A Palavra de Deus

A Palavra de Deus

DOPAS

DOAÇÃO, ORAÇÃO, POBREZA, ALEGRIA E SIMPLICIDADE

11 de janeiro de 2011

Casais que se contemplam.

Contou-me ele, depois de onze anos de casamento. Não conseguindo dormir de dor no joelho, sentou-se numa poltrona ao lado da esposa que dormia no leito, chegou mais perto e passou a noite contemplando a mulher que o fizera pai, o ajudara a amadurecer para o amor e para a vida e o enchera de felicidade e sensatez. 

-"Gratidão foi o que senti"-, dizia ele. E prosseguiu: - "Deus me deu uma mulher suave bonita, dois filhos, uma família amorosa e uma cúmplice para todos os momentos" 

É discorria: 

"Fiquei olhando a mulher que eu procurara e achara, a mãe dos meus filhos, aquele corpo bonito, aquela alma escondida sob os olhos que dormiam, e vi nela meu outro eu, extensão de mim, ou eu extensão dela, não sei ao certo! 

Mas uma das frases dele captou-me de maneira especial. Disse-me: -" Eu era um tipo de homem antes dela. Depois dela eu mudei. Acho que Deus a enxertou em mim e me enxertou nela. Produzo frutos que jamais pensei ser capaz de produzir. Ela deu sabor especial à minha vida. Acho que eu também a tornei mais pessoa." 

Palavras de marido apaixonado que contempla sua esposa à beira do leito. Quantas esposas e maridos não assinariam em baixo dessa frase? Embora vocês brinquem, dizendo que se casaram com um desastre, com um estrupício, brincadeiras à parte, vocês sabem que, agora, quando querem achar-se, precisam mergulhar um no outro, porque seu eu está dentro da pessoa amada. Vocês deram, um ao outro, o que tinham de melhor e, agora, quando querem achar o melhor si, procuram no cônjuge. É investimento que rende! Isso, quando o casamento deu certo! 

Conto sempre a história de Dona Leila, para ilustrar o que é um bom casamento. As meninas, que a idolatravam pela excelente mestra e amiga que era, um dia, em aula, perguntaram, à queima roupa, quando ela perdera a virgindade. Dona Leila, tranqüila, reagiu: 

- Mas eu não perdi! Não sou mais virgem, mas não perdi a virgindade! 
- A senhora é casada e tem três filhos. Como não perdeu a virgindade? 
- Eu não rodei bolsinha, nem saí do baile para o motel com um cara que nunca mais vi. Não perdi a virgindade para qualquer um. Dei-a ao meu marido e ele mora comigo. Minha virgindade está lá no mesmo leito que dividimos há catorze anos. E está em excelentes mãos. Só perde a virgindade quem não sabe onde a colocou. Eu sei o que fiz. Foi troca: eu me dei a ele e ele se deu a mim. Agora eu sou de um bom homem e ele, modéstia à parte é meu. Ele não precisa dizer isso: eu percebo. 

Daquele dia em diante, as meninas perceberam que, isso de gostar de um cara, namorar e acasalar, passa pela descoberta de quem é este outro com quem criarão filhos. Sem alteridade, o sexo é apenas um troca-troca egoísta. Com alteridade é uma viagem de almas e corpos entrelaçados. É por isso que o casamento se chama de enlace! De laços o amor é feito. 
Pe. Zezinho, scj 

8 de janeiro de 2011

Evangelho do Dia!


Evangelho (João 3,22-30)

Sábado, 8 de Janeiro de 2011 -  Sábado depois da Epifania

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 22Jesus foi com seus discípulos para a região da Judeia. Permaneceu aí com eles e batizava. 23Também João estava batizando, em Enon, perto de Salim, onde havia muita água. Aí chegavam as pessoas e eram batizadas.
24João ainda não tinha sido posto no cárcere. 25Alguns discípulos de João estavam discutindo com um judeu a respeito da purificação. 26Foram a João e disseram: “Rabi, aquele que estava contigo além do Jordão e do qual tu deste testemunho, agora está batizando e todos vão a ele”.
27João respondeu: “Ninguém pode receber alguma coisa, se não lhe for dada do céu.28Vós mesmos sois testemunhas daquilo que eu disse: ‘Eu não sou o Messias, mas fui enviado na frente dele’. 29É o noivo que recebe a noiva, mas o amigo, que está presente e o escuta, enche-se de alegria ao ouvir a voz do noivo. Esta é a minha alegria, e ela é completa. 30É necessário que ele cresça e eu diminua”.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.

Comentário do Evangelho:
No evangelho de João, Jesus escolhe seus discípulos dentre os discípulos de João Batista. Após ser batizado por João, reúne seus primeiros discípulos, Adré, Pedro, Filipe, Natanael, e, com eles, segundo este evangelho, Jesus inicia seu ministério na região da Judéia, e, aí, batizava. Ao saber disto, João Batista reconhece a graça presente em Jesus e dá testemunho da sua autenticidade. Ele tem consciência de que veio para preparar o caminho da revelação de Deus, e não para se constituir em um obstáculo neste caminho. 
O autêntico missionário é aquele que com humildade prepara o caminho, e depois se alegra ao perceber a ação de Deus na comunidade, pelos carismas aí manifestados através das iniciativas de seus membros.
José Raimundo Oliva

PREGUIÇA ESPIRITUAL.

Negar-se a anunciar Jesus é grave, mas anunciá-lo apressada e superficialmente também é. Sair por aí anunciando que Jesus nos soprou aos ouvidos e por nosso meio manda mais um recado ao mundo é como aceitar operar um paciente do coração sem ter estudado medicina. 

Dar a Deus o coração e negar-se a lhe dar o cérebro é tão grave quanto acelerar o carro e ao mesmo tempo pisar no freio. O motor funde ou a fé rodopia. Por isso, cristãos que sabem ler, mas por não gostarem de livros, não fazem o menor esforço por aprender mais do que já sabem, e assim mesmo sobem aos púlpitos e banquinhos de igrejas e salões garantindo que Deus quer isto mais isto mais aquilo, estão blefando. Eles não sabem tanto quando dizem saber e não são tão inspirados quanto dizem ser. 

Um autor, Richard Dawkins, ateu militante e combativo escreveu Deus, um Delírio; A Grande História da Evolução; O Maior Espetáculo da Terra: as evidências da Evolução; O relojoeiro cego, a Evolução Contra o desígnio Divino, fez o mesmo que outro autor que na mesma estante anunciava: Deus quer que você Enriqueça. Paul Zane Pilzer. Centenas de livros provam que Deus existe e centenas de outros negam sua existência. Há os que negam que Deus possa ter dito ou feito o que quer que seja e os que garantem que Deus disse o que Deus nunca diria. 

Esforçados ateus ou agnósticos recheiam hoje nossas estantes tentando provar que Deus é um delírio da humanidade. Esforçados crentes tentam provar que Deus é uma realidade. Outros garantem que Deus falou com eles e lhes deu mais um recado. E não faltam livros a dizer que todos os dias a mãe de Jesus dá um recado a determinado vidente. Há quem creia e há quem duvide. 

Os livros a favor e contra a religião provocam que os lê a tomar posição a partir de uma longa e comparada reflexão. É melhor ter um mapa com inúmeras estradas do que arriscar a viagem apenas no palpite ou na certeza de que a única estrada nos levará. Pode haver alguma ponte caída! Certeza de que Deus não existe é quase igual á certeza de que ele existe. Quando não há a menor dúvida é porque não houve suficiente reflexão. Vale o que disseram os discípulos:- Cremos, mas aumenta nossa fé! ( ) Tinham concluído que Jesus estava acima do seu raciocínio. Mas ao menos raciocinaram! 
Pe. Zezinho, scj 

5 de janeiro de 2011

Ser História.

É como chegar solitário, ao alvorecer, a um antigo santuário, acreditando ser o primeiro, quando, na verdade, por séculos, milhares de peregrinos precederam seus passos. E atrás de você eles seguem, invisíveis, seu caminho... A história e um percurso que levará mais longe a humanidade e seu ser humano 

em direção à perfeição, como Deus prometeu. 
Mas sua perfeição maior não viverá a não ser em uma outra terra: a comunhão com os outros. Você não conservara o culto da origem de onde você partiu ou do ponto em que os seus iniciaram sua marcha: 
uma ilusão, que o fará desprezar a história que você e os outros, diferentes de você, estão percorrendo. 
Sua origem permanecerá, mas apenas como fundamento daquilo que um número maior de mãos saberão construir juntas. E sua história ajudará a humanidade a sonhar. 
Porque o sonho não é evasão, mas revolução do mundo no qual você está vivendo. 
Será como plantar num campo um choupo altíssimo, para mostrar às flores do campo o ideal a que, juntas, devem aspirar. Será caminhar com o olhar fixo à frente, mas não com os passos recalcitrantes de quem adora o passado. 
Querer repetir aquilo que já passou é privar-se de qualidades maiores que você possui: a liberdade de caminhar, a responsabilidade de levar consigo, pelo caminho, aquele que o precedeu. 
O ser humano: uma vocação , não um peso ou um destino, nem uma aventura. 
É Deus mesmo que o chama para ir em direção a ele e superar os obstáculos que você encontra. Superar, por fim, a si mesmo e às suas diferenças. 
Cada um será chamado pelo nome para amar a vida e aquilo que ela reserva. No entanto, se você caminhar sobre suas próprias pegadas, terá a ilusão de caminhar. Se seguir pelas dos outros, pensará estar seguindo adiante. 
Porque você estará sobre trilhas novas, com dificuldades e soluções diferentes, e acompanhá-lo-á a mesma vontade de avançar que moveu aquele que, antes de você, parou. 
Sua história é um passado, um presente, mas, também, um futuro que a fecunda. 
E a faz crescer como cresce aquele pão que, tomando cor, o alimenta a cada dia. 
0 caminho percorrido é, para você, encorajamento, para abrir outros caminhos, que ainda não existem. 
Mas se você for condenado a seguir em frente sozinho, há de se recordar que, um dia, aquele que tem o nome de profeta será bendito. E quando um caminho tortuoso de incompreensão o fizer desaparecer de suas vistas, ainda assim você ouvirá a voz dele, dizendo que a história é professora da coragem. Mas de humildade ainda maior... 
Por isso Deus amou tanto a história dos humildes que acabou por desposa-la. 
É nela que revela a potência de seu amor, é nela que sustenta os fracos e os homens e mulheres misericordiosos, é nela que acompanha o estrangeiro em seu caminho. 
Dessa forma, viver junto da compaixão ou na diferença entre vocês será falar de seu futuro. 
Será antecipar a graça do último dia, mas o primeiro da história de Deus. 
Renato Zílio 

Nossa Igreja tem ascendência, tem raiz!

Jesus é a verdade, e tem a verdade em si. A grande verdade que ficou guardada no coração de Deus e que Jesus revelou, após a multiplicação dos pães e o Seu caminhar sobre as águas no mar em tempestade na Galileia (cf. Jo 6,1-21), é que Ele se daria a nós na Eucaristia.

Ele foi para o Céu e está à direita do Pai, e deixou-nos a Igreja. Mais ainda: Jesus firmou essa Igreja numa rocha. No Evangelho de São Mateus, depois que Pedro confessou: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Tu és o Ungido! Tu és o Messias!”(cf. Mt 16,16).

Assim como Pedro revelou a identidade de Jesus: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo”, da mesma forma Jesus declarou a identidade de Pedro: “Tu és pedra, e sobre esta pedra, que és tu, Pedro, edificarei a minha Igreja”. Precisamos aceitar e viver essa realidade.

A Igreja sempre se reuniu para pedir a inspiração de Deus na escolha de alguém que sucedesse Pedro e assumisse sua autoridade, na unção do Espírito, como Josué sucedeu Moisés e continuou sua missão. A nossa Igreja tem ascendência, tem raiz. Ela vem desde Jesus que constituiu Pedro. Só existe uma Igreja verdadeira, a Igreja una, santa, católica, apostólica.

Deus abençoe você!

Monsenhor Jonas Abib

O Deus que procuramos.

O Deus que procuramos é um Deus que pode ser encontrado, mas não do nosso jeito: tem que ser do jeito Dele. Toda vez que dissermos que achamos Deus e o encontramos do nosso jeito, corremos o risco de ter encontrado o sinal e confundido as coisas. Agarramos a placa que apontava para o destino pensando que ela era o destino. Fizemos como o bêbado que se agarrou à placa que dizia Belo Horizonte achando que tinha chegado... Há religiosos que se comportam como aquele bêbado. 
Aquela língua de fogo na cabeça dos apóstolos não era o Espírito Santo: era um sinal que Ele dava. Aquela pomba que pairou sobre Jesus no dia do seu batismo, não era o Espírito Santo: era um sinal do Espírito Santo de Deus. Aquele vento forte que soprou no cenáculo não era o Espírito Santo: era sinal do Espírito Santo. As pessoas têm a tendência de confundir a imagem da pessoa com a pessoa. Os primitivos confundiam a foto da pessoa com a alma da pessoa. Muita gente, hoje, confunde as manifestações de Deus com o próprio Deus, mas são apenas manifestações. São sinais que Deus envia. 
É claro que aqueles sinais nascem Dele, mas aqueles sinais não é Ele. Da mesma forma que eu não sou a palavra que pronuncio, nem a pintura que pinto, nem a canção que canto: eu sou mais do que tudo isso. As pessoas que não param para refletir são capazes de confundir alhos com bugalhos. Receberam um sinal de Deus e dizem que receberam Deus. Viram um sinal que não entenderam e que poderia ser de Deus e dizem que viram Deus. A sarça ardente que Moisés viu não era Deus. Era só sinal. 
É por isso que no mundo existem muito mais visões do que aparições. Vê-se muito mais do que aquilo que realmente aconteceu. A mente humana é muito criativa. É capaz até de criar o que ela gostaria que existisse. Por isso pode criar uma Nossa Senhora que realmente não apareceu, um santo que realmente não lhe disse nada, ou o próprio Deus que realmente não se manifestou. Não confundamos os sinais que estamos procurando, com aquele que estamos vendo. Mas já é grande coisa sabermos distinguir os sinais. Eles, ao menos mostram que estamos no caminho certo. Se não nos comportarmos como bêbados, eles são úteis. O bêbado vai achar que chegou, só porque achou a placa ou a seta... Procuremos, mas procuremos direito...
Pe. Zezinho, scj