A Palavra de Deus

A Palavra de Deus

DOPAS

DOAÇÃO, ORAÇÃO, POBREZA, ALEGRIA E SIMPLICIDADE

18 de abril de 2013

DAQUI A 100 DIAS.....

Quando por volta do meio dia do domingo, dia 21 de agosto de 2010, em Madri, na Espanha, o então Papa Bento XVI, em espanhol, anunciou ao mundo que o Rio de Janeiro, no Brasil, seria a sede da próxima Jornada Mundial da Juventude em julho de 2013, um antigo sonho da juventude brasileira começava a se tornar realidade. Esse evento, criado pelo Beato Papa João Paulo II, tinha até então ocorrido na maioria das vezes no hemisfério norte do planeta. Apesar de muitos jovens latino-americanos terem participado de todas as edições da JMJ, sempre eram poucos, no entanto, com relação à grande massa de jovens europeus que acabaram tendo uma tradição “de jornadas” que marca a vida e a organização da pastoral juvenil de muitos países. O pedido feito e aprovado pelos Bispos em Assembleia de Itaici tornou-se público ao Santo Padre no encontro com a juventude no Pacaembu em 2007. Agora torna-se realidade. 

O olhar do mundo jovem se volta pela segunda vez para a América Latina. Depois de 26 anos que ocorreu a primeira e única jornada em nossa região, agora com um Papa Latino Americano, ela retorna para ser realizada em nosso país. Será a primeira em língua portuguesa. 

Como já tinha acontecido em 2005 com a jornada em Colônia, na Alemanha, que João Paulo II preparou e Bento XVI é quem foi presidir, ocorre pela segunda vez uma jornada de dois Papas: Bento XVI quem escolheu, preparou e o Papa Francisco é que presidirá. É uma oportunidade única para o nosso país e um grande serviço da cidade do Rio de Janeiro para os jovens do mundo. 

A Jornada atinge a todos os jovens. Embora sejamos nós que organizamos em colaboração com as autoridades federais, estaduais, municipais, de segurança, das forças armadas e tantos outros atores, a Jornada é dar ao jovem o protagonismo de um grande evento, preparado em sua maioria por jovens que constituem o Comitê Organizador Local (COL) para todos os jovens de boa vontade. Já temos encontro entre jovens das três religiões monoteístas – judeus, cristãos e muçulmanos – se preparando com reuniões. Os jovens cristãos de diversas denominações se apresentam como voluntários e suas casas são disponibilizadas para hospedagem. A riquíssima dimensão cultural com filmes, teatros, exposições, museus, palcos e outras oportunidades poderá ser um belo momento mesmo para o jovem que não professa nenhuma fé. 

É um evento mundial em que os jovens nos ensinarão que é possível ter esperança em um mundo novo e que é possível ser jovem nesse atual momento de mudança de época cultural da humanidade, tendo valores importantes para a vida da pessoa humana e da sociedade. Nossa certeza é o Cristo Ressuscitado a quem anunciamos e que nos conduz ao Pai. Os acontecimentos mundiais, nacionais e locais sobre a violência, guerra, incoerência, corrupção, intolerância, pobreza, dependência e tantas outras situações recordam que muitas vezes o nosso progresso científico, comunicacional, midiático, logístico e outros não foi acompanhado por um progresso na fraternidade e no entendimento das pessoas e no respeito uns pelos outros. Em muitas situações humanas parece que estamos mais atrasados do que aqueles povos que chamamos de “bárbaros” na história. Não apenas porque destruíam os monumentos e as civilizações, mas também pensando na truculência e na falta de respeito à dignidade humana. Tempos e consequências que sentimos que a “pedra angular” da sociedade está sendo esquecida. Assim nenhuma casa construída resiste aos vendavais da história. 

A JMJ é um tempo em que se sinalizam belos sinais de esperança e confiança no futuro com compromisso do povo jovem com uma presença alegre, mas responsável pelos valores que realmente fazem diferença na vida da pessoa humana. Temos certeza que estamos servindo a humanidade de hoje e de amanhã com esse serviço que prestamos. 

A nossa Arquidiocese se prepara com muito carinho. A unidade e os belos sinais concretos que recebo dos padres e do povo que se colocam disponíveis para ajudar e partilhar é muito consolador. A peregrinação dos símbolos da Jornada, que no dia 18 de setembro de 2011 iniciou o seu caminho no Campo de Marte em São Paulo, está chegando ao final: no dia 21 de abril chegará ao Estado do Rio de Janeiro e no dia 6 de julho à cidade do Rio de Janeiro. Esses símbolos trazem consigo toda uma esperança e alegria de um povo que confia em tempos melhores e se compromete com a vida. Já de per si só esses sinais motivaram para que o “setor juventude” em nosso país possa contar com a participação de todas as expressões de trabalho jovem. 

O trabalho tem sido árduo. Já tivemos que aumentar o local do COL. A Arquidiocese procura corresponder mesmo com dificuldades a tantas demandas. As notícias sobre a JMJ e principalmente sobre a vinda do Papa pipocam pelas mídias. Algumas vezes sem muita correspondência com a verdade. Mas agradecemos muito a esse importante serviço que fazem em prol da verdade e da comunicação. As várias dificuldades surgidas nesses dois anos, longe de nos desanimar nos deram renovado ânimo. Quanto mais provados e quanto mais dificuldades, mais temos confiança que o Senhor nos prepara para um serviço importante para o mundo, para a Igreja, para os jovens. Levamos com alegria essa missão que a Igreja nos confiou e procuramos fazer o melhor que podemos. Sempre me causou uma grande alegria ver e constatar a criatividade dos vários setores do COL e o empenho de cada grupo com o seu trabalho, mesmo com algumas limitações de espaço, de autorizações ou dificuldades financeiras. Nada disso os tirou do sonho de prepararem um momento importante para a vida do jovem do mundo aqui no Rio de Janeiro. Vocês jovens empenhados nessa bela aventura de fé nos renovam o ânimo e a coragem de continuar lutando pela evangelização. 

A nossa cidade, como tantas outras, tem suas limitações e dificuldades. Temos contado com muita sinceridade e disponibilidade para procurar vencer os problemas e montar um esquema para receber o melhor possível aqueles que para cá virão. Claro que os que não poderão vir, e esses são a maioria, poderão acompanhar por vários meios de comunicação antigos e novos. Teremos oportunidade de viver a “aldeia global” nesses dias com a participação das mídias sociais que nos trazem também as várias opiniões daqueles que estão longe. 

Agora, 100 dias nos restam para os preparativos. Entramos na reta final. Muito serviço temos pela frente. Não podemos perder um só momento para podermos estar prontos para acolher aqueles que começarão a chegar após as semanas missionárias pelo país. De coração desde já os abraçamos e desejamos as boas-vindas! Vocês são nossos irmãos e assim os recebemos: com carinho de família! 

Sabemos também que nos vários países e nas outras cidades do Brasil todos se preparam para a JMJ – alguns para se deslocarem para o 
Rio de Janeiro e viver o belo momento junto com o Papa Francisco, que temos certeza, assim como tem acontecido até hoje, encantará os jovens do mundo aqui no Rio de Janeiro. Os outros que não se deslocarão, mas que farão seus encontros assistindo tanto as celebrações do Papa como através das mídias alternativas os demais eventos da Jornada, também se preparam para viver esse momento único para o nosso país. 

Mas todos estaremos voltados para o futuro. Além dos legados materiais de uma jornada: questão ecológica, trabalho com os adictos, movimentação financeira para o país, treinamento das pessoas que se tornam líderes, saber acolher o outro como irmão e tantas outras situações, o grande legado é justamente levar Deus para o coração do jovem que, de certo modo já O encontrou, mas que O continua procurando e que é a razão de sua vida. Queremos também demonstrar a confiança que temos no jovem e constatar a responsabilidade alegre do jovem com o amanhã do mundo. O encontro com Cristo que nos conduz ao Pai dos jovens de mais de 160 países, junto com o Papa Francisco, transforma esse evento em um evento para o futuro. O “ide e fazei discípulos entre os povos” que marca o tema dessa Jornada levará, sem dúvida, os discípulos jovens de Cristo a viverem com muito entusiasmo e alegria a sua missionariedade, e sabendo construir um mundo com sua presença e atuação. Já estão hoje em diversos locais de responsabilidade e também no amanhã estarão dirigindo empresas e nações. Eles sempre se lembrarão de que a fraternidade entre os povos de diversas línguas e ideologias é possível, e que é possível também nos sentirmos irmãos e sermos acolhidos como tais mesmo com línguas e costumes diversos. 

Meus irmãos e irmãs: 100 dias nos separam desse grande e belo momento. Convido a todos para redobrarem suas orações e intercessão para que o Senhor nos conceda todas as luzes necessárias para essa vivência de fé e nos ajude a discernir os melhores caminhos para este belo e grande serviço à humanidade. 

Venham meus amigos, para serem enviados por Cristo como missionários do Reino! Nós nos encontraremos daqui a 100 dias aqui no Rio de Janeiro! Deus os acompanhe na viagem até aqui. Em nome de todos digo: bem-vindos! A paz esteja com todos! 
Dom Orani João Tempesta - Colunista do Portal Ecclesia.

OS SENTIDOS DA ESCRITURA


Para fazer uma boa leitura da Bíblia, a Igreja nos recomenda ter em mente vários sentidos da Escritura:

A analogia da fé – A Bíblia é um livro de verdades religiosas reveladas por Deus. Cada texto está, de certa forma, relacionado com toda ela e com a fé da Igreja. Não podemos tirar um texto ou um versículo que seja deste contexto. Aqui, entra a fundamental importância da tradição e do Magistérioda Igreja. É ela quem deve ter a palavra final, a fim de evitar o perigoso subjetivismo (“eu acho que...”).

O sentido da História – Deus é o Senhor da história dos homens, e a Sua santa vontade se realiza por meio das vicissitudes humanas. O avançar da história também nos ajuda a compreender a Sagrada Escritura. Jesus mandou observar os sinais dos tempos. O sentido do movimento progressivo da revelação – É importante notar que Deus, na Sua paciência, foi se revelando lentamente, durante 14 séculos, e continuou a se revelar durante mais de 20 séculos pelos caminhos da Sua Igreja, pela Sagrada Tradição (transmissão oral, não escrita) que para nós católicos tem o mesmo valor das Sagradas Escrituras.

O sentido da relatividade das palavras – As palavras são relativas, ou seja, nem sempre são absolutas. Para compreender o texto bíblico, importa saber o que elas significavam exatamente quando foram usadas pelo autor sagrado.

O bom senso e o senso crítico – A nossa inteligência e o nosso equilíbrio diante dos fatos. É bom saber perguntar diante de certas interpretações: isto tem fundamento no texto original ou é apenas o ponto de vista de alguém em desacordo com o autor sagrado?

O sentido literal – É dado pelo significado das palavras da Escritura e descoberto pela exegese (estudo profundo do texto bíblico), o qual segue as regras da correta interpretação. São Tomás de Aquino dizia que “todos os sentidos devem estar fundados no literal” (Suma Theol. 1,1,10 ad 1). (§116)

O sentido espiritual – Graças à unidade do projeto de Deus, não somente o texto da Escritura, mas também as realidades e os acontecimentos de que fala, podem ser sinais. O sentido espiritual pode ser subdividido em alegórico, moral e anagógico.

O sentido alegórico – Podemos adquirir uma compreensão mais profunda dos acontecimentos, reconhecendo a significação deles em Cristo; assim, a travessia do Mar Vermelho é um sinal da vitória de Cristo e também sinal de batismo (cf. 1Cor 10,1-2).

O sentido moral – Os acontecimentos relatados, na Escritura, podem conduzir-nos a um justo agir. São Paulo diz que eles foram escritos para a nossa instrução (cf. 1Cor 10,11).

Ler a Escritura dentro da tradição viva da Igreja inteira.

Conforme os ensinamentos dos Padres da Igreja, “a Sagrada Escritura está escrita mais no coração da Igreja do que nos instrumentos materiais”. Com efeito, a Igreja leva, na sua tradição, a memória viva da Palavra de Deus, e é o Espírito Santo que lhe dá a interpretação espiritual da Escritura (“... segundo o sentido espiritual que o Espírito dá à Igreja”) (Orígenes, hom. Lv. 5,5), (§113).
Felipe Aquino

DE QUE LADO ESTAMOS?


Não é necessário muito para que um cristão se torne o sujeito mais fraco do mundo e desista diante de qualquer obstáculo. Desse modo, precisamos estar abertos para receber a força do Alto. Como vamos fortalecer poderosamente nosso homem interior, se nos enchemos com essas "futricas" apresentadas pelo mundo? Somos chamados a coisas grandes. Se temos um projetinho pequenininho para nossa vidinha, estamos no lugar errado. Supliquemos o Espírito Santo, pois Pentecostesé para aqueles que querem ser cheios do Espírito de Deus. Se quisermos ser do Paráclito, temos de ser animados por Ele. Se Ele nos defende das três grandes acusações (do mundo, do pecado e do encardido), se o salário do pecado é a morte, se todos os pecadores estão privados da glória de Deus, se o encardido é o nosso acusador, de que lado estamos? Se quisermos ser cheios do Espírito Santo, temos de nos esvaziar das coisas do encardido e mudar de lado. Estamos do lado de quem defende (Espírito Santo) ou do lado de quem acusa?

O encardido sempre tem dois instrumentos no bolso: uma lista de todos os nossos pecados não confessados e uma lupa. Se nos reunirmos, em nome de Jesus, o Senhor estará presente, mas se nos reunirmos para acusar alguém, quem estará no meio dessa atitude é o encardido com sua lista de limitações e sua lupa, a fim de aumentar as acusações e diminuir o acusado. Quem nos acusa vê nossos erros ampliados e nós, ao contrário, os vemos bem pequenos.

Para sermos cheios do Espírito Santo, devemos dispensar o encardido e jogar fora sua lista. Somos pecadores, fracos, mas temos um mediador, alguém que morreu para que não sofrêssemos as consequências do nosso pecado. Esse alguém tem nome e, diante dele, todos os joelhos se dobram na terra, no céu, no inferno, e toda língua proclama que Jesus Cristo é o Senhor. É preciso coragem para se afastar de todos aqueles que não são de Deus.

“Estes são murmuradores descontentes, homens que vivem segundo as suas paixões, cuja boca profere palavras soberbas e que admiram os demais por interesse. Mas vós, caríssimos, lembrai das palavras que vos foram preditas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo, os quais vos diziam: 'No fim dos tempos virão impostores, que viverão segundo as suas ímpias paixões; homens que semeiam a discórdia, homens sensuais que não têm o Espírito'. Mas vós, caríssimos, edificai-vos mutuamente sobre o fundamento da vossa santíssima fé. Orai no Espírito Santo. Conservai-vos no amor de Deus, aguardando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna” (Jd 1,16-21).

Tudo seja grande em nós.
Padre Léo, scj

UMA NOVA PARÓQUIA


A 51ª Assembleia Geral Ordinária da CNBB, em Aparecida, tem como tema central a questão paroquial. Depois de examinarmos a realidade religiosa em nosso país, na análise da conjuntura, nós nos debruçamos sobre a necessidade de encontrar meios de fazer com que as paróquias sejam comunidade de comunidades ou rede de comunidades como dizemos. O documento ainda não sairá, nesta Assembleia, pois o texto, depois de corrigido, discutido e aprovado, irá para reflexão nas comunidades para depois, em outra Assembleia, ser aprovado como documento de nossa Conferência Episcopal.

A paróquia é a casa, por excelência, de todos os fiéis, onde eles devem encontrar o Cristo Ressuscitado. A paróquia é lugar de acolhida, de orientação, de ajuda espiritual e material. É a partir da paróquia que se podem descobrir os espaços não evangelizados de um território ou as situações que demandam atenção especial: escolas, hospitais, prisões, invasões, migrantes, favelas. A paróquia deve atingir o meio cultural e proporcionar ação pastoral que alcance o mundo da cultura e das artes. 

A partir das paróquias pode acontecer uma renovada evangelização. Assim sendo, nossas paróquias devem ser acolhedoras, missionárias, fomentando redes de comunidades vivas e atuantes, que sejam irradiadoras de vida e, portanto, evangelizadoras. Acolhimento e missão formando discípulos de Cristo Ressuscitado que vivam na unidade.

Devemos apostar na presença da Igreja, em forma de pequenas comunidades, em todos os cantos e recantos do território paroquial, naquilo que se chama capilaridade. As pequenas comunidades bem orientadas e unidas na caminhada de Igreja podem ser um bom caminho de renovação da paróquia, porque possibilitam responder à vocação cristã que se realiza sempre em comum.

A renovação da paróquia é fundamental para a Igreja enfrentar os desafios pastorais, a missão... Enfim, evangelizar, levar a Boa Nova de Jesus Cristo a todas as pessoas, formando pequenos núcleos pastorais, como células vivas da grande mãe, chamada paróquia. As migrações arrancaram as pessoas de suas raízes e trouxeram-nas para as cidades. Hoje, a nossa vida em geral é urbana.

Na paróquia, temos três compromissos fundamentais, os quais provêm da essência da Igreja e do ministério sacerdotal. O primeiro é o serviço sacramental. Entre os sacramentos, o que se destaca, é claro, é a Eucaristia, centro e fonte de nossa vida cristã. Porém, temos dois sacramentos que merecem uma atenção especial devido às atuais circunstâncias. Um deles é o sacramento do batismo, a sua preparação e o compromisso de dar continuidade às recomendações batismais, e que já nos colocam também em contato com quantos não são muito crentes. Temos, nesse trabalho, a importante iniciação cristã. O compromisso de preparar o batismo, de abrir as almas dos pais, dos parentes, dos padrinhos e das madrinhas à realidade do sacramento, já pode e deveria ser um compromisso missionário, que vai muito além dos confins das pessoas já "fiéis". Ao preparar o batismo, procuramos fazer compreender que este sacramento é inserção na família de Deus, pois Ele vive e se preocupa conosco. Esse sacramento nos faz aprofundar em toda a vida cristã.

Outra preocupação paroquial a ser considerada diz respeito aosacramento do matrimônio. Também ele se apresenta como uma grande ocasião missionária, porque, hoje, graças a Deus, temos muitos que desejam se casar na Igreja, inclusive tantos que, mesmo batizados, não a frequentam muito. É uma ocasião para levar estes jovens a confrontar-se com a realidade, que é o matrimônio cristão, o matrimônio sacramental. A preparação para o matrimônio é uma ocasião de grandíssima importância, de missionariedade para anunciar, de novo, no sacramento do matrimônio, o sacramento de Cristo. Aqui se insere toda a questão da vida e família.

O segundo compromisso fundamental da paróquia é o anúncio da Palavra, com os dois elementos essenciais: a homilia e a catequese.Urge redescobrirmos que a homilia deve ser a "ponte" entre a Palavra de Deus, que é atual, e deve chegar ao coração das pessoas. Devo dizer que a exegese histórico-crítica com frequência não é suficiente para nos ajudar na preparação da homilia. Observemos que o próprio Papa Francisco, na sua celebração cotidiana na Capela da Casa Santa Marta, onde está residindo, de maneira muito atual para a vida da Igreja e de todos os batizados, está atualizando a Palavra de Deus para vivermos a nossa vocação batismal. Ele assim também se expressou à comissão bíblica internacional nestes dias.

O terceiro compromisso fundamental da paróquia é a questão social: a “charitas”, a “diakonia”. “Somos sempre responsáveis pelos que sofrem, pelos doentes, pelos marginalizados e pobres”. Pelo retrato da diocese, vejo que são numerosos os que têm necessidade da nossa diakonia e esta também é uma ocasião sempre missionária. Assim, tenho a impressão de que a ‘clássica’ pastoral paroquial se autotranscenda nos três setores e se torne pastoral missionária.

Por isso, não podemos nos descurar do respeito que devemos dar aos nossos agentes de pastoral. O pároco não tem como fazer tudo! É impossível! Hoje, quer nos movimentos, quer nas pastorais, nas associações ou nas novas comunidades que existem, temos agentes que podem ser colaboradores para a constituição de uma verdadeira rede de comunidades, para que a paróquia atinja a todos os que não são tocados pela nossa pastoral clássica.

O trabalho paroquial será enriquecido com as ideias que o documento de nossa Assembleia Geral traz para ser aprofundado e colocado em prática. É um tema necessário e atual. Tenho certeza de que nos ajudará a dinamizarmos ainda mais nossa missão de discípulos de Jesus Cristo nestes tempos de tantas necessidades. 
Dom Orani João Tempesta, O. Cist. - Arcebispo Metropolitano de São Sebatião do Rio de Janeiro (RJ)

SINDROME DA DISPERSÃO


Encontro muitas pessoas que me perguntam: “E aí, padre, correndo muito?”. No começo, eu sentia a obrigação de fazer um relatório completo das mil e uma atividades que me roubavam preciosas horas de sono e ocupavam minha escrivaninha com montes e montes de pastas a considerar e agendas que eu deveria cumprir. Aos poucos, fui percebendo que a sociedade moderna está doente da síndrome da dispersão. Sim, já virou doença. O estresse e a depressão são apenas sintomas dessa causa mais profunda.

Até o que seria um momento de lazer torna-se estressante naquele trânsito parado na descida ou na subida da serra, na padaria que não dá conta dos clientes de fim de semana ou na corrida por aquele pequeno lugar da disputada praia. Estamos doentes. As igrejas multiplicam pastorais e movimentos, nos quais, necessariamente, os cristãos devem estar engajados. Tudo bem. Mas acontece que muitos pertencem a duas, três e até quatro pastorais e simplesmente vivem a semana toda na igreja, muito mais do que com suas próprias famílias. Padres resolvem ser políticos e médicos pretendem ser gurus; psicólogos querem ser sacerdotes e políticos imaginam ser “deuses”.Todos sentem a obrigação de saber quase nada sobre quase tudo. A superficialidade é filha primogênita da dispersão. Fazemos um amontoado de coisas sem qualidade. Somos obrigados a atingir metas de qualidade total... ou seria de quantidade total?! Nesse caminho, a modernidade enlouquecerá.

Vamos acelerando o carro e, quando percebemos, já passamos, e muito, da velocidade máxima permitida. Reduzir para os 100 quilômetros por hora chega a ser frustrante para aquele que está contaminado pela “síndrome da dispersão”. Parar, então, é simplesmente uma tortura. A ausência da adrenalina pode provocar até doenças físicas. Pasme: estamos viciados em trabalho, perigo e violência. O refrão dessa tragédia é sempre o mesmo: não tenho tempo, não tenho tempo, não tenho tempo! Esta é a cantilena que escutam filhos carentes, namoradas com saudades, esposas e maridos, aquela vovó que espera ansiosa a visita de seus filhos e netos.

Sei que estou sendo radical, mas também sei que apenas uma surra da vida costuma tornar possível a cura da síndrome da dispersão. Existem os que ficam realmente doentes e procuram um médico. O problema é que muitos profissionais da saúde têm a mesma doença e resolvem seu próprio problema receitando, irresponsavelmente, uma quantidade enorme de medicamentos que irão tapar o sol com a peneira. É o milagre instantâneo provocado por medicações recentes. Mas sabemos que administrar essa medicação exige criar condições para que o paciente mude suas condições de vida. O terapeuta também deverá ser “paciente”.

Refleti muito sobre a raiz mais profunda dessa síndrome e percebi que é aquele mesmo desejo humano relatado já nas primeiras páginas daBíblia e que originou os outros pecados: “Vós sereis deuses”.

Deixe Deus ser Deus. Somos apenas humanos, feitos de terra e um sopro; somos frágeis. Os sábios não sabem tudo nem fazem tudo, mas saboreiam aquilo que fazem. Sabedoria é saber com sabor. Faça poucas coisas, mas as faça bem.

Teresinha do Menino Jesus, santa das pequenas coisas, rogai por nós! 
Padre Joãozinho, SCJ

11 de abril de 2013

EVANGELHO E LEITURA ORANTE PARA QUINTA-FEIRA

ANO C - DIA 11/04  Qunta-feira
Quem crê tem a vida eterna 
- Jo 3,31-36
Aquele que vem do alto está acima de todos. Quem é da terra, pertence à terra e fala coisas da terra. Aquele que vem do céu está acima de todos. Ele dá testemunho do que viu e ouviu, mas ninguém aceita o seu testemunho. Quem aceita o seu testemunho atesta que Deus é verdadeiro. De fato, aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, pois ele dá o espírito sem medida. O Pai ama o Filho e entregou tudo em suas mãos. Aquele que crê no Filho tem a vida eterna. Aquele, porém, que se recusa a crer no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele.”

LEITURA ORANTE

ORAÇÃO INICIAL
Em comunhão com todos os internautas, coloco-me ao lado de Jesus e Nicodemos, na atitude de discípulo/a. Há muitas coisas que Deus tem ainda para me ensinar e devo aprender. 
Peço a graça de saber escutar os seus ensinamentos e de me deixar transformar por eles. 
Preparo-me para a Leitura Orante, rezando com todos os que se encontram neste "continente digital":

Creio, meu Deus, que estou diante de Ti. 
Que me vês e escutas as minhas orações. 
Tu és tão grande e tão santo: eu te adoro. 
Tu me deste tudo: eu te agradeço. 
Foste tão ofendido por mim: 
eu te peço perdão de todo o coração. 
Tu és tão misericordioso: eu te peço todas as graças
1- LEITURA (VERDADE)O que diz o texto do dia? 
Leio atentamente o texto, na Bíblia: Jo 3,31-36, e observo palavras do Mestre.
Aquele que vem do alto está acima de todos. Quem é da terra, pertence à terra e fala coisas da terra. Aquele que vem do céu está acima de todos. Ele dá testemunho do que viu e ouviu, mas ninguém aceita o seu testemunho. Quem aceita o seu testemunho atesta que Deus é verdadeiro. De fato, aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, pois ele dá o espírito sem medida. O Pai ama o Filho e entregou tudo em suas mãos. Aquele que crê no Filho tem a vida eterna. Aquele, porém, que se recusa a crer no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele.
Aquele que vem do céu fala das coisas que viu e ouviu. Dá testemunho, portanto. Diz as palavras de Deus. Não as próprias palavras. Porque, diz o Mestre, Deus dá do seu Espírito sem medida. 
2- MEDITAÇÃO (CAMINHO)O que o texto diz para mim, hoje? 
Devo dizer as palavras de Deus. Para tanto, abro todo o meu ser - mente, vontade e coração - para que o Senhor o plenifique com seu Espírito sem medida. Disseram os bispos, em Aparecida: "O Senhor nos disse: “não tenham medo” (Mt 28,5). Como às mulheres na manhã da Ressurreição nos é repetido: “Por que buscam entre os mortos aquele que está vivo?” (Lc 24,5). Os sinais da vitória de Cristo ressuscitado nos estimulam enquanto suplicamos a graça da conversão e mantemos viva a esperança que não defrauda. O que nos define não são as circunstâncias dramáticas da vida, nem os desafios da sociedade ou as tarefas que devemos empreender, mas todo o amor recebido do Pai, graças a Jesus Cristo pela unção do Espírito Santo. Esta prioridade fundamental é a que tem presidido todos os nossos trabalhos que oferecemos a Deus, à nossa Igreja, a nosso povo, a cada um dos latino-americanos, enquanto elevamos ao Espírito Santo nossa súplica para que redescubramos a beleza e a alegria de ser cristãos. Aqui está o desafio fundamental que contrapomos: mostrar a capacidade da Igreja de promover e formar discípulos que respondam à vocação recebida e comuniquem em todas as partes, transbordando de gratidão e alegria, o dom do encontro com Jesus Cristo. Não temos outro tesouro a não ser este. Não temos outra felicidade nem outra prioridade que não seja sermos instrumentos do Espírito de Deus na Igreja, para que Jesus Cristo seja encontrado, seguido, amado, adorado, anunciado e comunicado a todos, não obstante todas as dificuldades e resistências. Este é o melhor serviço – seu serviço! – que a Igreja tem que oferecer às pessoas e nações" (DAp 14).
3- ORAÇÃO (VIDA)O que o texto me leva a dizer a Deus? 
Rezo, espontaneamente, com salmos ou outras orações e concluo: 
Espírito vivificador, 
a ti consagro o meu coração: 
aumenta em mim o amor a Jesus, Vida da minha vida. 
Faze-me sentir filho amado do Pai. Amém. 
Ó Jesus Mestre, Verdade, Caminho e Vida, tem piedade de nós.
4- CONTEMPLAÇÃO (VIDA E MISSÃO)Qual meu novo olhar a partir da Palavra? 
Meu novo olhar é de alguém que se sente enviado por Deus. Olho, vejo, analiso tudo, tomo decisões com o jeito de ser de Deus, pois sou seu filho. 
BÊNÇÃO
- Deus nos abençoe e nos guarde. Amém. 
- Ele nos mostre a sua face e se compadeça de nós. Amém. 
- Volte para nós o seu olhar e nos dê a sua paz. Amém. 
- Abençoe-nos Deus misericordioso, Pai e Filho e Espírito Santo. Amém. 
Ir. Patrícia Silva, fsp