A Palavra de Deus

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DOPAS

DOAÇÃO, ORAÇÃO, POBREZA, ALEGRIA E SIMPLICIDADE

14 de março de 2016

O tribunal da misericórdia

O tribunal da misericórdia

No tribunal da misericórdia a sentença é sempre o perdão

Regras bem definidas conduziam o julgamento de pessoas acusadas de crimes considerados de extrema gravidade. É o caso da mulher apanhada em adultério (Jo 8, 1-11). A cena se abre numa área aberta do templo, a turba se reúne e quer ver sangue, quem sabe a projetar seus próprios traumas ou até culpas escondidas. São autoridades abalizadas a conduzir a pecadora pública e Jesus está presente, após a festa das tendas (Cf. Jo 7, 1-52). É bom saber que o pano de fundo é um outro julgamento em curso, no qual o alvo é o próprio Jesus. Qualquer gesto ou palavra será usado contra ele. Sabemos que algum tempo depois, do alto da cátedra da Cruz, ele mesmo se torna o juiz da história.
Por enquanto, acompanhemos a cena do julgamento da mulher adúltera. Trata-se de assunto ligado à família e alçado às relações sociais e à religião, pois a Escritura contém normas e leis que regulam toda a convivência humana (Cf. Dt 22.22; Dt 31.10; Lv 15.16,19; 18.6, 22,23; Js 8.35). O adultério é considerado crime hediondo e a mulher é a parte mais fustigada em tais situações. Armou-se o tribunal.

As normas eram claras e a mulher fora “apanhada em adultério”. Nem sabemos por onde estaria andando a outra parte envolvida no crime! Juízes são os mestres da lei e outras pessoas revestidas de autoridade. Dá para ver que as provas, ainda que contundentes, foram interesseiramente recolhidas. Chama-se em causa o próprio Moisés, cujo nome remete à lei. Sabemos que muitos acréscimos foram feitos e seu nome era aposto como assinatura a tantas práticas que beiravam o absurdo. Questões de decadência na prática jurídica, espertezas de tantos que, desde aquele tempo, sabem manipular as normas escritas ou orais!

Todos somos apresentados no tribunal aberto em praça pública na história do mundo

Do ponto de vista das práticas correntes, tudo perfeito e preparado para uma provocação àquele que entrava na história sem nela estar envolvido, justamente quem se apresentava como enviado de Deus, para escândalo de muita gente. Cumprir a lei ou saltar uma de suas normas mais claras? O impasse está criado e o tribunal deve decidir depressa! Como resolver a questão? Aqui o protagonismo de Jesus se manifesta, sorrateiramente aos olhos de alguns! Escrever no chão, nem sabemos que frases ou palavras, a única vez em que os evangelhos no-lo apresentam em tal atividade, até porque ele é “a” Palavra feita Carne e não “palavra escrita”. Escreveu sobre a areia e logo tudo foi apagado.

Chega o momento da contraprova! Depressa, cumpra-se a lei, mas “quem entre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”! Sabedoria daquele que é mais sábio do que Salomão! (Cf. Mt 12, 38-42) Um a um, todos se retiram, a começar pelos mais velhos! A sessão do tribunal foi interrompida, sem que o juiz tivesse que bater o martelo! O novo juiz está sozinho, diante da mulher: “Ninguém te condenou? Eu também não te condeno. Podes ir e, de agora em diante, não peques mais!”

Um salto no tempo! Todos nós, muito ou pouco, somos apresentados diante do tribunal aberto em praça pública na história do mundo. Faz-se necessário, por honestidade de princípio, que saibamos ser pecadores da lista que quisermos fazer dos pecados de todas as gerações. “Eu sou o primeiro pecador” é a confissão honesta de cada pessoa em tempo de Quaresma. É a declaração do Apóstolo: “É digna de fé e de ser acolhida por todos esta palavra: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o primeiro. Mas alcancei misericórdia, para que em mim, o primeiro dos pecadores, Jesus Cristo mostrasse toda a sua paciência, fazendo de mim um exemplo para todos os que crerão nele, em vista da vida eterna” (1 Tm 1, 15-16).

No tribunal, calem-se todas as vozes acusatórias e resplandeça o silêncio dos olhares agora transfigurados em misericórdia! Esta é a grande virada do jogo da vida. Ninguém se arvore em presunção de inocência, todos tenham coragem de bater no peito e se reconheçam pecadores, frágeis, mas… amados! Este é o segredo! Ao pecador chegue o olhar daquele cujos dedos só escrevem pecados na areia, mas gravam na rocha de seu amor infinito a gratuidade do perdão e da acolhida benevolente.

É preciso apresentar a lista das misérias para serem queimadas no tribunal da misericórdia

Venham para a praça da vida todas as pessoas machucadas pela sua própria história, ou tantas outras acusadas de crimes de toda espécie para chegar até os pecadilhos escondidos! Comecem o exame de consciência olhando para a luz de Deus e não apenas para o espelho, pois este pode estar turvo de complexos e traumas acumulados com o tempo. Tragam todos a lista de suas misérias, deixando que sejam queimadas na fornalha do amor misericordioso, no júbilo do Ano Santo.

Só existe uma condição indispensável, a sinceridade e a honestidade diante de Deus. Abatam-se as barreiras da vaidade, da dissimulação e do orgulho. Desmontem-se todas as pretensões de inocência ou as muitas justificativas dos erros cometidos, pois é o tempo da verdade que liberta (Cf. Jo 8, 32).

Este é o caminho da reconciliação com Deus e a Igreja. Existe uma oferta de amor, disponível para todos. É Sacramento da Penitência. Alguns gostam de chamá-lo Tribunal da Penitência, mas a sentença é sempre o perdão. Estão abertas suas portas em nossas igrejas! Para testemunhar seu valor, em dias recentes foi estampada mais uma vez a imagem do Papa Francisco diante de um confessor na Basílica de São Pedro. O sucessor de Pedro, que repetidas vezes se declara pecador e carente da misericórdia de Deus, como todos nós, puxou a fila dos penitentes, certamente acompanhado de uma multidão interminável que, aqui e em outras paragens, começa a sair dos intrincados novelos do pecado para abrir-se à graça, ouvindo com alegria: “Eu também não te condeno. Podes ir e, de agora em diante, não peques mais” (Jo 8, 11).
Dom Alberto Taveira Corrêa - Arcebispo da Arquidiocese de Belém – PA.

8 de março de 2016

A nobre realização da alma feminina

A nobre realização da alma feminina

Foto: pixdeluxe, iStock by getty images

Quando conseguimos compreender qual é a realização da alma feminina assumimos nosso papel

A maioria de nós mulheres anseia por ser vista como princesa e traz na alma o anseio de ser verdadeiramente amada, admirada e compreendida como é. Viver um romance, uma aventura e encontrar um príncipe “encantado” também faz parte dos nossos desejos mais profundos. Porém, já está provado que a vida, apesar de bela e surpreendente, não é um conto de fadas. Trabalho, escola, família, viagens, agenda, amigos, casa e tantas outras coisas movimentam nossa vida o tempo inteiro, fazendo-nos até pensar: será que existe um lugar onde meus sonhos se realizam e onde eu posso ser eu mesma, sem me preocupar em dividir-me em mil para cumprir meu papel?

Até que chega o dia em que você faz uma grande e definitiva descoberta: seu coração de mulher, cheio de mistérios, sonhos e anseios tem uma comunhão profunda com o coração de Deus! Então, você aprende a relacionar-se com Ele como sendo o grande amor da sua vida, e tudo que você vive a partir disso ganha um novo sentido. Deus mesmo se encarregará de proporcionar, a cada manhã, novas experiências e oportunidades inesperadas para revelar ao mundo a beleza do seu coração de mulher com tudo que ele traz na essência. O mais importante é que você não mais se sentirá sozinha nem incompreendida, pois Deus, que a criou com todos esses anseios, ama-a profundamente do jeito que você é e está ao seu lado aconteça o que acontecer.

Particularidades do instinto feminino

Neste dia, você descobre que ser mulher não é qualquer coisa, mas é um dom, um desígnio do Criador. E como todo dom trás em si uma tarefa, a sua é, segundo São João Paulo II, “enriquecer a compreensão do mundo e contribuir para a verdade plena das relações humanas”. Isso porque uma mulher temente a Deus consegue transmitir, com sua vivência, um sentido mais suave às realidades duras que a humanidade inevitavelmente enfrenta. Pois é próprio do instinto feminino amenizar a dor, incentivar, dar conselhos, acolher e lutar por aqueles que ama, tornando tudo mais suave com sua ternura.

A realização da alma feminina

Quando conseguimos compreender bem isso e assumimos nosso papel, muitas coisas podem mudar. Começamos por considerar que não podemos encontrar a felicidade fazendo muitas coisas, adquirindo bens materiais, fama e status. A realização da alma feminina está justamente no amar, ou seja, na doação de si mesma para o bem comum, e aqui merece destaque especial a maternidade, que é uma das formas mais originais e profundas de doação. O coração de uma mãe tem muitas semelhanças com o coração de Deus, por isso é uma das obras mais sagradas que existe no mundo. Mas em geral, Deus deu a cada mulher uma feminilidade que é cativante, poderosa e terna, humana e divina; e quanto mais a exercermos, mais nos sentiremos realizadas, felizes e próximas d’Ele.

Por isso, acredito que viver de acordo com a nobreza da nossa vocação feminina pode ser hoje a forma mais original de encontrar esse lugar dos nossos sonhos: o coração de Deus. Nele, nós podemos ser quem somos sem culpa nem dor. Por Ele somos eleitas, amadas e admiradas com tudo que trazemos na alma, pois foi assim que Ele nos criou.
Dijanira Silva - missionária da Comunidade Canção Nova, atualmente reside na missão de São Paulo. Apresentadora da Rádio CN América (SP). 

A importância de dizer não na educação dos filhos

A importância de dizer não na educação dos filhos

Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Por que os pais de hoje têm tanta dificuldade de dizer ‘não’ para seus filhos?

Percebo que os pais, sem saber, têm criado uma geração de crianças intolerantes e doentes emocional e biologicamente.

A estratégia de substituir a ausência dos pais e o “medo” que os adultos têm do mundo os levam a se comportarem de uma forma “errônea”, conduzindo seus filhos a um mundo onde “tudo pode”. Criam pequenas bolhas para os filhos morarem e oferecem a eles um pequeno mundo que pode lhes ser frustrante quando se tornarem jovens e adultos, pois verão que o mundo não é como eles desejam e que as coisas nem sempre acontecem conforme a vontade deles.

Vejamos: A criança nasce como uma folha em branco, sem conhecimento de regras, sem saber o que é bom ou ruim. A responsabilidade que recai sobre os pais é ensinar aos filhos tais realidades. Até aqui tudo bem, a questão que se vivencia atualmente que é o “problema”.

É bom dar tudo o que a criança deseja?

Nós adultos estamos sabendo lidar com o mundo, com as dificuldades e frustrações que são vivenciadas nele sem que isso reflita nos filhos? Tudo o que o adulto faz, a criança observa atentamente para reproduzir não só no futuro, mas também no presente. É muito comum a criança desejar tudo o que vê; então, eu lhe pergunto: cabem no orçamento tais desejos? Se a resposta for ‘não’, por que então dar o ‘sim’ à criança! Se, no entanto, a resposta for ‘sim’, eu o questiono: será bom dar tudo o que ela deseja? Que tipo de benefício essa criança terá?

Se formos olhar as vontades de uma criança, ela comerá doces, lanches e petiscos o dia todo, logo pedirá a seus pais ou cuidadores que lhe ofereçam esses alimentos, pois é agradável ao paladar dela, são produzidos para ela.

Não digo que nunca devemos dar esse tipo de alimento aos nossos filhos, mas é importante equilibrar a alimentação deles, para que não haja o prejuízo futuro de uma doença como diabetes, colesterol alto e tantas outras. A obesidade, por exemplo, pode ser vivida não só na fase adulta, mas também precocemente na infância.
Chorar um pouco não causará nenhum processo traumático

O ‘não’ à criança, quando ela pede um alimento que poderá prejudicá-la, seja pelo seu excesso, o horário inoportuno ou até por não ter como comprá-lo, pode levá-la a uma pirraça inicial, mas tenha a certeza de que esta não durará mais que 30 minutos e não causará nenhum processo traumático.

Outra área que os pais têm dificuldade de dizer ‘não’ é em relação aos brinquedos. Existem mães que, pelo simples fato de trabalharem o dia todo fora de casa, sentem a necessidade de trazer um brinquedo novo ao fim de todos os dias para dar ao filho. Presentear sempre é bom, mas é preciso ter datas para isso: aniversário, Dia das Crianças, Natal e uma eventualidade ou outra. Frequentemente? Certifique-se de que é mesmo necessário.

A mídia oferece um mundo de brinquedos e todas as crianças os desejam. Mas os adultos precisam atender sempre a todos os pedidos? “O que vem fácil vai fácil.” Já ouviu esse ditado? É verdadeiro! Os brinquedos perdem a graça rapidamente e logo são deixados de lado, abandonados por surgir o desejo de obter outro. Pensem que as crianças, muitas vezes, estão apenas reproduzindo um padrão da vida adulta. Assim é feito com celular, roupas, sapatos, perfumes e tantos outros bens que são usados quase que de forma descartável na vida adulta.

A criança vê um exemplo, recebe o estímulo e logo o reproduz. E ela não só reproduz essa vida capitalista, como também pode reproduzir atos ainda mais graves. Se uma pessoa bate o carro, fica estressada e nervosa, logo acende um cigarro para descarregar todo seu processo ansioso, sua raiva e frustração pelo acidente em uma tragada. Assim, pode acontecer quando uma criança vê seu pai chegando do trabalho às sextas-feiras, cansado e esgotado por sua jornada de trabalho e falar: “Hoje, vou beber! Eu mereço, preciso aliviar meu estresse; afinal, é sexta-feira!”. Esses dois cenários descritos são simples, mas são o que as crianças têm visto, aprendido e, por vezes, reproduzido. Quando elas assistem a essas cenas, aprendem que para lidar com as frustrações, com as exigências e cansaço que o mundo apresenta é preciso usar de artifícios externos, como drogas lícitas, para conseguir sobreviver.

Medo de ser rejeitado pelos filhos

Qual benefício esse ser humano ganha quando lhe é apresento o mundo dessa forma? Qual o mal disso? Se a criança não aprender a lidar com os ‘nãos’ e com as frustrações, quando crescer, usará os mesmos mecanismos que os adultos lhe apresentaram para “suportar” as dificuldades do mundo. Pode ser que usem, com mais intensidade que os pais, drogas lícitas e até ilícitas. Talvez não saibam conviver com pessoas, pois não saberão lidar com os possíveis ‘nãos’ que elas lhe darão, e assim por diante.

É impossível traçar a vida de uma criança e dizer em que ela se tornará. Mas tenha uma certeza: dizer ‘não’ pode salvá-la e auxiliá-la a ser uma grande pessoa quando crescer. Não tenha medo dos seus medos. Os ‘nãos’ que muitos adultos têm medo de dar aos filhos são por medo de serem rejeitados ou por quererem dar aos pequenos tudo o que não tiveram. Enfrente sua história, seus medos, diga ‘não’ a você e a seus filhos e verá que muita coisa vai mudar!
Aline Rodrigues -  é psicóloga há 10 anos, pós-graduada em Psicanálise Aplicada à Saúde Mental com formação em transtornos alimentares e MBA em gestão de pessoas.  é missionária do segundo elo da Comunidade Canção Nova.

Como posso ter esperança de que o futuro será melhor?

Como posso ter esperança de que o futuro será melhor?

Foto: g-stockstudio, iStock by getty images

Como ter esperança diante das perspectivas frustadas?

Dizer que “enquanto vivermos haverá desafios, mas com coragem para enfrentá-los vamos vencer” seria desnecessário, pois o próprio Jesus já falou a esse respeito há mais de dois mil anos: “No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo” (Jo 16,33).

No entanto, há momentos em que as perguntas ganham força e influenciam diretamente nossa vida. O que fazer, por exemplo, diante das perspectivas frustadas, quando os sonhos parecem cada vez mais distantes, quando as perdas parecem maiores que os ganhos e os erros superiores aos acertos?

O que fazer quando você olha para trás e tem a sensação de que fez tudo errado e ninguém mais acredita em você? Ou pior, quando até você deixou de acreditar em si mesmo? As perguntas são inevitáveis, mas as respostas demoram a chegar. O fato é que quando passamos por momentos difíceis, geralmente não conseguimos enxergar a ação de Deus nos acontecimentos. Falta-nos forças para orar e ver além dos nossos sentimentos feridos; por isso é difícil acreditar que milagres podem acontecer. As inúmeras perguntas têm a mesma raiz, falta de esperança, falta de fé.

Deus espera uma chance para mudar sua vida

Nessa hora, talvez até você já tenha pensado se vale mesmo a pena continuar ou, então, questionado-se qual é o sentido da vida e se ainda existe uma esperança. A resposta, no entanto, não está ao alce de uma pesquisa na internet, por exemplo, ela está dentro de você e tem um nome: Deus! Ele ainda acredita em você! Sim, Deus não desistiu de você e continua ao seu lado esperando uma chance para mudar sua vida. Ele acredita no seu potencial, na sua capacidade de amar, de superar, dar mais um passo na direção dos sonhos que Ele mesmo plantou em seu coração deste o primeiro momento de sua existência. Deus sonha com você e deseja sua felicidade. “Sei muito bem do projeto que tenho em relação a vós, oráculo do Senhor! É um projeto de felicidade, não de sofrimento: dar-vos um futuro, uma esperança!” (Jer 29,11)

Portanto, mesmo que hoje você esteja sem esperança, levante a cabeça, olhe para o céu e pense em Deus como um Pai bom e amoroso que está agora ao seu lado.

E já que Deus acredita em você, acredite você também e deixe-se conduzir pela força do bem que habita sua alma. Nesse processo de vida nova, procure não culpar ninguém! Lembre-se de que nós somos pessoas livres e o que nos acontece é resultado de nossas escolhas. Não caia na tentação de culpar as pessoas e se eleger como vítima, isso só atrapalha a obra nova que Deus quer lhe proporcionar. Procure reconstruir sua história sempre a partir da verdade, pois quando você a acolhe, faz uma grande descoberta: percebe que é capaz de amar e começa a amar concretamente mesmo na dor.

Eu sei que não é fácil mudar a forma de pensar e agir, mas é importante lembrar que é possível com a graça de Deus. Não desista! Você pode ter esperança de que seu futuro será melhor, porque Deus acredita em você!
Dijanira Silva - missionária da Comunidade Canção Nova, atualmente reside na missão de São Paulo. Apresentadora da Rádio CN América (SP).

Quer fazer um projeto de vida?

Quer fazer um projeto de vida?

Foto: eternalcreative, iStock by getty images
Já pensou fazer um projeto de vida? Sempre é tempo

Proponho um novo projeto para você. Um que você seja capaz de cumprir e sentir-se realizado por chegar ao fim com suas vitórias. Vamos lá?

Antes de saber o que projetar, é preciso saber as áreas a serem projetadas, pois pode não ser atingindo nenhum objetivo se as metas forem muito amplas.

As áreas a serem projetadas são:

Relacionamento

Como estão suas relações, o que tem gerado desconforto em sua casa? Você tem sido boa mãe, bom pai, corrigido, amado, sendo presença na vida de sua família ? O que pode ser feito para melhorar esses relacionamentos?

Você tem sido um bom filho para seus pais, deixando-os exercer o papel de pais e não querer ser os pais deles? Reflita e determine o que você precisa fazer para melhorar essas relações. Lembre-se de começar com metas pequenas, para não se frustrar no fim do ano, por não ter alcançado seus objetivos.

Por exemplo: Vou tirar 30 minutos do meu dia, que ainda é pouco, para brincar com meus filhos. Brincar é brincar mesmo, desligar-se de tudo, até do celular, e envolver-se na brincadeira com eles.

Vida profissional

Nessa área, a pergunta é: sou feliz e realizada no meu trabalho? Digo trabalho e não profissão, pois há pessoas que são formadas, possuem diploma, graduação, mas não exercem sua função. Isso não deve ser motivo de tristeza, pois o importante é reconhecer a realização naquilo que se propõe a fazer. Se você acha que está estagnado na profissão, questione-se. O que pode fazer para melhorar? Talvez um curso, novos lugares de atuação, até novos desafios como cadastros curriculares em outras instituições, lançar-se em um projeto novo, mudar de cidade se for preciso. Acreditar que é capaz de ser melhor naquilo que se propõe a fazer e se dedicar a isso!

Vida pessoal

Nesse ponto, o olhar deve voltar-se para você! É aqui que entram as dietas, academias, cuidados pessoais e realizações pessoais; e é aqui que mora o perigo, porque, todo ano, muitas pessoas falam que vão emagrecer e não conseguem! Onde está o erro? Não adianta ter o desejo e não se determinar.

Se você quer emagrecer, a primeira coisa que deve ser feita é responder a estas perguntas: Você quer emagrecer? Precisa emagrecer? Para quem quer emagrecer? Quais são os reais motivos? Seja honesto como você mesmo!

Coloque no projeto de vida os passos a serem percorridos para alcançar essa meta e cumpra-os! Vá a uma nutricionista e siga a dieta exatamente como for proposto; vá à academia todos os dias e não durma antes de ter feito a atividade física. Disciplina educa!

Vida financeira

Quais são seus problemas financeiros? Reconheça suas limitações financeiras e os bens materiais que deseja adquirir. Se deseja comprar um carro ou trocar o que já tem, abra uma poupança, deposite o máximo que for possível por mês, mas estabeleça uma meta real: 50, 100, 150 reais o que for possível. Seja fiel!

Agora, seu problema são as dívidas? Então, preciso rever os gastos e até mesmo o modo de vida. Pode ser que você viva uma vida que não é compatível ao que ganha. Então, é preciso um ajuste não só financeiro, mas também pessoal.

Talvez sozinho não seja possível vencer essa limitação, portanto, se for preciso, tenha a humildade de pedir ajuda. Não tema! Se preciso for, coloque em seu projeto financeiro a ideia de pedir ajuda a alguém de confiança e que domina essa área.

Espiritual

Como anda seu relacionamento com Deus? Quanto tempo você se dedica a estar com Ele? Converso com Deus? Escuto-O? Muitas pessoas reclamam que não escutam Deus, mas esquecem que para ouvi-Lo é preciso deixar que o Senhor fale. É preciso ter o Senhor como amigo, ser atento a Ele.

Proponha-se a encontrar um horário para estudar a Bíblia, rezar o terço, ir a Missa, jejuar e confessar conforme ensina a Igreja. Alimentar a vida espiritual dá ânimo e coragem para vencer todas as demais áreas da vida.

O grande segredo desse projeto de vida é monitorar mensalmente. A cada último dia do mês reveja suas metas, risque aquelas que você já alcançou, marque as que já fazem parte de sua rotina e estão sendo aprimoradas.

Tudo isto nos impulsiona a nos esforçarmos cada vez mais, para alcançar nossos objetivos. Reconhecer nossa evolução funciona como combustível nesta jornada da vida.
Tenha coragem! Avalie sua vida! O que precisa melhorar? Retome e caminhe. Deus será o seu sustento! Mas saiba que sem esforço não há vitória e Deus reconhece isso!
Canção Nova

Dos males, o menor. O que isso quer dizer?

Dos males, o menor. O que isso quer dizer?

Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com









A Igreja pode levar em consideração o conceito de “dos males, o menor”?

A viagem do Papa Francisco ao México trouxe uma enorme alegria ao povo mexicano. Nessa 12° viagem apostólica, o Santo Padre mostrou-se alegre, disponível e sereno como sempre. Sua figura contagia pela bondade, pela beleza das suas homilias, sobretudo pela grandeza do seu testemunho.

É de praxe que na viagem de volta haja uma espécie de “coletiva de imprensa”, quando jornalistas representantes dos mais diversos veículos de informação do mundo fazem perguntas. Dessa vez, a jornalista Paloma Garcia Ovejero fez uma pergunta sobre o vírus Zika: “Santo Padre, há algumas semanas, há muita preocupação, em muitos países latino-americanos, e também na Europa, sobre o vírus Zika. O risco maior seria para as mulheres grávidas: há angústia. Algumas autoridades propuseram abortar ou evitar a gravidez. Nesse caso, a Igreja pode levar em consideração o conceito de “dos males, o menor”?

É evidente que a pergunta parece fácil de responder, porém ela utilizou um dos argumentos mais fortes da moral e da ética cristã, como aquele do mal menor. O que significa o mal menor? Num primeiro sentido, refere-se às consequências de uma decisão diante de uma situação que obriga a fazer uma escolha; sendo essa situação inevitável, escolhe-se a consequência menos prejudicial.
A decisão moral envolve a consciência

Na vida moral de cada ser humano, de maneira particular nas decisões, cada pessoa possui uma responsabilidade. Somos responsáveis pelos nossos atos. A decisão moral envolve a consciência de que, formada à luz do bem e da retidão, tudo aquilo que fizer deverá sempre ser benéfico para si próprio e para os outros.

Nós somos nossos atos. A nossa responsabilidade por aquilo que fazemos determina, num certo sentido, nossa forma de ser e de nos posicionar diante da realidade que a situação exige.

Num segundo sentido (mais restrito), o princípio do mal menor significa que, quando todas ou cada uma das possíveis decisões a serem tomadas forem realmente negativas e não existir alternativa para tomar uma decisão, será preciso optar pela menos negativa. Aqui está, a meu ver, a errada interpretação que os meios de comunicação fizeram da resposta do Santo Padre.

O Papa, como pedagogo que é, valeu-se de um exemplo prático e concreto ao citar seu predecessor Beato Paulo VI. No entanto, antes do exemplo, o Santo Padre foi contundente e claro: “O aborto não é um ‘mal menor’, é um crime. É descartar um para salvar o outro. É aquilo que a máfia faz. É um crime. É um mal absoluto.”

Não existe espaço para pensar em aceitar ou relativizar o mal absoluto do aborto com Governos que pensam que, promovendo o aborto, o vírus Zika ou qualquer outro vírus ou doença será remediado.
O fim não justifica os meios

Os meios de comunicação, posteriormente, distorceram o exemplo citado pelo Papa ao falar sobre as freiras que, na África, foram liberadas, na década dos 70, para, no caso de serem violentadas ou estupradas, utilizarem contraceptivos com a permissão de Paulo VI.

Colocou-se, no mesmo patamar da decisão moral, o perigo do estupro e a contaminação com o vírus Zika. Imediatamente, os meios anunciaram a resposta do Papa com manchetes como estas: “Para combater o Zika, Papa admite uso de anticoncepcionais” EBC – Agência Brasil. “Papa admite uso de contraceptivos durante epidemia de Zika” GLOBO. “Papa se mostra favorável ao uso de contraceptivos por causa da Zika”. Globo NEWS.

Todos as manchetes dispararam com anúncios que não continham nem a resposta do Papa nem o pensamento do magistério Eclesial.

Os fins não justificam os meios. Em nenhum momento, poderíamos afirmar que a solução para o Zika é o uso dos contraceptivos. O Papa Francisco foi claro: “Não confundir o mal de evitar a gravidez, sozinho, com o aborto”, afirmou o Papa.

Na época em que o Papa Paulo VI considerou a possibilidade de as freiras utilizarem o consumo da pílula, o fez diante de uma situação limite: a guerra. Muitas consagradas poderiam ter sido violentadas e algumas delas virem a ficar grávidas. Os fins não justificam os meios. O exemplo veio no testemunho das religiosas que preferiram oferecer suas vidas em sacrifício, pois muitas delas foram martirizadas e doaram a vida pelo Reino e pelo povo.

Quando se entende que os fins não justificam os meios, compreende-se a bela proposta que o Papa Francisco fez ao comparar a atitude do seu predecessor Paulo VI. O bem da vida é absoluto, a vida é sagrada e, para defender uma vida, faz-se tudo aquilo que evite agressão, destruição e muito menos acabar com a vida de um para salvaguardar a vida do outro. Os fins não justificam os meios. Precisamente por essa razão, o Papa encorajou a comunidade científica a não medir esforços e procurar as vacinas e terapias necessárias para ajudar as mães grávidas a resolver essa situação. Tenha-se presente que não todas as mulheres grávidas estão desenvolvendo, no seu ventre, crianças com microcefalia, o que não acontecia na África quando todas as mulheres, indistintamente, eram consideradas alvo de violência e estupro, sobretudo quando eram cristãs e estrangeiras. Essa sim é uma situação limite.

Parece-me prudente que os meios e comunicação, antes de lançarem uma manchete como essa, deveriam pensar e amadurecer o conteúdo da mesma resposta, considerando o valor dos teólogos moralistas ou de outros assessores que podem contribuir para evitar a confusão desnecessária que causou na opinião pública e nos fiéis.
Autor: Padre José Rafael Solano Durán –
Sacerdote e Teólogo da Arquidiocese de Londrina.
Professor da PUC – PR e Professor convidado da Faculdade Canção Nova.