadania. Ao contrário de ser fuga das dificuldades, é clarividência e sabedoria, tão necessários no enfrentamento dos problemas. Na verdade, a prece faz brotar uma fonte interior de decisões, baseadas em valores com força qualitativa.

A oração, como prática e como inquestionável demanda, no entanto, passa por uma crise por razões socioculturais. Aliás, uma crise numa cultura ocidental que nunca foi radicalmente orante. O secularismo e a mentalidade racionalista se confrontam com aspectos importantes da vida oracional, como a intercessão e a contemplação. Diante desse cenário, é importante sublinhar: paga-se um preço muito alto quando se configura o caminho existencial distante da dimensão transcendente. O distanciamento, o desconhecimento e a tendência de banir o divino como referencial produzem vazios que atingem frontalmente a existência.

É longo o caminho para acertar a compreensão e fazer com que todos percebam o horizonte rico e indispensável da oração. Faz falta a clareza de que existem situações e problemas que a política, a ciência e a técnica não podem oferecer soluções, como o sentido da vida e a experiência de uma felicidade duradoura. A oração é caminho singular. É, pois, indispensável aprender a orar e cultivar a disciplina diária da oração. Trata-se de um caminhar em direção às raízes e ao essencial. Nesse caminho está um remédio indispensável para o mundo atual, que proporciona mais fraternidade e experiências de solidariedade.
A oração tem propriedades para qualificar a vida pessoal.

A lógica dominante da sociedade contemporânea está na contramão dessa busca. Os mecanismos que regem o consumismo e a autossuficiência humana provocam mortes. Sozinho, o progresso tecnológico, tão necessário e admirável, produz ambiguidades fatais e inúmeras contradições. Orar desperta uma consciência própria de autenticidade. Impulsiona à experiência humilde do próprio limite e inspira a conversão. É recomendação cristã determinante dos rumos da vida e de sua qualidade. A Igreja Católica tem verdadeiros tesouros, na forma de tratados, de estudos, de reflexões, e de indicações para o cultivo da oração, que remetem à origem do Cristianismo, quando os próprios discípulos pediram a Jesus: “Ensina-nos a orar”. É uma tarefa missionária essencial na fé, uma aprendizagem necessária, um cultivo para novas respostas na qualificação pessoal e do tecido cultural sustentador da vida em sociedade.
Dom Walmor Oliveira de Azevedo - Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte

CASTIDADE NO NAMORO


A castidade tem por fim ajudar a pessoa a controlar seus impulsos interiores. Como em todas as nossas conquistas, o esforço para viver tal virtude no namoro não será menor. Muitas coisas são apresentadas como se esse controle fosse algo pesado ou uma retórica de um moralismo ultrapassado. Dessa forma, convence quase que a maioria a dar asas para seus instintos. Mesmo que a intimidade no namoro seja assumida como uma tendência natural aos olhos das pessoas mais liberais, busquemos entender que a realização e a plenitude de um amor maduro não florescem da explosão dos hormônios.

Nestes últimos tempos, a corrupção dos costumes aumentou e acontece de forma cada vez mais natural uma exaltação dos apelos sexuais. Se uma novela está sem audiência, o autor promove uma cena de nudez ou providencia uma cena tórrida para alcançar seus objetivos. Pelos meios de comunicação a corrupção tem infectado o modo de educar e também a nossa mentalidade. Entretanto, essa virtude [castidade] não diz respeito apenas aos jovens namorados, mas a todos de maneira irrestrita, incluindo também aqueles que já vivem o matrimônio. Equivocadamente, algumas pessoas vinculam a castidade à virgindade, mas vale lembrar que o princípio dessa virtude está em ajudar a todos nós a saber lidar com os momentos de abstinência.

O nosso desejo é uma resposta de vários outros estímulos, contudo, quando esse sentimento não é controlado pode nos escravizar ou imputar um peso como se fosse lei, levando-nos a acreditar que é de direito viver aquilo que nossos hormônios pedem. Todavia, nós não vivemos somente para responder a esses estímulos; precisamos também controlar a maneira como manifestamos nossos sentimentos, pois haverá situações, mesmo dentro da vida conjugal, em que mesmo o casal estando sozinho, por inúmeras razões, tal intimidade não será possível ser vivida.

Se não houver um controle desses impulsos como poderá o homem conviver com tal abstinência quando a mulher estiver vivendo o período menstrual ou, em outros momentos, quando a esposa estiver gestante?

A recíproca também é verdadeira, pois tanto o homem quanto a mulher estão sujeitos a situações de estresse, entre outras, em que mais importante que a libido será a compreensão por meio de outras manifestações de carinho.

Viver os princípios da castidade não significa que eu não possa beijar a namorada ou lhe fazer carinhos, mas precisamos estabelecer limites nas carícias. (cf. As carícias no namoro).

Conhecendo as nossas fraquezas, precisamos ter consciência de que haverá momentos em que não poderemos nos colocar à prova, pois facilmente nos deixaremos levar por aqueles já conhecidos instintos. Entretanto, isso não será impossível de se alcançar, quando os namorados, ao entenderem os objetivos de tal esforço, poderem contar um com a ajuda do outro.

Em contato com alguns rapazes, eles argumentaram que o peso da responsabilidade moral por terem vivido a intimidade com a namorada, mesmo não havendo gravidez, dificulta quando eles decidem romper o relacionamento. Outros dizem que foram para o casamento por se sentirem compromissados com a namorada; e uma grande parcela fez do casamento um “remendo” para aquilo de que pensava ter o controle: a gravidez!

Talvez a justificativa de muitos casais que insistem em viver a intimidade esteja tão somente fundamentada no desejo e na atração física mútua. Mas consideremos a possibilidade de o casal de namorados não vir a se casar… Se num novo relacionamento a moça ou o rapaz não aceitar viver a intimidade, ainda assim eles estariam dispostos a viver o namoro?

O sentimento que atrai tanto o homem como a mulher deve superar qualquer tipo de troca ou compensação dentro do relacionamento.
Dado Moura - Canção Nova

1 de março de 2012

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