A Palavra de Deus

A Palavra de Deus

DOPAS

DOAÇÃO, ORAÇÃO, POBREZA, ALEGRIA E SIMPLICIDADE

19 de fevereiro de 2011

BEM AVENTURANÇAS

Felizes são os pobres com espírito 
E aqueles que compartem com os pobres 
Os riscos e a esperança, 
Porque eles têm o reino em suas vidas! Contrariamente a toda propaganda 
De produtos que dão felicidade, 
Felizes os aflitos, 
Porque eles sentirão em suas cruzes 
A ternura de Deus que é pai e mãe! 
Felizes os que sabem vencer-se, 
Na conquista da mansidão diária: 
A terra será deles! 
Felizes são aqueles que são justos 
E buscam a justiça 
E a defendem e a forjam 
E sentem fome e sede 
Da justiça do reino: 
O reino saciará sua utopia! 
Felizes os que têm misericórdia 
E não deixam passar um sofrimento 
Sem achegar-se dele 
E nele derramar-se, no óleo e no vinho: Eles encontrarão misericórdia! 
Felizes os que trazem 
Um coração sincero 
E limpo seu olhar: 
Mesmo na noite escura 
Eles verão a Deus! 
Filhos do Deus da paz, 
Irmãos daquele que é a nossa paz, 
Felizes os que lutam em paz e pela paz, 
Os construtores 
Da estranha paz do reino: 
Deles é o shalom, o axé, a paz! 
Felizes sois todos os perseguidos 
Por causa da justiça, 
Nas lutas pela terra do campo e da cidade, Nas lutas do trabalho, 
Nas lutas pela vida. 
Felizes vós, profetas, 
Malditos do sistema, 
Pichados pela ordem, 
Jogados no escanteio do templo e do pretório 
Felizes, alegrai-vos, o reino já é vosso! Felizes são os pobres, 
Os meus pobres, 
Os herdeiros do reino! 
Pedro Casaldáliga

BEM AVENTURADOS....

Bem-aventurados aqueles que compreendem meus passos vacilantes e minhas mãos trêmulas. 
Bem-aventurados os que levam em conta que meus ouvidos captam as palavras com dificuldade, por isso procuram falar mais alto e pausadamente. 
Bem-aventurados os que percebem que meus olhos já estão nublados 
e minhas reações são lentas. 
Bem-aventurados os que nunca me dizem: "Você já me contou isso tantas vezes". 
Bem-aventurados os que desviam o olhar, simulando não ter visto o café que por vezes derramado sobre a mesa. 
Bem-aventurados os que sorriem e conversam comigo. 
Bem-aventurados os que sabem dirigir a conversa e as recordações para as coisas dos tempos passados. 
Bem-aventurados todos aqueles que me dedicam afeto e carinho, fazendo-me assim pensar em Deus. Quando entrar na Eternidade, lembrar-me-ei deles, junto ao Senhor.
Bem-aventurados os que me ajudam a atravessar a rua e não lamentam o tempo que me dedicam. 
Bem-aventurados os que me fazem sentir que sou amado e não estou abandonado, 
tratando-me com respeito. 
Bem-aventurados os que compreendem quanto me custa encontrar forças para carregar a minha cruz. 
Bem-aventurados os que amenizam os meus últimos anos sobre a terra.

LEVE-ME A CONVIVER.

Ainda não aprendi a conviver com irmãos e irmãs que não pensam como eu penso, não pregam como eu prego e não oram como eu oro. Ainda não sou suficientemente cristão, por isso mesmo, suficientemente ecumênico. Cristãos de verdade são fraternos e ecumênicos e, embora discordem do modo de crer e afirmar a fé, percebem Tua luz nas outras igrejas. Não se acham os únicos eleitos. Ainda sofro da tentação de achar que sou mais cristão do que eles; que eles precisam mudar e eu não! Preciso aprender urgentemente a praticar este exercício de humildade. 

Há santos fora da minha casa, santos em outros grupos da minha igreja, santos em outras religiões, santos que tu fizeste porque são teus santos e não nossos. Não fomos nós que os fizemos santos, nem nosso maravilhoso movimento ou nossa querida comunidade. Foste Tu, Senhor, com a anuência e a concordância deles. 

Concede-me, pois, a graça de tentar, nos anos de vida que me restam, ser um santo a teu modo; não ao meu; um santo que não entra em competição. Direi sempre o que penso, mas quero dizê-lo sem perder o respeito pelos irmãos de quem eventualmente eu discordo. Que meus irmãos sejam santos e consagrados do jeito deles. Eu tentarei ser santo do teu e do meu jeito. Se discordar deles, quero discordar com amor e sinceridade, de tal maneira que eles percebam que eu os amo. 

Para que serve um santo, se ele não se pauta pela verdade? Para que um santo se não admira o que é bom da parte dos outros? Para que um santo que não discorda com sinceridade? Ajuda-me a não brigar pelo teu colo e a não achar que estou mais nele do que os outros. Que eu me contente com o pedacinho que tenho, que já é grande e que basta para as minhas pretensões de, um dia, encontrar-te e viver ao teu lado por toda a eternidade. Merecer, eu não mereço, mas espero estar em Ti para sempre, porque sei que da tua misericórdia. 
Pe. Zezinho, scj 

14 de fevereiro de 2011

EVANGELHO DO DIA!

Marcos 8,11-13

Segunda-Feira, 14 de Fevereiro de 2011 

Santos do dia: São Cirilo e São Metódio

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 11os fariseus vieram e começaram a discutir com Jesus. E, para pô-lo à prova, pediam-lhe um sinal do céu. 12Mas Jesus deu um suspiro profundo e disse: “Por que esta gente pede um sinal? Em verdade vos digo, a esta gente não será dado nenhum sinal”. 13E, deixando-os, Jesus entrou de novo na barca e se dirigiu para a outra margem. 

- Palavra da Salvação. 
- Glória a vós, Senhor.

Comentário do Evangelho

As provocações dos fariseus são insistentes. Já espionaram Jesus para ver se curava no sábado. A preocupação então não era o sinal da cura, mas a acusação da infração do sábado. Em casa, em Cafarnaúm, Jesus perdoou os pecados de um paralítico, e o cura, como sinal. Os que o espionavam não se preocupavam com o sinal, mas sim em acusá-lo de blasfêmia, por perdoar. Agora querem simplesmente um sinal vindo do céu. É para por Jesus à prova. Os sinais divinos no Antigo Testamento, eram os sinais de poder, tais como a destruição dos inimigos de Israel, tais como as pragas do Egito, culminando com a morte dos primogênitos das famílias egípcias, ou sinais de proteção do povo, tais como a abertura do mar Vermelho, o maná do deserto, ou o extermínio dos sete povos de Canaan, onde se instalou Israel. Jesus dá um suspiro profundo de mágoa. Os chefes judeus ("esta geração") estão fechados ao seu anúncio da universalidade e da misericórdia do Reino. O mais recente sinal, a partilha do pão, passou despercebida por eles. Esta partilha do pão exprime o compromisso concreto e histórico de Jesus com a implantação da justiça, com atitudes de compaixão e misericórdia, removendo a imagem do "inimigo" e descartando a violência, implantando a paz. Os sinais de Jesus, que são os sinais do Reino, são os atos em vista da libertação dos oprimidos e da promoção da vida. 
José Raimundo Oliva

CRESCENDO NA FRICÇÃO!

Ouvi uma antiga parábola. 
Deve ser muito velha mesmo, 
pois naquela época Deus costumava morar na Terra: 

"Um dia, um velho fazendeiro veio a Deus e disse-lhe: 
- Olha, você pode ter criado o mundo, mas preciso lhe dizer uma coisa. 
Você não é fazendeiro. Não sabe nem o bê-a-bá da agricultura. 
Você tem muito o que aprender. 

Ao que Deus respondeu: 
- O que você sugere? 
- Dê-me um ano e permita que as coisas sejam de acordo com a minha vontade. E veja o que acontecerá: não haverá mais pobreza! 

Deus concordou e um ano foi dado ao fazendeiro. Naturalmente, ele pedia e pensava somente no melhor. 
Nada de trovões, de ventos fortes, nenhum perigo para a safra. 
Tudo confortável, aconchegante. 
O fazendeiro estava muito feliz. 

O trigo crescia tanto! 
Quando queria sol, havia sol. 
Quando queria chuva, havia chuva, 
o tanto que quisesse. 
Nesse ano, tudo estava certo. 
Matematicamente preciso. 

O trigo estava crescendo muito. 
O fazendeiro procurava Deus e dizia: 
- Olhe! Desta vez a safra será tão grande que, por 10 anos, mesmo que as pessoas não trabalhem, haverá comida suficiente! 

Mas quando fizeram a colheita, não havia grãos. O fazendeiro ficou surpreso e perguntou a Deus: 
- o que aconteceu! O que saiu errado? 

E Deus respondeu-lhe: 
- Por não existir desafio, conflito, fricção, já que você evitou tudo de ruim, o trigo permaneceu impotente. 
Uma pequena fricção é uma necessidade. As tempestades, os trovões e os raios são necessários. 
Eles agitam a alma dentro do trigo". (Osho) 

É, nada fácil! Há momentos em que daríamos tudo por uma chance de pedir a Deus para não corrermos riscos. Mas o risco é necessário. 
É importante poder enfrentar as dificuldades, o desconhecido e o incerto. Percebemos que algumas pessoas fazem opção pelo porto seguro das certezas, mas outros acolhem a alma agitada e constróem o novo. 

Mas como enfrentar essas turbulências? O auto conhecimento, a vontade de crescer, evoluir e progredir são decisivos. 
A sensibilidade, a criatividade e a ética são nossos maiores aliados. 
É preciso também termos paciência, pois uma boa colheita necessita de tempo e espera. Necessita também de tempestades, trovões e raios. 
Afinal, "eles agitam a alma dentro do trigo!". 
Ana Paula Carvalho Pereira

PARCEIROS DO CRIADOR.

Somos todos esse poço de limites. Cremos, achamos ter achado Deus e logo vem a tentação de nos acharmos seus parceiros privilegiados. Fazem isso os fundadores de novas igrejas, os fundadores de novos grupos dentro de uma Igreja. Organizamo-nos como num exército de fiéis e começamos a dizer, não como obreiros, mas como mestres de obra, que Deus quer que terminemos a Sua obra desse jeito: isto é, do nosso jeito. 
É impressionante observar com que facilidade decidimos qual o caminho, quais os tijolos e quais as pedras que se pode usar na construção do Reino de Deus. Estas orações, estes cantos, este ritual, esta disciplina, estas palavras e este jeito de crer... Tem que ser o nosso. Os demais não estão construindo com Deus... 
Deus tem muitos parceiros inconvenientes. Assim que ajuntam número suficiente de seguidores, começam a se comportar não como servidores, mas como sócios e mestres de obra. Gentilmente e com um sorriso angelical, até com lágrimas e cabeça torta, vão impondo o seu jeito de construir o Reino. Afinal, fazem milagres, expulsam demônios, curam e convertem pessoas. Deles Jesus diz que no dia da verdade se apresentarão como parceiros Dele. E Jesus não os reconhecerá, mesmo tendo construído impérios religiosos (Mt 7,21-26). Construíram o reino do jeito deles, mas não do jeito de Deus (Mt 7,25). 
Uma das expressões mais perigosas de se pronunciar é essa: Deus me disse! Tomemos cuidado com quem a diz e conosco mesmos. Na maioria das vezes é desvio de trabalhador auto-nomeado mestre-de-obras que inventa detalhes inúteis e, diante do possível protesto de quem trabalha na construção, inventa que foi Deus quem quis. 
Deus nos quer a todos como parceiros. Mas está claro no livro santo que o projeto é Dele. Quando criamos o nosso e o forçamos, insistindo que veio de Deus, a parceria terminou. 
Deus dá a graça de realizar maravilhas em seu nome. Madre Tereza de Calcutá, Vicente de Paulo, Frederico Osanam e outros grandes construtores do Reino, junto a outros grandes pensadores do Reino como Thomás de Aquino Alberto Magno e milhares que serviram e até deram sua vida pelos outros, toda essa gente assumiu a parceria de tornar este mundo melhor do que o encontraram. A Igreja os aponta como santos. Viveram sancionados e portavam na sua vida o selo de qualidade, o "ISO" de Deus. Dos que se auto-nomearam parceiros, mas fizeram o que queriam com a doutrina e o amor é melhor nem falar. É coisa de remador que desviou o barco para onde mais lhe interessava... 
Padre Zezinho