A Palavra de Deus

A Palavra de Deus

DOPAS

DOAÇÃO, ORAÇÃO, POBREZA, ALEGRIA E SIMPLICIDADE

4 de março de 2011

SE TE PERMITISSEM UM DESEJO.

Se te permitissem um desejo
Uma noite aprazível, estrelada.
Caminho sem pressa com meu filho Carlo pelas ruas silenciosas e sombrias. Conversamos...
Quando a conversa pára com a interrupção das palavras, tenho a sensação de que este silêncio, em Carlos e em mim,é ocupado pela lembrança de Martinho.

Um dos dois solta a pergunta:
- Se te permitissem um desejo, o que pedirias?
Sem a menor hesitação, apresso-me em responder:
- Que Martinho retorne, para abraçá-lo, senti-lo vivo, vê-lo sorrir!
Carlos demora um pouco e diz:
- Eu pediria para falar com ele. E se ele dissesse para mim:
"Aqui onde estou agora é melhor que em minha vida anterior,
não lhe pediria que voltasse...

Eis dois modos de sentir duas pessoas que quiseram e
querem ansiosamente reencontrar um ente querido ausente.

Há sem dúvida uma diferença enorme entre o amor possessivo, que se outorga o direito de desfrutar da presença da pessoa amada, e o amor não possessivo. Este último só procura a felicidade do outro,
mesmo que não lhe seja possível partilhar dela.

O amor não-possessivo é difícil, muito difícil, porém saudável.
Será que um dia conseguirei alcançá-lo? Um amor assim, tão altruísta, poderei dedicá-lo a Martinho, ou a alguma outra pessoa.
Custará muito, mas tentarei.
E sei que serei feliz ao alcançá-lo, mesmo que muitos não o compreendam... 

Carlos J. Bianchi

ONDE ESTÁ O CÉU?

Meu filho, 
Tu me perguntas agora onde está o céu... 
O sábios nos dizem que ele fica mais além do nascimento e da morte, e que não é perturbado pelo ritmo do dia e da noite, e que não pertence a este mundo. 

Mas o teu poeta sabe que a fome eterna do céu é por espaço e tempo, e que ele sempre luta para renascer do chão que explode em frutos. 

O céu brota em teu doce corpo, meu filho, e palpita em teu coração. 
Tagore

FAZER E PERDER AMIGOS.

Esses dias chegou-me um bilhete de um casal amigo. O bilhete dizia: -" O carinho é o mesmo, mas faz quinze anos que sumimos um do outro. Quando passar por aqui tire um dia em honra da nossa amizade que nunca diminuiu!" Telefonei e irei. Já têm três netos e eu nem sabia! 
Já ganhei amigos que não merecia e perdi amigos que não desejaria ter perdido. Alguns, por culpa minha, outros por culpa deles. Eu fiz certo, mas eles acharam que não fiz. Em outros casos achei que fazia certo, mas fiz errado. Não me quiseram mais entre eles. 
Tive amigos de infância que não prosseguiram como amigos de adolescência ou de juventude. Alguns de meus amigos de juventude não permaneceram comigo na idade adulta. Agora que chego quase aos setenta anos, percebo que muitos amigos de três a quatro décadas não mais me telefonam. Nem eu a eles. Algum laço se rompeu. E não foi nem inimizade. Parecemos continentes que se separaram com o movimento das placas tectônicas da vida. 
Na verdade, poucas amizades duram a vida inteira. A maioria delas perde a impulso. Esses dias, encontrei dois velhos amigos de muitas décadas. Perguntamo-nos o que houve que não mais tivemos tempo nem de telefonar. Os dois lados não sabiam por quê. Um deles, americano, usou a palavra we drifted apart: boiamos para longe... Foi o que houve. As águas do tempo nos foram levando e esquecemos de remar contra a corrente para nos vermos mais vezes. 
Amigos de longa data de repente foram embora e até hoje não sabemos por quê. Outros foram e quando nos vimos depois de 30 anos a amizade ainda era a mesma. Muitos de meus jovens precisaram da ausência para descobrir o que quanto fui importante na vida deles e eles na minha. Outros nunca perderam o contato. Colegas sacerdotes que conheço há cinqüenta anos permanecem grandes amigos, mesmo se faz dez que não nos vemos. 
Isso de fazer e de perder amigos tem a ver com a atenção e o porquê. Às vezes ficamos desatentos e lá se vai o amigo. Às vezes ele perdoa. Ás vezes nós perdoamos os meses ou anos de telefonemas não dados. Há mais do que telefone nestes laços. 
Há amigos pais, amigos filhos, amigos irmãos e amigos-amigos. Sem alguns, eu não saberia viver. Doeria demais. Nem eles vivem sem mim. Mas há outros cujo silêncio não doeu, mas nem por isso deixamos de nos querer bem. É mistério. Há amizades duradouras que nunca foram profundas. Há amizades profundas e duradouras. Há outras que duraram pouco. E há outras que não admitimos nem mesmo a hipótese de perder. Entraram na alma. 
Uma coisa, porém, é certa. Trocar e substituir amigos, nunca! Não é porque arranjamos novos amigos que descartaremos os de ontem. O coração tem que ter lugar para outros mais. Amigo algum poderá ocupar o trono do outro, nem mesmo do que se foi e nos deixou sem uma palavra e um porquê. O lugar dele fica, à espera de sua volta, mesmo que nunca mais volte. 
Isso de ser amigos é mistério. Nem Ágape, nem Eros nem Filia explicitam. É algo indefinível. Gostaríamos de não amar, mas amamos. E daí? Não os pedimos, mas vieram. Acho que Deus algo a ver com isso! Alguns amigos, por mais que briguemos foi Deus quem os deu. E dom de Deus a gente não desperdiça! 
Padre Zezinho scj

26 de fevereiro de 2011

EVANGELHO DO DIA.

Dia Litúrgico: Domingo VIII (A) do Tempo Comum (27/02/2011)

Evangelho (Mt 6,24-34): «Ninguém pode servir a dois senhores: ou vai odiar o primeiro e amar o outro, ou aderir ao primeiro e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro! 
»Por isso, eu vos digo: não vivais preocupados com o que comer ou beber, quanto à vossa vida; nem com o que vestir, quanto ao vosso corpo. Afinal, a vida não é mais que o alimento, e o corpo, mais que a roupa? Olhai os pássaros do céu: não semeiam, não colhem, nem guardam em celeiros. No entanto, o vosso Pai celeste os alimenta. Será que vós não valeis mais do que eles? Quem de vós pode, com sua preocupação, acrescentar um só dia à duração de sua vida? Não trabalham, nem fiam.
»No entanto, eu vos digo, nem Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um só dentre eles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje está aí e amanhã é lançada ao forno, não fará ele muito mais por vós, gente fraca de fé? Portanto, não vivais preocupados, dizendo: ‘Que vamos comer? Que vamos beber? Como nos vamos vestir?’ Os pagãos é que vivem procurando todas essas coisas. Vosso Pai que está nos céus sabe que precisais de tudo isso. Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo. Portanto, não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá sua própria preocupação! A cada dia basta o seu mal».

Comentário do Evangelho: Não vivais preocupados quanto à vossa vida
Hoje, Jesus, recorreu a metáforas tomadas da natureza, próprias do seu entorno nas terras mais férteis da Galileia, onde passou sua infância e sua adolescência —os lírios do campo e os pássaros do céu— nos lembram que Deus Pai é providente e que, se vela pelas suas criaturas mais débeis, tanto mais o fará pelos seres humanos, suas criaturas prediletas (cf. Mt 6,26.30). 
O texto de Mateus é de um caráter alegre e otimista, onde encontramos um Filho muito orgulhoso do seu Pai porque este é providente e vela constantemente pelo bem-estar da sua criação. Esse otimismo de Jesus não somente deve ser o nosso para que nos mantenhamos firmes na esperança —«Não vivais preocupados» (Mt 6,31)— quando surgem as situações duras em nossas vidas. Também deve ser um incentivo para que nós sejamos providentes num mundo que necessita viver o que é a verdadeira caridade, ou seja, o oferecimento do amor em ação. 
Geralmente, nos dizem que temos de ser os pés, as mãos, os olhos, os ouvidos, a boca de Jesus em meio do mundo, mas, no sentido da caridade a situação e ainda mais profunda: Temos de ser isso mesmo, mas do Pai providente dos céus. Os seres humanos estamos chamados a fazer realidade essa Providência de Deus, sendo sensíveis e acundido em auxílio dos mais necessitados. 
Em palavras de Bento XVI, «Destinatários do amor de Deus, os homens são constituídos sujeitos de caridade, chamados a fazerem-se eles mesmos instrumentos da graça, para difundir a caridade de Deus e tecer redes de caridade». Mas, também lembrou-nos o Santo Pai que a caridade tem que ir acompanhada da Verdade que é Cristo, para que não se transforme num mero ato de filantropia, despojada de todo o sentido espiritual cristão próprio dos que vivem segundo nos ensinou o Mestre.

NÃO SE CONTENTE EM VIVER A VIDA "NO MAIS OU MENOS"

É preciso muito pouco para sermos felizes. Mas, nesse pouco, precisa haver fidelidade. Muitas vezes, falamos: “Eu não quero ir para a Igreja porque existem muitas pessoas falsas lá”. Existem pessoas falsas em todos os lugares! Na sua casa, no seu trabalho...
Não se escandalize com os erros das pessoas, nem as cobre por isso. Elas erram, você erra, é comum isso acontecer para aprendermos. Na nossa fé, o maior não é o que tem o título mais poderoso. Qual caminho você quer? Da fama? Da glória? Do reconhecimento das pessoas? Ou você quer ser feliz na simplicidade?
A pessoa que hoje sofre por amor ao Nosso Senhor será por Ele exaltada. Não há progresso na vida espiritual sem esforço. A pessoa que não sai de si, não cresce. Deus não pode ajudar quem não quer ser ajudado.
Nossa vida não muda se fizermos todos os dias as mesmas coisas, da mesma maneira. Não seja preguiçoso, confie na graça de Deus e seja feliz! A graça, sem esforço, não encontra onde agir. O esforço, sem a graça, também não surte efeito.
Não podemos passar a vida inteira nos escondendo por medo de fracassar. A vida é única! Tente, lute e, se precisar, fracasse. A pessoa que não tenta não fracassa naquilo que faz, mas naquilo que é. O fracasso nos ensina, nos dá experiência.
Não tenha medo do que os outros vão achar de você. A vida é sua e ninguém pode vivê-la no seu lugar. Vale a pena, sim, ouvir os conselhos das pessoas que nos amam e receber as críticas positivas. Entretanto, precisamos filtrar o que ouvimos porque muita gente tenta nos derrubar.
Quem quiser amar a vida e ser feliz, precisará ser zeloso do bem. O que é ser zeloso? Zelo é unir esforço e talento. Uma pessoa que é talentosa, porque se esforça, é zelosa. Não dá para se contentar em viver a vida no “mais ou menos”.
A gente quer a sabedoria, mas não quer o sofrimento. As duas coisas estão ligadas. Aprendemos a viver vivendo! A pessoa preguiçosa tenta procurar atalhos em tudo. Vá pelo caminho mais longo, pague o preço, mas faça o certo. Aquele que se humilhar e se esforçar será exaltado, lembre-se sempre disso. Amém! 
Márcio Mendes
Missionário da Comunidade Canção Nova

AÇÃO DE GRAÇAS PELAS ESTAÇÕES DO ANO.

Louvado seja, Pai Celeste pelo ciclo 
das estações do ano. 
Louvado seja, meu Senhor, pelo calor que 
aquece a Terra no verão, pelas trovoadas 
e a brisa que suaviza e pela abundância 
das águas nos rios, lagos e riachos. 
Louvado seja, Mestre, pelos pomares 
risonhos e cheios de frutos no outono. 
Pelas árvores frutíferas, pelas raízes 
férteis e pelas folhas que caem. 
Pelo orvalho que umedece e 
grama em dias nublados. 
Louvado seja, Deus da vida, pelo 
frio que se estende no inverno. 
Pela neve e pelo vento que sopra na geada. 
Pelo tímido arco-íris com suas belas 
cores no infinito. 
Louvado seja, Deus onipotente, pela 
estação feminina da primavera. 
Pelas flores nos jardins com 
suas pétalas coloridas. 
Pela nostalgia dos pássaros e o 
vôo das borboletas. 
Louvado seja, Deus do Universo, por criar 
tantas maravilhas no esplêndido cenário 
das estações do ano. 
Luizinho Bastos