A Palavra de Deus

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DOPAS

DOAÇÃO, ORAÇÃO, POBREZA, ALEGRIA E SIMPLICIDADE

17 de abril de 2020

Como identificar se tenho descontrole emocional?








Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

       Vivemos um tempo da supervalorização da emoção. Tudo passa pelo sentimento, inclusive decisões importantes. A grande maioria das pessoas não sabe mais distinguir razão de emoção, seja ela criança, adolescente, adulto ou até idoso. É impressionante o quanto um comportamento infantil se estendeu para outras etapas da vida e tem cegado quem vive dessa forma. Quando pergunto a uma pessoa o que passou pela sua cabeça quando viveu esta ou aquela situação, a resposta vem imediata: Fiquei com uma raiva! Senti-me abandonada! E tantas outras respostas baseadas na emoção e não na razão.

Onde está o problema? 

       O problema é que a emoção é totalmente vulnerável, ela não tem fundamento sólido. E uma pessoa que vive a partir de suas emoções, vive como em um campo minado, estourando uma bomba aqui, outra ali e conseguindo se salvar de outras. Então, como identificar se tenho descontrole emocional?

         Comece por avaliar seu comportamento. Como você tem reagido a situações do dia a dia? De forma normal, esperada? Ou surpreendendo as pessoas a sua volta, causando-lhes espanto? A questão é que, normalmente, quem vive esse descontrole emocional não percebe que o faz. E quando alguém fala para ele, acaba dando uma resposta agressiva, por não reconhecer esse comportamento.

Como controlar a emoção?

          A grosso modo, podemos dizer que uma pessoa com descontrole emocional é aquela que apresenta uma reação emocional superior ao que deveria, seja por choro, agressividade física ou verbal, gargalhadas… Explico: em uma conversa, uma pessoa fala assim para você: “Você é igualzinho ao seu pai”, e a pessoa que ouviu isso tem uma ferida com o pai; logo, responde com gritos e grosseiras. Essa reação impulsiva e explosiva está diretamente ligada à suas memórias afetivas, que, desajustadas, são ativadas por uma fala ou situação.

       Um outro exemplo que pode ajudar seria: uma mãe que vê seus filhos, começa a gritar com eles e a bater de forma agressiva. O que leva essa mãe a ter esse comportamento quando ele não é um comportamento padrão dela? Possivelmente, a cena ativou algo nela, em seu temperamento ou personalidade, pois foi uma reação de total descontrole emocional.

         Para ter controle de suas emoções, o segredo é separar sua razão da emoção e passar a ter domínio de tudo aquilo que sua mente produz e que ativa suas emoções de forma descontrolada.

Aline Rodrigues -
É missionária da Comunidade Canção Nova, no modo segundo elo. É psicóloga desde 2005, com especializações na área clínica e empresarial e pós-graduada em Terapia Cognitiva Comportamental. 

A saudade que toma conta de nós








Foto ilustrativa: Bruno Marques/cancaonova.com

          No meio do confinamento em que nos encontramos, um sentimento começa a ocupar um espaço cada vez maior em nosso coração. Sim, é a famosa saudade, que dá título a este texto. A dor e a melancolia que vêm ao coração pela recordação da pessoa ou coisa ausente e querida é um sentimento que está ao alcance de todo e qualquer ser humano que ame. Dizem, contudo, que só o nosso idioma português logrou dar nome a esse sentimento específico e tão lembrado nos poemas e nas músicas.

          Passadas algumas semanas, quantos avós se ressentem da ausência dos seus netos, a quem estão impedidos de abraçar e afagar? Quantos filhos, por caridade, não podem visitar, diariamente, seus pais, para preservá-los do risco de contaminação pelo COVID-19? Quantos pessoas, que tiveram amigos muito próximos e queridos arrancados do seu convívio, aguardam ansiosos o momento do reencontro, do abraço, da celebração?

         Alguns anos atrás, passei quatro meses fora do Brasil fazendo um curso pelo meu trabalho. Foi uma oportunidade muito enriquecedora pessoalmente, mas me custou muito a ausência da minha esposa e dos meus filhos – naquela época, eram só dois. Lembro muito bem, especialmente das últimas semanas, quando eu já estava bem próximo de voltar para casa.

Você gosta de sentir a dor da saudade

          Eu passava boa parte do dia sonhando acordado, imaginando o momento em que iria reencontrar a minha esposa e meus filhos: como ela estaria vestida? Qual seria a primeira coisa que eu diria? E ela, o que me responderia? Meus filhos correriam para me abraçar? Eu choraria de emoção? Eu me perdia imaginando as respostas para essas e outras perguntas. O que eu fazia era antecipar o momento do reencontro em minha cabeça, algo que é bastante comum a quem sofre de saudade. Essa antecipação, por sinal, só torna a saudade mais intensa, mas parece ser justamente isso que nós queremos. A saudade é uma dor que gostamos de sentir quando sabemos que reencontraremos aqueles de cuja ausência nos ressentimos.

         Diante desse sentimento tão forte, nesse contexto de isolamento social, há algo que não me sai da mente: eu, que participava, diariamente, da Santa Missa, que encontrava Jesus Eucarístico fisicamente todos os dias, comungando Seu Corpo e Seu Sangue, agora só posso vê-lo por foto ou vídeo, e justamente no tempo da Quaresma. Era meu amigo mais querido, mas Ele foi tirado de mim e não sei quando poderei O reencontrar.

          Como disse Santo Agostinho: “Ele se esconde, porque quer ser procurado”. Face a essa realidade, a pergunta que não canso de me fazer, todos os dias, desde então, é: tenho cultivado a minha saudade de Jesus? O que quero dizer com isso? Como falei, quem sente saudade antecipa o reencontro. Sonha acordado, ensaia diálogos, imagina situações. Faz isso, porque ama e não quer tirar o amado da sua mente. Eu tenho antecipado o meu reencontro com Jesus?

Antecipe o seu encontro com Jesus diariamente

      A cada Santa Missa que acompanho pela TV ou pela Internet, tenho procurado trazer à memória os momentos triviais que eu vivia nas Santas Missas das quais eu participava presencialmente e que se tornaram tão preciosos. Quando começa o momento da comunhão, fecho os olhos e vejo-me na paróquia que frequento, no banco onde costumo sentar-me com minha esposa e meus quatro filhos. Revivo cada instante.

        Primeiro, há um sinal visual que eu e minha esposa sempre fazemos um para o outro quando é a hora de irmos para a fila da comunhão. Em seguida, eu me levanto com minha filha mais nova no colo e entro na fila. Aguardo que minha esposa passe à minha frente, segurando outros dois filhos pela mão. Atrás dela, vai nosso filho adolescente. Enquanto seguimos na fila, esforçamo-nos para, discretamente, mantermos a filha de nove anos e, em especial, o filho de cinco anos na linha, já que eles, facilmente, distraem-se e esquecem onde estão. Ainda de olhos fechados, revivo o gosto característico da Hóstia Consagrada e faço disso uma doce lembrança que se converte em saudade.

        Rezo a oração de comunhão espiritual do Papa Francisco e fico conversando com Deus, imaginando a primeira Santa Missa da qual participarei quando tudo isso acabar. Fico pedindo a Deus a graça de meu coração fazer festa por esse momento. Peço que Jesus me conceda a graça de, como Ele mesmo disse, desejar ardentemente comer esta Páscoa. E me vejo vigilante: não posso pecar! Não posso sair do estado de graça, porque não quero correr o menor risco de não poder comungar o Corpo de Cristo quando surgir a primeira oportunidade de participar da Santa Missa presencialmente.

Sentir saudade da maneira certa

        É justo e desejável sentir a falta dos nossos entes queridos. É sinal de que somos seres humanos, sinal de que amamos. Mas como podemos não amar o Amor? Para amarmos as pessoas da maneira certa, até para sentirmos saudade da maneira certa, precisamos, primeiro, amar Jesus acima de todas as coisas. E isso significa que a primeira saudade, a saudade mais pungente que devemos sentir é de reencontrarmos Jesus na Eucaristia, o nosso maior tesouro.

        Essa Páscoa foi, para a grande maioria dos católicos como eu, a primeira sem a Eucaristia. Celebrei como possível, participando do Tríduo Pascal pela TV, rezando em família, adorando Jesus Eucarístico à distância, em Espírito e em Verdade.

         Passada a Páscoa, não esmoreçamos. Pelo contrário, peçamos que Deus nos conceda a graça de uma saudade sem tamanho de reencontrá-Lo. Uma saudade que doa no peito, que nos faça contar as horas até o feliz dia em que, novamente, poderemos receber Seu Corpo e Seu Sangue como alimento. Neste dia, talvez sintamos, ao comungar, o doce beijo de Jesus na nossa alma, como disse Santa Terezinha do Menino Jesus.

José Leonardo Ribeiro Nascimento, missionário da comunidade Canção Nova – Aracaju – SE.

13 de abril de 2020

Quais os barulhos internos do seu coração que incomodam?








Foto Ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

       “Fiz calar e sossegar a minha alma; ela está em grande paz dentro de mim, tal como a criança bem tranquila, amamentada no regaço acolhedor de sua mãe”( Sl 130,2)

        O barulho é uma verdade muito incômoda que precisamos lidar todos os dias na nossa vida. Estamos cercados de barulhos, vozes, gritos, falas, discursos, brigas, perturbações, agitações e inquietações.

         O barulho que se faz no mundo exterior se transfere para dentro de nós, e o barulho do nosso interior nos leva a exclamar, gritar e brigar com o mundo que nos cerca. Estamos dominados pelas insatisfações do coração. A alma geme em busca de consolo. A mente se perturba em busca de respostas. A vontade se agita em busca de satisfazer o ego, e as emoções se aglomeram em descompassos por não encontrar espaços para saciar sua necessidades.

O seu interior faz muito barulho?

         Não há cura para os nossos males se não encontrarmos a via do silêncio e da purificação dos sentidos. Precisamos mergulhar nossa alma na candura vibrante do silêncio interior, calar as vozes agitadas que perturbam nosso ser a cada instante. É um trabalho para vencer a ansiedade dos sentidos que vive em busca de satisfações para suas necessidades. É um sobressalto para a serenidade e o equilíbrio interior, tão necessário para colocar ordem na casa, no coração, nas emoções e vencer os devaneios da mente.

       A busca pelo silêncio deve ser uma atitude brutal e audaciosa. Ela é a violência evangélica exaltada por Jesus. Sem ela não atingimos nossa verdade interior nem conquistamos a sensatez de viver. O coração impulsivo bate para todos os lados e não encontra satisfação em nada. A busca do silêncio é início do processo de lapidação da mente e purificação do coração. Eu não irei me conhecer como preciso ser conhecido nem mudarei atitudes e comportamentos inadequados sem penetrar nas verdades incômodas que se escondem nas penumbras do meu ser, sufocadas pelas soberbas e vaidades da vida.

Aprenda a ouvir o silêncio do seu coração

         O silêncio incomoda, perturba e causa profundas estranhezas em nós e nos outros. A verdade, no entanto, é que nos tornamos estranhos a nós mesmos à medida que não nos conhecemos nem buscamos a sobriedade dos sentidos.

A paz interior e a paz nas relações humanas e sociais só se torna realidade para aqueles que mergulham o coração no profundo silêncio da alma. Do contrário, continuaremos promovendo guerras, embates, disputas, conflitos, acusações, polarizações e perturbações. E dentro de nós irar se alargar a guerra dos sentidos, a implosão dos afetos e o inchaço do orgulho insaciável.

Temos sede urgente de muito silêncio!

Padre Roger Araújo - 
Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova. 

Deus faz o possível para revelar Seu amor por nós








Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

       Quando estamos distantes de alguém ou de algum objeto, geralmente pedimos para alguém chamar a pessoa ou alcançar o objeto para nós, isso quando não vamos nós mesmos ao seu encontro. Na história da salvação, podemos dizer que, mesmo estando o homem distante de Deus (cf. Gn 3), Este sempre o alcançava por meio dos profetas, até que o Senhor, pessoalmente, veio ao seu encontro e revelou Seu amor de Pai.

           Em Romanos 8,15, Paulo mostra que nossa relação com Deus não pode ser de escravidão, mas de filhos, porque recebemos o espírito de Aba Pai. Podemos contemplar o amor dos pais para com Seus filhos, e percebemos até mesmo o sacrifício de amor que muitos deles fazem para seus filhos e para que a família tenha harmonia. É belo, mas se comparado ao amor de Deus, torna-se pequeno. O Catecismo da Igreja Católica afirma que “a linguagem da fé se inspira, assim, na experiência humana dos pais (genitores), que são, de certo modo, os primeiros representantes de Deus para o homem. Essa experiência humana, no entanto, ensina também que os pais humanos são falíveis e podem desfigurar o rosto da paternidade e da maternidade. Convém, então, lembrar que Deus transcende a distinção humana dos sexos. Ele não é nem homem nem mulher, é Deus. Transcende também a paternidade e a maternidade humanas, embora seja a sua origem e a medida: ninguém é pai como Deus o é.” (239)

O amor de Deus

          Embora supere, podemos pensar para compreendermos que o amor de Deus é paterno e materno. Significa que seu amor paterno nos dá segurança, proteção e nos coloca numa atitude de superação. Já seu amor materno é carinhoso, acolhedor, e sabemos que jamais nos abandona apesar dos nossos erros. Ele sabe a medida certa para cada um de nós, porque Ele é amor e nos precede. Em 1Jo 4,10, encontramos: “Nisso consiste o amor: não fomos nós que amamos Deus, mas é Ele que nos amou.”

           O rosto desse Deus, que é Pai das misericórdias, é Jesus. Ele é a voz inteira da Escritura quando diz: o Pai vos ama! (Jo 16,27). Ele veio para salvar o homem do pecado, mas, sobretudo, para revelar o Pai. Santo Afonso Maria de Ligório diz que Cristo podia nos redimir sem passar pela cruz. Por que o fez? Para mostrar seu amor: Amou-nos e se entregou por nós. Ele diz que Cristo não via a hora de dar a última prova do seu amor, morrendo na cruz, consumido de dores. Se olharmos para o filme Paixão de Cristo, podemos perceber a determinação na doação de Jesus. Ele é a manifestação do amor do Pai.

Volte para perto do Senhor

        Sendo assim, independentemente dos nossos pecados, o Pai nos alcança; e se temos a coragem de abrir as páginas, Seu amor escreve uma nova história em nossa vida. Quem ama deseja estar perto, e o Pai deseja ser próximo do homem, morar no seu coração. Ele não poupa esforços para nos mostrar Seu amor (Rom 8, 32). Por isso, mesmo como filhos pródigos, se arrependidos, podemos voltar para casa, porque somos alcançados pelo Pai.

Ricardo Cordeiro
é membro da Comunidade Canção Nova. Licenciado em Filosofia pela Faculdade Canção Nova, Cachoeira Paulista (SP). Bacharelando em Teologia pela Faculdade Dehoniana, Taubaté (SP) e pós-graduando em Bioética pela Faculdade Canção Nova.

12 de abril de 2020


O que viver na Páscoa? 








Páscoa é a estação da primavera espiritual

       Cristo ressuscitou! Aleluia! Por Sua Paixão e Morte, um novo tempo foi inaugurado na história da humanidade. As coisas antigas passaram e desabrochou, no alvorecer da vida, as alegrias que rompem as trevas da morte!

       O tempo litúrgico da Páscoa é a estação da primavera espiritual, e somos chamados a caminhar pelo jardim da Ressurreição, que é o próprio Cristo presente em nosso meio. Ao longo de cinquenta dias, vamos exalar o suave aroma dessa alegria em nossa alma. O canto de ‘aleluia’ presente em nossas liturgias, mas também aclamado em nosso coração, recorda-nos este tempo novo que Cristo nos oferece por amor e misericórdia.

       O Círio Pascal é símbolo dessa presença do Ressuscitado na comunidade que se reúne para celebrar este tempo novo, onde cantamos as glórias do Senhor, que venceu a morte e nos deu a vida eterna.

É tempo de nos despedirmos do homem velho

       “Se, pois, ressuscitastes com Cristo, procurai as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus” (Cl 3,1). É chegado o momento de nos despedirmos do homem velho, pois Cristo rompeu as trevas do pecado e trouxe-nos a certeza definitiva da vida que vence a morte.

       Neste tempo pascal, busquemos as “coisas do alto”. Não nos conformemos com as realidades que oprimem a vida, mas transformemo-las por nosso exemplo e misericórdia. Em nossa comunidade, busquemos viver a paz do Cristo Ressuscitado nos pequenos gestos. Se for preciso, que silenciemos nossas palavras mediante uma crítica que pode ferir e causar constrangimento. Coloquemo-nos a serviço, não buscando elogios, mas fazendo de nosso ato voluntário uma oferta de gratidão a Cristo, por tanto amor a nós doado.

       Busquemos as coisas do alto em nossos ambientes familiares, orando em meio às situações complexas e que não apresentam soluções imediatas. Levemos a paz do Ressuscitado como dom a ser ofertado em pequenos gestos que desabrocham como lírios perfumados na alma de quem os acolhe.

       Com Cristo ressuscitado celebremos a Páscoa na vida cotidiana, antecipando a gloriosa realidade que vislumbramos, hoje, pela fé e, um dia, junto de Deus, na plenitude da graça que esperamos. Aleluia!

Padre Flávio Sobreiro -
Bacharel em Filosofia pela PUCCAMP e Teólogo pela Faculdade Católica de Pouso Alegre (MG), padre Flávio Sobreiro é pároco da Paróquia São José, em Toledo (MG), e padre da Arquidiocese de Pouso Alegre (MG). 

Os valores que a Páscoa traz








Foto ilustrativa: Sasiistock by Getty Images

       Os valores são chaves para a nossa felicidade; são princípios que norteiam toda nossa vida e nos ajudam a dar sentido a todas as coisas. Na grande festa da Páscoa, existe uma grande diversidade de valores: ela nos reúne; nos ajuda a criar laços; nos leva ao conhecimento de Deus, de nós mesmos e do outro; além de nos levar a sermos mais humanos, amigos e solidários.

       Neste tempo pascal o valor maior é o da religiosidade. Sabemos da grande importância dessa graça para a humanidade, ela nos marca desde as nossas origens. A religiosidade sugerida pela Páscoa é capaz de produzir, em nós, profundas transformações em nossa estrutura de base. Ela não é superficial e exterior, e sim integradora; e está relacionada com as qualidades do espírito humano – tais como amor, a compaixão, a convivência e a abertura para Deus. A religiosidade tem seus fundamentos em Cristo e em Seu novo mandamento do amor: “Amai-vos uns aos outros. Como eu vos tenho amado” (Jo 13,34).
Nos dediquemos aos valores que a Páscoa do Senhor traz para que sejamos melhores

       Outros grandes valores que não podem faltar são a unidade, o respeito e a solidariedade, assim como esses cinquenta dias são celebrados como se fossem um só. Da mesma forma, também devemos viver, como uma só família humana, buscando uma convivência fraterna e pacífica. Que nossas boas obras e nossas vozes, em cada canto das nossas cidades, possam levar a alegria do Ressuscitado, sobretudo, aos pobres, doentes, àqueles mais distantes e a todas as pessoas, pois são amadas pelo Pai.

       Desde a alvorada de Páscoa, o grande valor da esperança deve ser muito cultivado. Uma nova primavera de esperança invade o mundo, pois Jesus ressuscitou! Não só para que a Sua memória permaneça viva em nossos corações, mas para que Ele mesmo viva em nós, renove a nossa vida e nos potencialize para sermos melhores; para superarmos todos os sinais de morte que nos atingem, porque somos filhos da grande Vitória Pascal, a esperança resplandece em nossas faces. Como nos diz Papa emérito Bento XVI: “É a esperança ativa, que nos faz lutar para que as coisas não caminhem para um fim perverso”.

       Nesta Páscoa valorizemos, também, a reflexão e meditação, principalmente sobre a Ressurreição e a Paixão do Senhor. Diz o apóstolo Paulo que “se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa pregação e a nossa fé” (I Cor 15,14). Toda a nossa fé parte do grande marco da Ressurreição. Em Cristo todos nós ressuscitaremos. A Paixão do Senhor, Seu Sangue derramado por amor a cada um de nós, deve tocar profundamente nossos corações, neste tempo tão especial.

       Ainda neste tempo, que a fé e a oração sejam constantes por um mundo mais justo e solidário, por ações nobres, sonhos e lutas; por cristãos mais renovados e fiéis. Que se encha nosso olhar de luz, como os dos discípulos e discípulas que viram o sepulcro vazio e o Filho de Deus ressuscitado.

Equipe de formação Canção Nova