A Palavra de Deus

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DOPAS

DOAÇÃO, ORAÇÃO, POBREZA, ALEGRIA E SIMPLICIDADE

20 de julho de 2018


Pessoas infernais e pessoas celestiais




Foto: Copyright: AntonioGuillem


É possível identificar as pessoas que são infernais ou celestiais

Depende de nós construirmos um mundo que edifica ou destrói quem está ao nosso redor. A vida de cada um de nós pode se assemelhar às alegorias de céu ou inferno. E a nossa língua é uma grande contribuinte na construção desse nosso modo de vida. A simples fala pode destruir ou elevar uma pessoa, uma carreira, uma família, uma amizade.

A partir das conversas no dia a dia, podemos distinguir entre as pessoas infernais e pessoas celestiais.

Pessoas infernais

As infernais, adoram ver o circo pegar fogo. Repassam novidades truncadas que não lhe dizem respeito, aumentam o drama de fatos que viram ou ouviram sobre alguém, e até atualizam o antigo “leva e traz”, por exemplo copiando conversas que tiveram por e-mail ou telefone com alguém, para, agindo de má fé, “partilhar” algo que foi dito só a elas, de forma privada. Elas incitam discussões vazias nas redes sociais, comentam com riqueza de detalhes fatos ruins, complicados e difíceis da vida alheia (e geralmente, a vida alheia não está perto, nem pode se defender).

Pessoas infernais têm a vida conturbada demais, e querem espalhar essa confusão para quem está perto. Elas tem uma existência vazia de significado, não conseguem colocar emoção no seu cotidiano simples e, portanto, precisa fazer da confusão sobre a vida das outras pessoas o centro de sua própria vida. A boca fala do que o coração está cheio, vidas infernais estão com o coração magoado, frustrado, e usam as palavras para transmitir isso para outras vidas.

Pessoas celestiais

Pessoas celestiais também comentam da vida alheia, mas destacando aquilo de bom que cada pessoa tem. A sua personalidade e presença inibe comentários que destroem o outro, pois conseguem trazer um discurso de paz e fraternidade. Em uma discussão, o foco das pessoas celestiais, não é falar das pessoas, mas compartilhar pensamentos e ideias inteligentes sobre qualquer tema, não sobre indivíduos específicos. Pessoas celestiais sabem, com elegância, cortar aquela conversa que não será frutífera, nem chegará a lugar algum sobre alguma tristeza da vida de alguém. Com sabedoria, conseguem perceber que a lenha jogada na fogueira pode ser apagada com educação e afeto, e talvez até a discussão contornada com uma proposta de ação para auxiliar aquela pessoa, naquele problema que está vivendo.

A vida das pessoas celestiais não é fácil, nem vazia, ao contrário, elas tem tanto com o que preencher seu dia a dia, que lhes parece estranho gastar tempo e discurso comentando outras vidas, sem poder auxiliar concretamente.

Seja celestial

Sabe aquela pessoa que sai de perto toda vez que alguém está fazendo fofoca, ou que interrompe a fala maliciosa com um assunto completamente diferente, quebrando a corrente infrutífera daquele papo? Isso é nobre demais, é celestial! Afinal, de fato, as pessoas são livres para falar o que quiserem, mas ninguém é obrigado a presenciar e testemunhar calado a destruição da honra e reputação de alguém, por meio de palavras, nem sempre recheadas de verdade, mas sim de muita maldade.

Pessoas celestiais até convivem com as infernais, mas não fomentam seu destaque ou crescimento, e minimizam a possível influência que essa falas infernais desejariam ter.

Conforme a gente vai deixando esses diferentes perfis se instalarem na nossa vida, nosso cotidiano pode se resumir em céu ou inferno. Depende de nós construirmos um mundo com mais ou menos gente assim.
Para, pense e mude

Você tem sido infernal? Apenas pare.

Você tem sido celestial? Multiplica, Senhor.

Mariella Silva de Oliveira Costa: Mineira , esposa, católica, feliz e amante de uma boa prosa. Jornalista, pesquisadora e professora universitária, é doutora em Saúde Coletiva (UnB), mestre em tocoginecologia (Unicamp), especialista em jornalismo científico (Unicamp) e graduada em comunicação social (UFV). Participa da RCC desde 1998 tendo atuado no Ministério Universidades Renovadas e no Ministério de Comunicação Social. Cofundadora do projeto Muitas Marias.com

18 de julho de 2018


Confira os sete passos para lidar com a preocupação




As preocupações fazem parte do dia a dia das pessoas. Como evitá-las?

Você sabia que, quando perguntam às pessoas como elas estão, cerca de 40% diz que está preocupada com algo ou alguém? Portanto, quase metade da população têm pesos que carrega consigo, e a maioria tem tais preocupações quase todos os dias. O mais complicado é quando tudo isso se torna crônico, ou seja, preocupo-me o tempo todo e isso acaba por limitar a nossa capacidade de sentir satisfação pelas coisas e admirar o que é bom em nossa vida.

Uma coisa é certa: a preocupação é um dos elementos capazes de alimentar os transtornos mentais de ansiedade e depressão. Pesquisas mostram que a tal preocupação é uma das precursoras da depressão, ansiedade ou abuso de drogas.

Dicas para vencer as preocupações

Vamos pensar, então, em sete passos possíveis para lidarmos com as preocupações?

1. Identificar as preocupações produtivas e improdutivas: geralmente, temos a sensação de que nossas preocupações vão nos enlouquecer ou que teremos dificuldade para abandoná-las. Estar preocupado não contribui para que possamos resolver um problema e, ainda por cima, nos deixa infelizes. Os sentimentos ficam confusos e, muitas vezes, vamos relutar e desistir da crença de que se preocupar é importante. Frear as preocupações não é ser irresponsável ou desleixado. Muito pelo contrário: ao alimentarmos os imaginários “e se”, “como será”, “será, será…?” não conseguimos ter o foco necessário para resolver os problemas que são reais.

2. Acatar a realidade e ter um compromisso com a mudança: quando aceitamos um fato, deixamos de ter aquela batalha contra a realidade. Ou seja, a situação está ali e não adianta brigar o tempo todo com ela. Você não quer aceitar determinados fatos ou possibilidades dos quais possa não gostar e sua preocupação é como um protesto contra a realidade. A aceitação de algo não significa que você goste ou o considere justo. A aceitação não significa que não possa fazer nada para modificar certas coisas, mas, antes que possa modificar algo, terá de aprender a aceitar que problemas reais existem. Você vai aprender também a aceitar suas limitações e que as preocupações não devem ser o centro do universo.

3. Contestar a preocupação: muitos de nós somos mestres em “prever o futuro” e nestas situações a maioria das previsões são catastróficas. Ao questionar uma preocupação, vamos pensar no que realmente a situação é, o que ela realmente representa e vamos retirando fantasmas e monstros do tipo “vou fracassar”, “não vou dar conta”, “o que vão pensar de mim”. Isso, certamente, reduzirá seunível de ansiedade.

4. Focalizar a ameaça mais profunda: ao identificarmos as ameaças e aquilo que é real ou o que não é real, é possível que tenhamos melhor percepção sobre as situações e sobre as nossas emoções. Isso porque aquilo que vem sempre à mente quando estamos em dificuldade, aquele pensamento que insiste em perturbar você e que ativa as crenças ao nosso respeito (ser imperfeito, ter sido abandonado ou desamparado, parecer tolo etc) precisa ser desafiado, para que deixe de existir, e como consequência, reduza seu estresse.

5. Transformar “fracasso” em oportunidade: o que posso aprender quando passo por fracassos em minha vida? Tentamos estar preparados, prevenindo e até mesmo antecipando o fracasso, mas ele nem sempre é o fim de tudo: tire lições e experiências com ele, tenha outros comportamentos, pense de forma diferente, enfim, são muitas as chances de fazer algo diferente a partir daquilo que chamamos de fracasso.

6. Usar as emoções em vez de se preocupar com elas: muitas vezes, temos medo das emoções, pois nem sempre sabemos lidar com elas. Nem tudo é terrível, nem tudo é tão complicado assim e nem sempre há razão para ter medo de vivenciar as emoções. Use-as ao seu favor, em vez de afugentá-las. Até mesmo compreender sentimentos contraditórios devem ser reconhecidos e percebidos, e não há mal nenhum nisso.

7. Assumir o controle do tempo: quando a urgência toma conta da nossa vida, perdemos facilmente o controle das coisas. Nem sempre conseguimos avaliar o que, de fato, é urgente e nos contaminamos com aquele desespero típico da falta de controle do tempo. Pense no seguinte: “desligar a urgência, aceitar que nem tudo ficará como está, apreciar cada momento, melhorar o momento, planejar e, com isso, procurar expandir seu tempo.

Que essas reflexões possam ajudá-lo a pensar sobre como encarar suas preocupações e como ter uma nova percepção sobre as situações, retirando aquilo que possa ser improdutivo ou mesmo esteja levando você ao adoecimento desnecessário.

Elaine Ribeiro dos Santos: Psicóloga Clínica e Organizacional, colaboradora da Comunidade Canção Nova.


As crianças nos ensinam a levar a vida com simplicidade



Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com


Na vida, as crianças quase sempre encontram soluções fáceis e bem humoradas para cada tensão que encontram

Vivemos em um mundo de intensas dores e ansiedades. Porém, não significa que devemos deixar tudo isso ditar as regras sobre nossa existência. Pelo contrário, precisamos reagir submetendo nossa vida a uma outra lógica, que não nos permitirá ser totalmente engolidos por essa enorme onda de agitação e ansiedade.

O ser humano é, no reino da vida, o único ser dotado de pensamento (razão). Ele é o único capaz de não se permitir determinar pelo meio em que vive e pelos seus instintos. Assim, pode construir uma realidade nova e melhor, que mais eficazmente corresponda à sua autêntica realização.

O homem não é uma massa de manobra que será sempre escrava do tempo e de suas frágeis tendências. Não. Ele é muito mais e foi criado para ir mais longe, pois possui a “dinâmica força da vida” dentro de si. Não será possível uma vida sem tensões e sofrimentos, e sobre isso já falamos. Mas como gerir esses sofrimentos e tensões tão comuns em nossa vida? Aqui, não me sinto autorizado a despejar sobre você receitas (ou frases) prontas. Ao contrário, desejo apenas propor caminhos que o possibilitem pensar e, posteriormente, encontrar ferramentas que o auxiliem neste processo.

A felicidade está em pequenos gestos

Gosto de contemplar o jeito como as crianças percebem a vida e as dificuldades nela presentes. Para elas, as coisas são simples e descomplicadas, e quase sempre elas acabam encontrando soluções fáceis e bem humoradas para cada tensão que encontram. Elas não possuem a pretensão de querer reter, instantaneamente, a felicidade debaixo dos braços, mas a buscam experimentar em pequenas porções, a partir de cada pequena coisa que a existência lhes proporciona.

No universo delas, a felicidade está em pequenos gestos: em uma partida de futebol com os amigos, em uma brincadeira na rua ou em uma refeição cheia de comidas gostosas etc. Enfim, elas conseguem viver bem cada momento, sendo inteiras (e felizes) em cada fragmento.

Com elas podemos aprender algo? Acredito que aprender a viver com simplicidade sem complicar os fatos, lutando para separar cada coisa e as experienciando uma de cada vez é um concreto caminho para uma boa gerência de tensões (um caminho para a maturidade).

Percebo que uma boa e diária dose de paciência revestida de otimismo, diante de nossa vida e de seus muitos desafios, também nos possibilita bem lidar com nossas frustrações, ensinando-nos a não nos desesperarmos diante das momentâneas derrotas que o dia a dia nos apresentará.

(Extraído do livro “Construindo a felicidade”)

Padre Adriano Zandoná: é missionário da Comunidade Canção Nova. Formado em Filosofia e Teologia, tem quatro livros publicados pela Editora Canção Nova e participação em dois CDs de oração e apresenta o programa “Pra ser Feliz”na TV Canção Nova.

Eliminar os maus vícios da vida purifica a nossa alma



Foto ilustrativa: stevanovicigor / by Getty Images

Os vícios destroem nossa vida

Nossa vida nem sempre está preparada para acolher novidades, projetos novos etc. A vida pode ser comparada a um campo virgem; no momento em que se deseja plantar nele, é preciso prepará-lo bem. O agricultor, que somos nós, prepara o terreno, busca fertilizar a terra e só depois planta os grãos. Enquanto não era fértil, nada nele crescia, mas agora que o terreno é bom, nele também podem crescer sementes de outras plantas que não foram semeadas, que estavam ali antes de o solo ser adubado e que colocam em risco a boa semente. Assim também acontece com um ideal. Ao lado de um ideal, surgem também vícios e hábitos adquiridos antes dele, os quais, se não forem combatidos, acabam por ferir ou mesmo destruir todo o objetivo, todo projeto e, por fim, toda a vida. Não é possível cultivar costumes de naturezas diversas no mesmo campo.

No Evangelho de Mateus (Mt 13), encontramos a parábola do semeador e vemos os riscos que a semente corre para seu desenvolvimento, porque o terreno está cheio de hostilidades. Se os espinhos crescem ao lado da boa semente, podem vir a sufocá-la. O ideal, que é a semente, era boa; a terra era de boa qualidade e fertilizada, mas as pragas do campo terminaram por sufocar a semente. O bom trigo não cresce onde os espinhos não são arrancados. Por isso, se não arrancarmos de nós os hábitos contrários aos nossos projetos, eles acabarão sufocando aquilo que de bom estávamos cultivando.

É persistência

Ao lado de um ideal sempre crescem seus opostos; se algo é exigente, a preguiça e a distração logo se achegam como uma força contrária que impulsiona a abandonar tudo. Podemos ter os melhores projetos e propósitos, mas se não estivermos atentos às vozes contrárias que se insinuam, desorganizam nossa vida e enfraquecem nossas determinações, teremos nosso terreno, onde foi semeado o bom trigo, transformado em um grande matagal de espinhos; pior ainda quando se termina por apenas justificar a infidelidade e abandonar o terreno.
É sempre muito forte em nós um hábito antigo, um vício etc. Se não ficarmos atentos, podemos, depois de ter trabalhado tanto, ter nosso terreno transformado em selva. Imagine tanto tempo e esforço investido em algo que, depois, termina em nada, porque faltou o último esforço. Parecendo com alguém que prepara um bolo e, depois, o deixa queimar no forno, perdendo, assim, os ingredientes e o esforço, ainda sobrando a fôrma para ser lavada.

Ideal de vida


Um exemplo disso nos dá São Paulo (1Cor 9,24-25): “Correi de tal maneira que conquisteis o prêmio. Todo atleta se impõe todo tipo de disciplina. Eles assim procedem para conseguir uma coroa corruptível. Quanto a nós, buscamos uma coroa incorruptível”.

Não se compreende alguém que, desejando um casamento feliz, não procura crescer nas qualidades necessárias para um bom matrimônio e termina por destruí-lo apenas por não ter lutado contra os hábitos incompatíveis a ele. Ou alguém que, num momento de dificuldade, não busca adequar seu jeito de ser ou comportamento, de tal forma que possa superar o problema. A boa disposição deve comportar a capacidade de privar-se daquilo que é menor que o ideal, de tal forma a poder conquistá-lo. Não é possível ficar com a melhor parte de tudo.

Para manter-se fiel e perseverante é preciso ser coerente. Quando se propõe uma meta, um ideal de vida e um crescimento é preciso limpar a alma do vício que lhe é contrário. Interessante que uma gota de veneno em um copo de água limpa torna toda a água um veneno; mesmo a proporção do mal sendo pequena, ele é sempre nocivo. É preciso escolher. Não pode haver incompatibilidade entre os ideais e os meios para atingi-los. Devemos rejeitar tudo que é incompatível com nosso ideal de vida para conseguirmos realizá-lo um dia. Uma vez que se deseja algo também é preciso desejar os meios corretos que conduzem a ele, mesmo que existam incômodos que, se rejeitados, conduziriam o ideal ao fracasso.

Deus os abençoe!

Padre Xavier: Antônio Xavier Batista, sacerdote na Comunidade Canção Nova ordenado em 16 de dezembro de 2007, é formado em Filosofia, Teologia e Mestre em Ciências Bíblicas e Arqueologia pela Pontifícia Universidade Antoniana (Studium Biblicum Franciscanum de Jerusalém). 

Deus criou o homem livre, para que fosse responsável por seus atos




O homem foi criado livre e senhor de seus atos

Deus criou o homem dotado de razão e lhe conferiu a dignidade de uma pessoa agraciada com a iniciativa e o domínio de seus atos. “Deus deixou o homem nas mãos de sua própria decisão” (Eclo 15,14), para que pudesse, ele mesmo, procurar seu Criador e, aderindo livremente a Ele, chegar à plena e feliz perfeição.(1) O homem é dotado de razão e, por isso, é semelhante a Deus: foi criado livre e senhor de seus atos. (2)

I – Liberdade e responsabilidade

A liberdade é o poder, baseado na razão e na vontade, de agir ou não agir, de fazer isso ou aquilo, portanto, de praticar atos deliberados. Pelo livre-arbítrio, cada qual dispõe sobre si mesmo. A liberdade é, no homem, uma força de crescimento e amadurecimento na verdade e na bondade. A liberdade alcança sua perfeição quando está ordenada para Deus, nossa bem-aventurança.

Enquanto não estiver fixado definitivamente em seu bem último, que é Deus, a liberdade comporta a possibilidade de escolher entre o bem e o mal, de crescer em perfeição ou definhar e pecar. Ela caracteriza os atos propriamente humanos. Torna-se fonte de louvor ou repreensão, de mérito ou demérito.

Quanto mais pratica o bem, mais a pessoa se torna livre. Não há verdadeira liberdade a não ser a serviço do bem e da justiça. A escolha da desobediência e do mal é um abuso de liberdade e conduz à “escravidão do pecado”. (3)

A liberdade torna o homem responsável por seus atos à medida que forem voluntários. O progresso na virtude, o conhecimento do bem e a ascese aumentam o domínio da vontade sobre seus atos.

A imputabilidade e a responsabilidade de uma ação podem ficar diminuídas ou suprimidas pela ignorância, inadvertência, violência, medo, hábitos, afeições imoderadas e outros fatores psíquicos ou sociais.

Todo ato diretamente querido é imputável a seu autor: “Assim, o senhor pergunta a Adão após o pecado no jardim: ‘O que fizeste?’ (Gn,3,13). O mesmo pergunta a Caim. (4) A mesma mulher de Urias e o assassinato deste”. (5)

Uma ação pode ser indiretamente voluntária quando resulta de uma negligência relacionada a alguma coisa que deveríamos saber ou fazer. Um exemplo: um acidente ocorrido por ignorância do Código de Trânsito.

Um efeito pode ser tolerado sem ser querido pelo agente, por exemplo, o esgotamento da mãe à cabeceira de seu filho doente. O efeito ruim não é imputável se não foi querido nem como fim nem como meio de ação, como poderia ser o caso de morte sofrida por alguém quando tentava socorrer uma pessoa em perigo. Para que o efeito ruim seja imputável, é preciso que seja previsível e que o agente tenha a possibilidade de evitá-lo, como, por exemplo, no caso de um homicídio cometido por motorista embriagado.

A liberdade se exerce no relacionamento entre os seres humanos. Toda pessoa humana, criada à imagem de Deus, tem o direito natural de ser reconhecida como ser livre e responsável. Todos devem, a cada um, essa obrigação de respeito. O direito ao exercício da liberdade é uma exigência inseparável da dignidade da pessoa humana, sobretudo em matéria moral e religiosa. (6) Esse direito dever ser reconhecido civilmente e protegido nos limites do bem comum e da ordem pública. (7)

(1) Gaudium et Spes
(2) Santo Irineu
(3) Rm 6,17
(4) Gn 4,10
(5) 2Sm 12,7-15
(6) Dignitatis Humanae 2
(7) Dignitatis Humanae 7


Padre Anderson Marçal: é padre da Igreja Católica Apostólica Romana. Natural da cidade de São Paulo (SP), padre Anderson é membro da comunidade Canção Nova desde o ano 2000. No dia 16 de dezembro de 2007, foi ordenado sacerdote. Estudou Teologia Pastoral Bíblica-Litúrgica na Universidade Salesiana de Roma.

14 de julho de 2018


A diferença entre gestos de amor e carência afetiva





Saiba identificar a diferença entre gestos de amor e carência afetiva

Quem de nós nunca se viu perdido frente a um sentimento? Essa é uma das grandes lutas do ser humano: aprender a amar de verdade. Até que ponto meu sentimento é equilibrado nesse relacionamento? Estou amando ou estou só preenchendo minha carência?

Quando amo, minhas ações e atitudes surgem impulsionadas pelo desejo de doar-me, de construir o outro, mesmo que isso exija muito de mim. A felicidade do amar está em dar-se e perceber que, ao me dar, sou mais completo. No amor verdadeiro, não há posse nem ciúme, pois, o outro não é meu domínio, não há isolamento.

O amor não exige resposta, não é determinado pelo que se recebe em troca. O amor é gratuito, não precisa ser pago, por isso posso amar, mesmo quando o outro não merece, e posso perdoar quando o outro não consegue responder com amor. O amor me faz fiel, confiável, solícito, paciente e bondoso; ele inclui o outro na minha verdade, na minha intimidade, sem exigir exclusividade ou permanência eterna. Só o amor verdadeiro nasce da liberdade.

Carência afetiva

A carência afetiva é uma tentativa de autopreenchimento. Por me sentir necessitado, sou impulsionado a buscar no outro o que me falta. Meus gestos bons, meu esforço para acertar, são uma forma de conquista e troca, para que receba em retorno carinho, simpatia, reconhecimento, elogios e intimidade. Quando consigo fazer com que alguém se torne próximo, quero garantir essa relação para que sempre tenha essa fonte de contato para mim.

A carência é ciumenta, tenta exclusividade por meio do isolamento; ela é uma forma de usar o outro, roubando a liberdade de todos os envolvidos. Num relacionamento carente, acontece o vício do outro, a dependência. Minha felicidade fica condicionada a outra pessoa.

Sei que, parece muito infantil essa descrição da carência, mas quero lhe dizer que todas as pessoas precisam equilibrar, todos os dias, seus sentimentos. A tendência (concupiscência), por eu ser marcada pelo pecado, é agir de acordo com as carências que carrego. Ninguém está totalmente estável em seus afetos. Todas as pessoas têm cicatrizes de desamor, de abandono e decepção, todas são carentes. Isso me lembra que sou humana, que não sou completa, por isso preciso saciar constantemente minha carência na Fonte verdadeira de amor. Mesmo com a experiência verdadeira do Amor de Deus, essas cicatrizes ficam em mim.

Reconhecer que minha necessidade é contínua faz-me ver que não estou livre de errar em meus afetos. Todos os dias, posso errar ou acertar, posso usar do outro ou me doar. O que vai determinar isso é o quanto estou saciado em Deus.

A importância do perdão

Relacionamentos bons, podem se tornar desequilibrados ao longo do tempo. Após um momento de me deixar guiar por minhas carências, posso me redimir por meio do perdão, posso retomar o caminho de doação sem cobrança. A graça de Deus tem força e capacidade para superar e suprir todas as minhas carências, e assim, me tornar livre para amar de verdade. Mas, a graça é para o hoje. A graça de Deus não altera o ontem, não me dá carga extra para o amanhã. Ela é para o agora! É como um copo furado, que é totalmente preenchido, mas, como tem um ponto de esvaziamento, é necessário encher frequentemente.

A cada atitude minha, preciso perguntar: faço isso por que quero uma recompensa ou por que quero me doar? Se não recebesse algo bom em troca, ainda agiria assim?

Reconhecendo que sou necessitada, vejo-me dependente de ter a experiência verdadeira de amor com Aquele que é sua origem e fonte inesgotável. Só quem se sacia frequentemente em Deus pode amar de verdade. Ele me recompensa!

Roberta Castro:  é Ginecologista e especialista em terapia familiar. Coordenadora do Ministério de Música e Artes da Renovação Carismática Católica no Estado do Espírito Santo. Escritora pela editora Canção Nova