A Palavra de Deus

A Palavra de Deus

DOPAS

DOAÇÃO, ORAÇÃO, POBREZA, ALEGRIA E SIMPLICIDADE

2 de maio de 2013

EVANGELHO E LEITURA ORANTE PARA QUINTA E SEXTA-FEIRA

ANO C - DIA 02/05 Quinta-feira
Amor fonte de alegria 
- Jo 15,9-11
“Como meu Pai me ama, assim também eu vos amo. Permanecei no meu amor. Se observardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu observei o que mandou meu Pai e permaneço no seu amor. Eu vos disse isso, para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa.”

LEITURA ORANTE

ORAÇÃO INICIAL
Com todos os que fazem este caminho, pela web, “damos graças a Deus que nos deu o dom da palavra,
com a qual podemos nos comunicar entre nós e com Ele por meio de seu Filho, que é sua Palavra (cf. Jo 1,1). Damos graças a Ele que, por seu grande amor, fala a nós como a amigos (cf.Jo 15,14-15).
(DAp 26.
1- LEITURA (VERDADE)O que diz o texto do dia?
Leio atentamente, na Bíblia, o texto: Jo 15,9-11. Neste breve texto Jesus diz quatro coisas importantíssimas:
1. Faz uma declaração de amor.
2. Faz um convite.
3. Coloca uma condição.
4. Garante algo que o coração de todos nós deseja.
Que belíssima declaração de amor faz Jesus a cada um de nós! E nos convida: fiquem unidos a mim pelo amor. Oferece uma condição: obedecer aos seus mandamentos. Garante-nos a sua alegria. E mais: uma alegria completa.
2- MEDITAÇÃO (CAMINHO)O que o texto diz para mim, hoje?
Como discípulo/a devo levar à frente a missão que me dá Jesus Cristo: o amor. Em que consiste este amor? Como vivê-lo num mundo em que é muito forte o egoísmo, o individualismo, e que a outra pessoa, muitas vezes é uma ameaça? Devo orientar minha energias para ir contra a corrente. Os bispos, na Conferência de Aparecida, Lembraram quais são os mandamentos de Jesus: “Para ficar parecido verdadeiramente com o Mestre é necessário assumir a centralidade do Mandamento do amor, que Ele quis chamar seu e novo: “Amem-se uns aos outros, como eu os amei” (Jo 15,12). Este amor, com a medida de Jesus, com total dom de si, além de ser o diferencial de cada cristão, não pode deixar de ser a característica de sua Igreja, comunidade discípula de Cristo, cujo testemunho de caridade fraterna será o primeiro e principal anúncio, “todos reconhecerão que sois meus discípulos” (Jo 13,35).”(DAp 138.
3- ORAÇÃO (VIDA)O que o texto me leva a dizer a Deus?
Rezo, espontaneamente, com toda a Igreja “Fica conosco”
“Fica conosco, pois cai a tarde e o dia já se declina” (Lc 24,29).
Fica conosco, Senhor, acompanha-nos ainda que nem sempre tenhamos sabido reconhecer-te.
Fica conosco, porque ao redor de nós as mais densas sombras vão se fazendo, e Tu és a Luz; em nossos corações se insinua a falta de esperança, e tu os faz arder com a certeza da Páscoa. Estamos cansados do caminho, mas tu nos confortas na fração do pão para anunciar a nossos irmãos que na verdade tu tens ressuscitado e que nos tem dado a missão de ser testemunhas de tua ressurreição.
Fica conosco, Senhor, quando ao redor de nossa fé católica surgem as névoas da dúvida, do cansaço ou da dificuldade: tu, que és a própria Verdade como revelador do Pai, ilumina nossas mentes com tua Palavra; ajuda-nos a sentir a beleza de crer em ti.
Fica em nossas famílias, ilumina-as em suas dúvidas, sustenta-as em suas dificuldades, consola-as em seus sofrimentos e no cansaço de cada dia, quando ao redor delas se acumulam sombras que ameaçam sua unidade e sua natureza. Tu que és a Vida, fica em nossos lares, para que continuem sendo ninhos onde nasça a vida humana abundante e generosamente, onde se acolha, se ame, se respeite a vida desde a sua concepção até seu término natural.
Fica, Senhor, com aqueles que em nossas sociedade são os mais vulneráveis; fica com os pobres e humildes, com os indígenas e afro-americanos, que nem sempre encontram espaços e apoio para expressar a riqueza de sua cultura e a sabedoria de sua identidade. Fica, Senhor, com nossas crianças e com nossos jovens, que são a esperança e a riqueza de nosso Continente, protege-os de tantas armadilhas que atentam contra sua inocência e contra suas legítimas esperanças. Oh bom Pastor, fica com nossos anciãos e com nossos enfermos! Fortalece a todos em sua fé para que sejam teus discípulos e missionários! (DAp 554).
4- CONTEMPLAÇÃO (VIDA E MISSÃO)Qual meu novo olhar a partir da Palavra?
Meu novo olhar, minha vida, “para ficar parecido verdadeiramente com o Mestre é necessário assumir a centralidade do Mandamento do amor”.

BÊNÇÃO
- Deus nos abençoe e nos guarde. Amém. 
- Ele nos mostre a sua face e se compadeça de nós. Amém. 
- Volte para nós o seu olhar e nos dê a sua paz. Amém. 
- Abençoe-nos Deus misericordioso, Pai e Filho e Espírito Santo. Amém. 

ORAÇÃO
Pai, completa a alegria que o Espírito Santo faz brotar em mim, 
pois estou disposto a permanecer unido a ti e a teu Filho, 
e a ser fiel aos teus mandamentos, apesar das adversidades.



ANO C - DIA 03/05 Sexta-feira
Jesus é um com o Pai 
- Jo 14,6
-14Jesus respondeu: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. Se me conhecestes, conhecereis também o meu Pai. Desde já o conheceis e o tendes visto”. Filipe disse: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta”. Jesus respondeu: “Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me conheces? Quem me viu, tem visto o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo; é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. Crede-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Crede, ao menos, por causa destas obras. Em verdade, em verdade, vos digo: quem crê em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai. E o que pedirdes em meu nome, eu o farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes algo em meu nome, eu o farei”.

LEITURA ORANTE

ORAÇÃO INICIAL
Preparo-me para a Leitura da Palavra com todos os internautas, rezando:
Espírito de amor, dai-nos o dom do
vosso santo temor,
para que, conscientes de
nossas fragilidades,reconheçamos a força de vossa graça.
Vinde, Espírito Santo, E dai-nos um novo coração. Amém
1- LEITURA (VERDADE)O que diz o texto do dia?
Leio atentamente, na Bíblia, o texto: Jo 14,6-14, e observo como Jesus fala do Pai.
Filipe queria vê-lo e Jesus . Veja no texto quantas vezes Jesus fala do Pai. Ele está no Pai e o Pai está nele. Ele fala em nome do Pai. O Pai é que nele realiza as obras. E Jesus, finaliza este texto, garantindo que toda coisa boa que pedirmos em nome dele, ele vai atender.
2- MEDITAÇÃO (CAMINHO)O que o texto diz para mim, hoje? 
É Deus, o Pai que age em mim? Deixo que ele me conduza? É importante recordar o que disseram os bispos, em Aparecida: “A admiração pela pessoa de Jesus, seu chamado e seu olhar de amor despertam uma resposta consciente e livre desde o mais íntimo do coração do discípulo, uma adesão de toda sua pessoa ao saber que Cristo o chama por seu nome (cf. Jo 10,3). É um “sim” que compromete radicalmente a liberdade do discípulo a se entregar a Jesus, Caminho, Verdade e Vida (cf. Jo 14,6). É uma resposta de amor a quem o amou primeiro “até o extremo” (cf. Jo 13,1). A resposta do discípulo amadurece neste amor de Jesus: “Te seguirei por onde quer que vás” (Lc 9,57). (DAp 136).
3- ORAÇÃO (VIDA)O que o texto me leva a dizer a Deus?
Rezo, espontaneamente, com salmos ou outras orações e concluo:
Espírito vivificador,
a ti consagro o meu coração: 
aumenta em mim o amor a Jesus, Vida da minha vida. 
Faze-me sentir filho amado do Pai. Amém.
Ó Jesus Mestre, Verdade, Caminho e Vida, tem piedade de nós.
4- CONTEMPLAÇÃO (VIDA E MISSÃO)Qual meu novo olhar a partir da Palavra?
Meu novo olhar é de filho/a que, como dizia Alberione, “vive em Deus e comunica Deus”

BÊNÇÃO
- Deus nos abençoe e nos guarde. Amém. 
- Ele nos mostre a sua face e se compadeça de nós. Amém. 
- Volte para nós o seu olhar e nos dê a sua paz. Amém. 
- Abençoe-nos Deus misericordioso, Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

ORAÇÃO
Pai, que eu saiba reconhecer-te na pessoa de Jesus, 
expressão consumada de teu amor misericordioso
 por todos os que desejam estar perto de ti.
Ir. Patrícia Silva, fsp


A NOVA JERUSALÉM


Faz parte da vida do cristão esperar o melhor, enxergar as luzes do futuro, construir o dia a dia com os valores do Reino de Deus, sem se cansar, recomeçando sempre, ainda que sejam frágeis nossas mãos e trôpegos os seus passos. Olhamos para a realidade de olhos abertos, positivamente ansiosos por descobrir os rastros da ação do Espírito Santo, que sempre nos precede, e lutamos para oferecer à humanidade, em qualquer época, o que sabemos existir de melhor. 

A visão descrita pelo Apocalipse nos faz desejar a morada de Deus com os homens, que chama de "Nova Jerusalém". Ele vai morar junto deles. Eles serão o seu povo, e o próprio "Deus-com-eles" será seu Deus. Ele enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem grito, nem dor, porque as coisas anteriores passaram(Cf. Ap 21,1-23). Esta Jerusalém desce do Céu, é presente de Deus, "já" chegou, mas é também preparada e edificada aqui nesta terra, onde quer que se proclame e se espalhe a novidade que vem do Evangelho e, portanto, "ainda não" se manifestou em toda a sua plenitude. 

Como ensinou o Concílio Vaticano II (Lumen Gentium 48), "já chegou a nós a plenitude dos tempos (Cf. 1 Cor 10,11), a restauração do mundo foi já realizada irrevogavelmente e, de certo modo, encontra-se já antecipada neste mundo: com efeito, ainda aqui na terra, a Igreja está aureolada de verdadeira, embora imperfeita, santidade. Enquanto não se estabelecem os novos céus e a nova terra em que habita a justiça (Cf. 2 Pd 3,13), a Igreja peregrina, nos seus sacramentos e nas suas instituições, que pertencem à presente ordem temporal, leva a imagem passageira deste mundo e vive no meio das criaturas que gemem e sofrem as dores de parto, esperando a manifestação dos filhos de Deus" (Cf. Rm 8, 19-22).

Caminhamos na esperança, confiantes nas promessas do Senhor, sabendo que por melhores que sejam todos os esforços humanos, o que Deus preparou para os que o amam supera infinitamente nossas capacidades e nos levará à realização plena de todas as justas aspirações plantadas por Ele mesmo nos corações. "O que Deus preparou para os que o amam é algo que os olhos jamais viram, nem os ouvidos ouviram, nem coração algum jamais pressentiu. A nós, Deus revelou esse mistério por meio do Espírito" (1 Cor 2,9-10).

O cristão peregrino, rumo ao Absoluto de Deus, carrega consigo alguns tesouros. Conhecê-los possibilita oferecê-los também a muitas outras pessoas, já que não podemos guardar escondidos os dons que Deus destinou a todos, por ser universal seu desígnio de salvação. Quando Jesus fez seus discursos de despedida, diante do evidente constrangimento de seus medrosos discípulos (Cf. Jo 14,27), garante-lhes sua presença permanente: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra; meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada" (Jo 14,23). Não se trata de uma presença caracterizada por relâmpagos, luzes ou terremotos, mas muito viva, real e serena. Ama a Deus quem guarda e vive a sua Palavra. E vai morar o próprio Senhor no coração de quem dá este passo. O Pai e o Filho habitam em quem vive a Palavra de Deus! Esta tem a extraordinária força para transformar o mundo. Quem a acolhe vive como pessoa renovada interiormente e ao mesmo tempo capaz de semear a novidade em torno de si.

Inigualável tesouro é ainda a ação do Espírito Santo, prometido por Jesus: "O Defensor, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito" (Jo 14,26). Para garantir-nos a veracidade de suas palavras, Jesus promete nada menos do que o Espírito Santo, dado em penhor a cada fiel! Daí nasce a coragem com que as sucessivas gerações de cristãos enfrentaram as dificuldades da missão evangelizadora. E a Igreja suplica incessantemente a ação do Espírito que vem!

Também nós olhamos para frente e para o alto, dispostos a fermentar com o Evangelho de Cristo todos os recantos da vida humana, com renovado ardor missionário. Não cabe desânimo no coração do cristão, pois não caminha sozinho, sustentado apenas pelas próprias forças. Entende-se assim a força com que o Papa estimula a ação missionária da Igreja: "Que toda a pastoral seja missionária. Devemos sair de nós mesmos e ir para as periferias existenciais e crescer na "parresia", que quer dizer audácia para anunciar com coragem o Evangelho. Uma Igreja que não sai de si, mais cedo ou mais tarde adoece na atmosfera viciada de seu confinamento. Também é verdade que uma Igreja que sai pode se acidentar. Diante disso, quero lhes dizer francamente que prefiro mil vezes uma Igreja acidentada que uma Igreja doente. A enfermidade típica da Igreja confinada é o auto-referencial, que olha para si mesma. É uma espécie de narcisismo que nos leva ao mundanismo espiritual e ao clericalismo sofisticado, e nos impede de experimentar a doce reconfortante alegria de evangelizar" (Papa Francisco, Mensagem aos Bispos Argentinos).

Sejamos dignos das promessas de Cristo, assumindo com renovada audácia os desafios do presente e do futuro!
Dom Alberto Taveira Corrêa - Arcebispo de Belém do Pará (PA).

CONSTRUIR A PAZ



Celebramos o Dia Mundial do Trabalho homenageando São José Operário, lembrando que todo trabalho é digno e todas as pessoas têm direito a ele. O trabalho é fonte de sustento para a vida e faz com que o trabalhador se torne mais humano e realizado como pessoa. Podemos dizer que a atividade profissional traz condição de vida e constrói a paz.

Jesus cita uma frase muito importante e motivadora de paz: “Dou-vos a paz, a minha paz vos dou” (Jo 14,27). Paz é fruto da boa convivência, de não colocar fardos pesados sobre os outros, de viver a nova lei do amor, ensinada pelo Senhor. A paz é fruto também da capacidade de superação das diferenças no seio de uma comunidade. Estamos ainda em tempo de Páscoa, do projeto de "um novo céu e de uma nova terra", da construção de um mundo diferente, mas também conscientes de que é possível. Não podemos ser intimidados pela constante onda do mal, da destruição e do desrespeito à vida, impedindo a concretização da paz. Muita gente vive em constante guerra interior.

A Páscoa, o trabalho e a paz devem solidificar a esperança do povo. Sem isto, o futuro fica obscuro e desmotiva a luta por uma vida feliz. A sociedade tem a necessidade de nutrir-se de potencialidades com princípios de humanidade, tendo como meta a vitória da vida ou a realização plena da paz interior e comunitária.

No mundo de violência generalizada na sociedade brasileira, também de uma mídia propagadora e motivadora disto, reina um clima de desvalorização da pessoa humana e da insegurança de todos. Podemos quase dizer que não estamos em um país de paz. Alguma coisa precisa ser feita para reverter essa situação preocupante.

Apesar de todo desenvolvimento tecnológico nos diversos campos da atualidade, parece que o principal e mais urgente - o valor da pessoa humana -, não progrediu. Não há verdadeira preocupação com a paz, porque ela não está sendo verdadeiramente construída por quem tem, nas mãos, o poder de fazê-lo.

Dom Paulo Mendes Peixoto - Arcebispo de Uberaba (MG)

BUSQUEMOS A DEUS, ÚNICO BEM VERDADEIRO



Onde está o coração do homem está bem o seu tesouro; pois Deus não costuma negar o bem aos que lhe pedem.

Porque o Senhor é bom, e é bom sobretudo para os que nele esperam, unamo-nos a ele, permaneçamos com ele de toda a nossa alma, de todo o coração e de todas as forças, para vivermos na sua luz, vermos a sua glória e gozarmos da graça da felicidade eterna. Elevemos nossos corações para esse bem, permaneçamos e vivamos unidos a ele, que está acima de tudo quanto possamos pensar ou imaginar; e concede a paz e a tranquilidade perpétuas, uma paz que ultrapassa toda a nossa compreensão e sentimento. É esse o bem que tudo penetra; todos vivemos nele e dele dependemos; nada lhe é superior, porque é divino. Só Deus é bom e, portanto, o que é bom é divino e o que é divino é bom; por isso se diz no salmo: Vós abris a mão e todos se fartam de bens (Sl 103,28). É, com efeito, da bondade de Deus que nos vêm todos os bens, sem nenhuma mistura de mal.

Esses bens são os que a Escritura promete aos fiéis, dizendo: Comereis dos bens da terra (Is 1,19).

Nós morremos com Cristo e trazemos em nosso corpo a morte de Cristo, para que também a vida de Cristo se manifeste em nós. Portanto, já não é nossa própria vida que vivemos, mas a vida de Cristo: vida de inocência, vida de castidade, vida de sinceridade e de todas as virtudes. Também ressuscitamos com Cristo; vivamos, pois, unidos a ele, subamos com ele, a fim de que a serpente não possa encontrar na terra o nosso calcanhar e feri-lo.

Fujamos daqui. Podes fugir com o espírito, embora permaneças com o corpo; podes ficar aqui e estar ao mesmo tempo junto do Senhor, se teu coração estiver unido a ele, se teus pensamentos se fixarem nele, se percorreres seus caminhos, guiado pela fé e não pelas aparências, se te refugiares junto dele – que é nosso refúgio e nossa força, como disse Davi: Eu procuro meu refúgio em vós, Senhor, que eu não seja envergonhado para sempre (Sl 70,1).

Já que Deus é o nosso refúgio, e Deus está nos céus e no mais alto dos céus, é preciso fugir daqui para as alturas onde reina a paz, onde repousaremos de nossas fadigas, onde celebraremos o banquete do grande Sábado, como disse Moisés: O repouso sabático da terra será para vós ocasião de festim (Lv 25,6). Descansar em Deus e contemplar as suas delícias é, na verdade, um banquete, cheio de alegria e felicidade.

Fujamos, como os cervos, para as fontes das águas. Que a nossa alma sinta a mesma sede de Davi. Qual é esta fonte? Escuta o que ele diz: Em vós está a fonte da vida (Sl 35,10). Diga minha alma a esta fonte: Quando terei a alegria de ver a face de Deus? (Sl 41,3). Porque a fonte é o próprio Deus.

Santo Ambrósio, Bispo e Doutor da Igreja

(Extraído do livro "Alimento Sólido")
Felipe Aquino

RECONHECER OS NOSSOS ERROS



Reconhecer que erramos é uma ato digno de condecoração, pois, embora seja um gesto simples, mexe com o nosso brio.

A atitude de nos isentarmos daquilo que fizemos de errado é quase instintiva e, poderíamos dizer, surge num ato de autodefesa. Entretanto, ao contrário daquilo que poderia ser uma característica da perspicácia de alguém, traduz-se num ato nada honroso. Percebemos ainda que tal procedimento tem feito parte da vida de muitas pessoas, e se não estivermos atentos a essa necessidade de mudança, facilmente poderemos, também, nos acostumar com o artifício da dissimulação.

Admitir o nosso “passo em falso” é expor aos outros a nossa fraqueza e limitação, as quais podem ser, muitas vezes, constrangedoras, especialmente, pelo fato de termos tido o conhecimento das consequências e riscos de determinado gesto.

Lembramo-nos das nossas peraltices de criança, do medo da punição, imaginando a falta de compreensão da parte de nossos pais. Tentávamos nos esquivar das suspeitas ou, simplesmente, desviar a culpa para alguém inocente; nesse caso, o irmão mais novo ou um amiguinho.

No ato de alertarmos uma criança, por exemplo, do perigo de colocar o dedo na tomada, estamos tentando preveni-la sobre a possibilidade de receber um choque elétrico, mas isso não vai evitar que, na sua curiosidade, ela venha a fazê-lo. Contudo, na possibilidade de ela experimentar as consequências dos seus erros, o adulto a sentencia, culpando-a pelo ato, uma vez que já teria sido alertada.

Como pessoas adultas, talvez o medo de uma punição para aquilo que seria o nosso erro, seja o fator menos importante que teríamos de digerir.

Certamente, de alguma maneira, articularíamos uma desculpa para justificar o “ato falho”, eximindo-nos de qualquer culpa. Ao contrário dos tempos de crianças, desta vez, nossos argumentos seriam muito mais elaborados.

Percebemos essas artimanhas quando acontece uma discussão de trânsito, seja por uma colisão ou manobra arriscada. Quase sempre, o motorista sai do carro justificando-se, acusando o outro como imprudente, mesmo que ele próprio tenha sido o causador do acidente. Pode parecer que tal atitude tenha como tentativa ocultar a vergonha de quem se julgava um exímio motorista ou acima da lei, ou seja, com “autoridade” para errar. Não obstante, mesmo dentro de nossas convivências, vez ou outra, podemos tentar inverter um fato para justificar aquilo que não pode ser justificável.

Costumamos dizer que aprendemos com as nossas falhas. Mas para que esses descuidos se tornem, verdadeiramente, um material de aprendizado, o primeiro passo para tal formação seria admitirmos nossa culpa ou erro, assumindo os fatos.

Quando colocamos “camuflagens” sobre as nossas falhas, na verdade desenvolvemos a capacidade de culpar a outros. Com isso, infelizmente, não nos preocupamos em evitar a reincidência do ato, mas em melhorar as táticas de defesas, ainda que essas venham a tornar-se cada vez mais sórdidas, sem medir as consequências sobre quem podemos estar prejudicando.

Um abraço!
Dado Moura

A FESTA DE NHÁ CHICA



No próximo dia 4 de maio, em Baependi, Minas Gerais, a Igreja Católica celebra a beatificação de Nhá Chica, uma filha de escravos, mulher negra e pobre. Uma conquista que não se alcança pela posse de títulos nem simplesmente por conhecimentos técnicos, menos ainda pela garantia de alguma classe social ou política. Fundamenta-se em estatura admirável e medidas incomuns que só cabem no coração dos santos.

Estatura e medidas que só podem ser alcançadas no caminho da fé, pela singularidade de ultrapassar a lógica da razão e por possuir uma luminosidade além da própria inteligência. A grandeza da fé, cultivada no coração de Nhá Chica, emoldurada por singular devoção a Nossa Senhora da Conceição, fez da analfabeta uma admirável sábia e conselheira. Uma sabedoria que perpetua a sua memória e comprova sua especial intimidade com Deus, ganhando uma perene e especial força de quem pode ocupar o lugar próprio de intercessora. Nhá Chica está em Deus e o caminho para este lugar - oferta de Deus, o Pai, a todos os seus filhos e filhas - é trilhado pelos que vivem verdadeiramente a experiência da fé, único meio que possibilita ao frágil se tornar forte, corrige os descompassos do humano e constitui um canal direto de diálogo com Deus. A experiência autêntica da fé levou Nhá Chica a superar sofrimentos e a tornar-se irmã de todos, protetora dos pobres e referência para muitos. Primeira bem-aventurada nascida nesta terra tricentenária, cujas raízes mais profundas geram cultura admirável por seus valores singulares e expressão da fé do povo mineiro, um tesouro católico no coração do Brasil.

A leitura e meditação da Carta aos Hebreus, no capítulo onze, permitem compreender melhor a alma de Nhá Chica, a bem-aventurada, reconhecendo-a no conjunto que reúne outros tantos santos e bem-aventurados. Uma genealogia que abrange figuras primárias da fé bíblica como Abraão, Moisés, Jacó, Sara, Débora, muitos homens e mulheres de grande e exemplar estatura. Todos, com suas vidas, mostram que só a fé garante o percurso com vitória certa e produz a estatura de quem se perpetua na história e no coração de muitos. A festa da “Santa de Baependi”, ultrapassando qualquer grande sentido da importância de uma devoção ou de crença, é a consolidação de uma lição a ser permanentemente praticada para fazer a diferença e ajudar na edificação da vida sobre os pilares do amor.

A celebração dessa festa enriquece e perpetua o tesouro de nossa fé católica, convidando cada um a inspirar-se neste exercício de fé. É o mesmo percurso seguido pelos que ganharam a condição de patriarcas, profetas, mártires, santos, amigos de Deus, cidadãos e cidadãs com as marcas da eternidade, comprometidos com a vida e com a justiça. Esse exercício é o que, pela fé, possibilita uma importante certeza: as coisas visíveis provêm daquilo que não se vê.

Nhá Chica ofereceu seus sacrifícios sem lamúrias e os converteu em oferendas agradáveis que se transformam em frutos de bem. Sua simplicidade é transformada em sabedoria, porque, como registra o referido capítulo da Carta aos Hebreus, permite a compreensão de que sem a fé é impossível agradar a Deus. Quem d'Ele se aproxima deve crer que Ele existe e recompensa os que o procuram. Na estatura simples de Nhá Chica, sua experiência de fé tracejou, como em Noé, “o levar a sério” a promessa divina, a obediência amorosa que impulsionou Abraão, fazendo-o partir confiante para uma terra que deveria receber como herança. Nela, pobre sem letras e sem poder, como em Sara, a estéril, é manifestada a força do amor de Deus por uma admirável capacidade de fazer o bem em vida e depois da morte. Pela fé, Jacó se prostrou em adoração e Nhá Chica viveu adorando, especialmente às sextas-feiras, tocada pelos sofrimentos redentores de seu Senhor. Pela fé, José relembrou, já no fim da vida, do êxodo dos filhos de Israel e Nhá Chica continua lembrando-se de todos nós. Também pelo caminho da fé, Moisés preferiu ser maltratado com o povo de Deus e Nhá Chica escolheu ser conselheira e protetora daqueles que são desafiados pelos sofrimentos. Sua beatificação ensina a todos nós que a fé é o tesouro maior. 
Dom Walmor Oliveira de Azevedo - Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte (MG)