A Palavra de Deus

A Palavra de Deus

DOPAS

DOAÇÃO, ORAÇÃO, POBREZA, ALEGRIA E SIMPLICIDADE

5 de março de 2015

O que Jesus quis dizer com a expressão felizes os pobres de Espírito?

O que Jesus quis dizer com a expressão felizes os pobres de Espírito?

Devemos aprender a valorizar tudo o que Jesus tem a nos oferecer

Quando somos pobres tudo o que recebemos, recebemos com alegria, pois sempre nos será útil. A pobreza nos ensina a valorizarmos muito mais aquilo que carregamos em nossos corações do que aquilo que temos de material. Nos ensina a olharmos para o próximo e vermos nele os nossos sofrimentos e nos ajuda a sermos mais compassivos, pois sentimos em nossa pele o que sente nosso irmão pobre.

Aprendemos a viver com pouco e isso nos basta.
Quando Jesus nos diz que o Reino dos Céus é dos pobres de espírito Ele quer que vivamos esta pobreza acima descrita em nosso espírito. Devemos receber com alegria tudo o que vem de Deus, pois tudo nos é útil, inclusive o sofrimento. Não é que devamos desejar o sofrimento, mas ele vem e é importante para o nosso crescimento espiritual, suportar o sofrimento com paciência e alegria é sinal de que nossa fé amadureceu. Faz-nos fortes e nos permitirá, ao final, participarmos com Cristo de sua Glória.

Aprendemos a dar valor àquilo que Deus nos concede em sua misericórdia e entendemos que tudo o que temos e somos, na verdade tem uma única origem: a graça divina.
Com essa visão, estamos aptos a compreender tudo aquilo que Jesus ensinou e disse que seriam revelados aos pequenos e escondido aos grandes, pois ao aceitarmos com alegria tudo o que nos é dado, nos tornamos pequenos diante da grandeza de Deus.

Quanto menos temos, inclusive do nosso espírito, menos coisas temos que nos prenda e a pobreza total significa liberdade total. Quanto mais nos esvaziamos de tudo, mais espaço haverá em nossas vidas para que Deus nos preencha completamente e é nisso que consiste a liberdade, fazer de minha vida tudo aquilo que Deus quer eu faça.

Podemos enxergar claramente no exemplo que nos deixou São Francisco, se desligou de tudo, de seus bens, de sua família, de seus amigos, de seus planos e inclusive de seus ideais para viver a total liberdade que a pobreza proporciona e em troca teve sua vida completamente preenchida pelas graças divinas, a ponto de receber a graça de participar de todo o sofrimento de Cristo na cruz ao ter impressos em seu corpo, os estigmas da paixão de Nosso Senhor.
Fonte: Nova Geração

O dom de ser mulher

O dom de ser mulher

Ser mulher é um dom e precisa ser lembrado sempre

A alegria de ser mulher está entremeada de desafios que nosso tempo impõe ou que nós mesmas colocamos como alterações em nossa forma de ser. Faz parte da realidade feminina, nos dias atuais, várias jornadas de trabalho: empresa, casa, do marido, de si, cuidar dos filhos, levá-los à escola, muitas vezes criá-los sozinhas, e tantas outras situações vivenciadas pela mulher. Porém, muitas mulheres se sentem perdidas, não encontrando sentido na vida, e acabam endurecidas e até mesmo entristecidas.

Mesmo assim, acredito que o grande desafio das mulheres é ser mulher. Como assim? Já percebeu o quanto a mulher perdeu sua origem? Mas qual é o natural do ser mulher? Na competição por direitos iguais, as vemos colocando-se, muitas vezes, como rivais dos homens, como aquelas que disputam, da mesma forma, os espaços antes ocupados por eles. É claro que precisamos trabalhar e ter nossas conquistas, mas já viram quantas se queixam da solidão, da falta de um companheiro, do abandono?

Por que insistimos na diferença entre os sexos? Por que a mulher insiste em ser aquilo que sua própria constituição física não permite? A nossa constituição humana não nos faz ser assim. Homem e mulher não são iguais, a começar pelos cromossomos, não é mesmo?

Na tal “guerra dos sexos” tanto homem quanto mulher são perdedores por deixarem de viver a beleza do dom de cada um. A mulher por ser feminina, doce, sensível, acolhedora, mãe, enfim, batalhadora, persistente. Tudo isso é muito natural na realidade feminina, mas o grande desafio é não deixar de lado as habilidades que foram confiadas a cada uma de nós em nossa constituição.

O Papa João Paulo II tece, em uma de suas cartas, um belíssimo comentário sobre nós, dizendo que “rende graças por todas e cada uma das mulheres: pelas mães, pelas irmãs, pelas esposas; pelas mulheres consagradas a Deus na virgindade; pelas mulheres que se dedicam a tantos e tantos seres humanos, que esperam o amor gratuito de outra pessoa; pelas mulheres que cuidam do ser humano na família, que é o sinal fundamental da sociedade humana; pelas mulheres que trabalham profissionalmente, mulheres que, às vezes, carregam uma grande responsabilidade social; pelas mulheres perfeitas e pelas mulheres fracas“.

Com toda a beleza que foi dada especialmente a nós, vale uma grande reflexão ligada à importância da valorização da essência feminina. Ao deixar essa essência de lado, muitas vezes nos fechamos ao amor, àquilo que é natural a cada uma de nós.

Deixamos de nos valorizar e, muitas vezes, queremos ser valorizadas pelos homens. É tempo de rever nossa postura no mundo, de voltar ao essencial; não vamos voltar ao século passado, mas é importante que possamos atualizar o ser mulher em nosso tempo, não nos esquecendo da riqueza deste dom, único e especial: SER MULHER!. É tempo de retomada: viver valores esquecidos, dons adormecidos e sinais do feminino, a natureza tão bela da mulher, do equilíbrio, da doçura e da força, de todo este universo de características que a fazem MULHER e que, muitas vezes, foram deixadas de lado.
Elaine Ribeiro dos Santos:  Psicóloga Clínica e Organizacional, colaboradora da Comunidade Canção Nova.

Como você lida com seus pensamentos negativos?

Como você lida com seus pensamentos negativos?

Quanto mais evitamos uma situação, mais ela nos amedronta

É muito comum, ao nos ferirmos em nossos relacionamentos, dizermos frases assim: “Nunca mais vou me envolver com outra pessoa”, “Nunca mais terei alguém”. E, a partir dessas frases, de fato, a pessoa jamais se abre para outras possibilidades ou avalia todas as pessoas ou situações da mesma forma.

Muitas vezes, percepções distorcidas, interpretações exageradas ou extremamente negativas determinarão a forma como passamos a ver o mundo, as pessoas e os relacionamentos. A partir daí, uma espécie de fechamento se dá em nossa vida e começamos a evitar situações ou pessoas. E quantos de nós já não vivemos isso!

Os conceitos que vamos construindo a respeito do mundo estão diretamente ligados às nossas percepções, crenças, cultura e aos nossos valores; muitas vezes, ligados também aos nossos diálogos internos, os quais parecem extremamente reais, ou seja, levam-nos a acreditar em coisas que nem sempre correspondem às verdades dos fatos.

Por exemplo: muitas pessoas se queixam de medos intensos e ficam bloqueadas para fazer algo. Se pararmos e olharmos a fundo, nem sempre esse medo corresponderá a algo possível de ocorrer. Acontece que, ao pensar de forma negativa e disparar uma série de pensamos distorcidos sobre uma situação, todo nosso corpo se mobiliza; então, surgem as fobias, o pânico, o desespero, uma ansiedade aumentada que, no fim, mexe diretamente com nosso corpo.

Assim como no medo, quando nos confrontamos com uma situação que nos bloqueia, podemos pensar em algumas situações para lidar com tais sentimentos:

1- Procure compreender de onde vem esses sentimentos e se, de fato, eles correspondem a algo possível de ocorrer, ou se não é um exagero dos seus pensamentos;
2- Enfrente uma situação e aja racionalmente, isso ajuda especialmente na superação de uma dificuldade. Quanto mais evitamos uma situação, mais ela nos amedronta;
3- Procure analisar a situação de uma outra forma. Se há, por exemplo, uma dificuldade nos relacionamentos afetivos, não necessariamente você precisa se isolar e se fechar ao outro. Pense o que acontece com seus relacionamentos, quais posicionamentos deve tomar, como vê o mundo e procure uma nova forma de reagir e avaliar seus pensamentos;
4- Quando estiver passando por um momento difícil, procure respirar e avaliar a situação. Não fuja do que está acontecendo e evite uma postura de fechamento. Lembre-se: mesmo que algo não tenha dado certo uma ou mais vezes, não significa que você está condenado a coisas tristes e nunca mais terá um relacionamento positivo.

Quando aprendemos a reconhecer nossos pensamentos, podemos ter uma nova atitude diante dos acontecimentos. Ao deixar de lado ideias negativas, deixamos que uma forma de ver a vida mais racional e equilibrada se faça presente. Certamente, todos ao nosso redor receberão os resultados positivos dessa mudança de pensamento e comportamento.
Elaine Ribeiro dos Santos:  Psicóloga Clínica e Organizacional, colaboradora da Comunidade Canção Nova.

2 de março de 2015

Até que ponto é comum a rebeldia na adolescência?


Até que ponto é comum a rebeldia na adolescência?


Não sei se o adolescente é rebelde ou se está rebelde

Fico em dúvida se o adolescente tem sido criado para ser rebelde ou se tudo isso é só conversa, se a verdade é que eles são rebeldes por conta das mudanças hormonais. Será? Antigamente, até que acontecia isso mesmo, bastava chegarem à adolescência que a rebeldia se manifestava. Mas hoje é comum ouvir expressões como: “Que criança rebelde!”,”Mas essa juventude é uma rebeldia!”, “Olha para isso, um velho desse rebelde!”. Portanto, já não sei mais se a rebeldia é uma característica comum da adolescência.

A realidade do mundo moderno me faz pensar sobre até que ponto é comum esta mudança de comportamento tão irreverente estar apenas na adolescência, pois temos ouvido e visto, pelos veículos de comunicação, que a rebeldia está presente em todas as fases ou posições que o ser humano se coloca.

A quebra dos limites, o desrespeito no trânsito, as brigas nos estádios, o abandono familiar, os desvios das funções da escola e do Estado foram situações que promoveram um ambiente completamente rebelde. O dicionário on-line de português traduz esse conceito como “ato de rebelar-se; não conformidade; reação. Figura de oposição, resistência”. A Bíblia alerta sobre a rebeldia quando diz: “Ai dos filhos rebeldes ,diz o Senhor, que executam planos que não procedem de mim e fazem aliança sem a minha aprovação para acrescentarem pecado sobre pecado!” (Isaías 30,1). Então, precisaremos dispensar atenção, cuidado, critérios para educar os nossos pequeninos que se tornarão não só adolescentes, mas pais de família e profissionais. Considerando que a nossa vontade de pais cristãos é formá-los dentro dos princípios bíblicos e todas as coisas lhes serão acrescentadas.

O adolescente por si só teria alguns argumentos que os deixam de fato mais imponentes e donos de si, mas não necessariamente precisariam entrar na frequência da rebeldia ou tornar-se rebelde. O ambiente é um fator, muitas vezes, determinante para tal comportamento. Os pais tendem a dar muita assistência, afeto positivo, carinho, escuta enquanto os filhos ainda se encontram na primeira e segunda infância. Com o passar do tempo, vive-se uma ilusão que esses filhos estão crescendo e se tornando autônomos. Quem não foi ensinado para se tornar autônomo pode ser com tanta facilidade e rapidez. E aí está a brecha para rebeldia.

Os pais, a escola e a sociedade iniciam um processo de cobrança muito grande, a ponto de levar o adolescente a não suportar tantas desqualificações. Ora, ele nunca arrumou a cama nem levou sua toalha para o varal. Só porque fez 12 anos ou entrou no curso Fundamental II precisará fazer. Ele nunca cedeu sua cadeira para os mais velhos, muito menos os ajudou, quando pequeno, a tirar a feira de supermercado do carro; nunca foi treinado, estimulado positivamente a realizar tais procedimentos. Como ele, o adolescente, não ficará rebelde? Claro. É preciso entender que a adolescência faz parte de um processo de desenvolvimento humano; ela não cai do céu. “Agora tornou-se adolescente.” Abriu-se a porta da sala e o “aborrecente” entrou em casa. Esse adolescente esteve sempre em nossa casa, foi o filhinho de que trocamos as fraldas, que levamos para passear, tomar sorvete, visitar os parentes aos domingos e brincar de bicicleta na pracinha. O que se perdeu com o passar do tempo? Onde nós nos perdemos? Continuamos beijando-o quando voltamos do trabalho ou apenas lhe fazemos perguntas básicas como “estudou?, fez o dever?, tomou banho?, comeu o quê?…”

Defendo o princípio que a fase da adolescência não precisaria ser marcada pela rebeldia, mas respeitada por suas mudanças orgânicas e psicossociais, assim como todo ritual de passagem que precisa ser atualizados na forma de pensar e agir da família, escola e sociedade. As pessoas que compõem o ambiente familiar do indivíduo precisam estar bem informadas sobre cada fase que nos constituem como seres humanos. Vejamos: que tal nos lembrarmos da nossa adolescência? O que nossos pais diriam?

Nós precisamos enxergar essa fase como fruto da nossa educação. Os adolescentes não devem ser uma ameaça para a família. Eles são ricas bênçãos para quem tão bem os educou. Os pais deverão livrá-los da rebeldia, desta aparente liberdade que só os faz sofrer. Portanto, vamos fazer o caminho de volta? Vamos atrás de quem é nosso. Vamos deixar as regras claras em casa, dar bons exemplos, oportunizar bons modelos aos nossos filhos, aos nossos alunos, a fim de que eles possam chegar à fase dos 12 aos 18 anos produzindo autoestima, seguros de si mesmos. Filhos pequenos superprotegidos ou abandonados de orientações e de convivência familiar se tornarão filhos (adolescentes) rebeldes, amargos e grosseiros. Esse tipo de criação não ensina o caminho da gratidão e do respeito. Às vezes, não damos o melhor e queremos “tirar o tapete” dos filhos quando chegam nesta fase da vida.

Existem várias passagens bíblicas que apresentam as consequências de pessoas que foram rebeldes. Um grande exemplo foi o que aconteceu com o povo de Israel: Deus havia libertado os israelitas da terra do Egito, onde estes eram escravos. Mesmo com tantos milagres, eles se rebelaram contra o Senhor, fizeram um bezerro de ouro para adorar, e, como castigo, peregrinaram quarenta anos pelo deserto e somente alguns conquistaram a terra prometida.

O comportamento de rebeldia não agrada Deus, não nos faz pessoas felizes. Nascemos para ser aceitos, aprovados. O bom convívio social é cura para nossa alma, alegria para o nosso viver. Qualquer tipo de rebeldia está diretamente ligada ao pecado, pois envolve a desobediência deliberada e infringe os padrões de autoridade que foram estabelecidos por Deus. Não importa se é rebeldia contra os pais, contra os líderes da Igreja, contra a lei; seja qual for, está totalmente contra aos princípios bíblicos. Não estou aqui autorizando a subserviência, a alienação ou a cegueira espiritual. O filho precisa ter seu espaço, sua voz escutada e compreendida. Logo, muito bem orientada e disciplinada. Assim, os pais precisam se impor como pais de alguém a quem lhe foi atribuída a função de educar na graça e na sabedoria. Não desistir do ‘sim’ quando deverá ser ‘sim’, e do ‘não’ quando deverá ser ‘não’. Filhos precisam respeitar, admirar e amar os pais como autoridades. Os pais precisam ser respeitados, admirados e amados por seus filhos como autoridades. Portanto, os pais deverão trazer consigo o desejo e a determinação de ter filhos adolescentes amigos, disciplinados, estudiosos e em paz com si mesmos e com os outros.

Vamos lá, família! Não vamos nos render aos modelos tão seculares ou efêmeros.

Esses modelos querem nos seduzir. Não vamos desistir nem terceirizar a nossa função, mesmo quando nos sentirmos perdidos, sem saída para enfrentar todas as fases que nossos filhos estejam vivendo.
Judinara Braz

A Transfiguração revela a identidade de Jesus


A Transfiguração revela a identidade de Jesus

A transfiguração continua a revelação da identidade de Jesus, iniciada no batismo no Rio Jordão

Jesus é o Filho amado de Deus, enviado para ser ouvido. É ele a Palavra, o Evangelho, a habitação de Deus. Nele encontraram sentido as Escrituras representadas por Moisés e Elias. Os três apóstolos, espectadores atônitos e medrosos diante da manifestação de Deus, vivem depois a doçura daquela experiência, mas devem continuar, descer para a planície, depois da antecipação da luz do Ressuscitado.

No contato com as pessoas, Jesus se revela mais humano do que todos os homens e mulheres que encontra, manifestando sensibilidade inigualável diante da alegria, os sofrimentos e todas as dores dos diversos grupos de pessoas. O resultado é que ninguém consegue ficar indiferente diante de sua presença. O episódio da Transfiguração expressa, visto do ângulo humano, a imensa delicadeza com os discípulos destinados anunciar o seu mistério. Jesus leva à montanha os três, chamados a participar mais de perto de alguns acontecimentos decisivos, para revelar-lhes sua própria identidade. Começaram a entrar no mistério, para descer da montanha com novas disposições.

Subamos com Jesus e seus discípulos ao Tabor, para conhecer mais de seus segredos. Não desceremos diminuídos em nossas aspirações ou frustrados em nossos planos de realização humana. Se nos confrontarmos com o Senhor, nascerá em nós o maravilhoso dilema, conduzidos pelas mãos e o exemplo de Pedro, aquele afoito discípulo e apóstolo, para quem bastavam as três tendas, para Jesus, Moisés e Elias. Nem pensou em si ou em seus companheiros!

Para que o mistério se realize em nós, subamos à montanha para rezar. Isso quer dizer escolher como programa uma imensa vida de oração. E a Quaresma, tempo privilegiado em que nos encontramos, é ocasião propícia para crescer na intimidade com Deus. Se rezar é um dever, este nasce de dentro do coração, em quem se reconhece criatura amada profundamente por Deus. Basta um olhar pessoal trocado com o Senhor, no reconhecimento da obra prima que realizou ao nos criar e salvar, para que os joelhos da alma ou do corpo se dobrem, as mãos se elevem no louvor e na ação de graças ou as lágrimas de pecadores arrependidos se derramem.

Quem reza se salva, quem reza contempla, quem reza melhora de vida como pessoa humana e como cristão.

Chegados ao Monte Tabor, a atenção do Senhor concedeu aos discípulos a presença de duas testemunhas, e que testemunhas! Nada menos do que a visão de Moisés e Elias. Aquele que é Senhor da Lei submete-se a ela, como se fossem juízes os pobres discípulos ali presentes. Não é diferente em nossa vida cristã.

Basta verificar a história da Salvação, com a quantidade de homens e mulheres que a Escritura apresenta, pessoas que passaram por todas as provações imagináveis. E a história da Igreja? Para recordar apenas uma alegre notícia, há poucos dias o Papa reconheceu formalmente o martírio de Dom Oscar Romero, que será proximamente beatificado, um sinal precioso para a nossa geração. E sabendo ser grande a lista, somos mais privilegiados do que os apóstolos! Olhando em torno a nós, não serão poucas as outras testemunhas, homens e mulheres que gritam com a vida a verdade da fé em Cristo.

“Portanto, com tamanha nuvem de testemunhas em torno de nós, deixemos de lado tudo o que nos atrapalha e o pecado que nos envolve. Corramos com perseverança na competição que nos é proposta, com os olhos fixos em Jesus, que vai à frente da nossa fé e a leva à perfeição” (Hb 12, 1-2). As testemunhas, verdadeiras companhias qualificadas, nos fazem melhores!

O Cenário está preparado. Se somos companheiros de Jesus e de seus Apóstolos, não tenhamos medo de entrar na nuvem, nada menos do que a presença do Espírito Santo, muito mais efetiva do que as eventuais nuvens “eletrônicas” de nossos dias. É necessário, para ser melhores, o aprendizado da contemplação, um olhar apurado que não despreza os sinais deixados por Deus. Vale a pena exercitar, a esta altura da Quaresma, este olhar contemplativo, que vai além das aparências.

Seremos melhores se formos mais serenos e atentos, acolhendo as muitas indicações que nos são oferecidas pelo Espírito Santo.

Agora, os discípulos de ontem e de hoje precisam ouvir! “Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: ‘Rabi, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias’ Na realidade, não sabia o que devia falar, pois eles estavam tomados de medo. Desceu, então, uma nuvem, cobrindo-os com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz: ‘Este é o meu Filho amado. Escutai-o!’ E, de repente, olhando em volta, não viram mais ninguém: só Jesus estava com eles” (Mc 9, 5-8). O discípulo aprende ao conviver com o mestre e ouvi-lo! Se vale para o aprendizado das coisas humanas, o que dizer da escola de vida divina, oferecida pelo Senhor! E como para bom entendedor, meia palavra basta, a Palavra que sai da boca de Deus é fonte inesgotável para o aperfeiçoamento humano.

Da Transfiguração para cá, estando o Senhor entre nós, quando reunidos em seu nome, a mesma experiência se repete. Os olhos se abrem, os ouvidos apuram melhor o que escutam, a Trindade se revela. E os discípulos continuam a aventura proposta por Jesus, acolhendo a revelação do amor de Deus, que lhes mostra também o melhor que existe no coração humano. Descendo do Tabor para a planície do quotidiano, são chamados a anunciar e testemunhar o que apenas vislumbraram, mas experimentaram diretamente, quando o Senhor ressuscitou. Não cabe voltar atrás nem fugir das responsabilidades que lhes foram entregues, mas serão sempre missionários e missionárias, enfrentando todos os desafios que se apresentarem.

Onde lhes for dado estar presentes, os cristãos haverão de ser restauradores de ruínas!

Onde houver pessimismo e derrotismo, anunciarão a vitória do bem e da verdade, pela força da Ressurreição de Cristo. Quando encontrarem pessoas destruídas pelos próprios pecados ou os pecados dos outros, saberão ser artistas, conduzidos pela luz do Espírito Santo, recompondo a unidade quebrada, permitindo que Deus faça dos cacos quebrados um bonito mosaico, obra de arte que só pode vir de seu amor infinito. Espalharão a semente do perdão, nascida do Pai das Misericórdias, convidando a todos para dele se aproximarem.

Sua presença no mundo é testemunha de que o dia de hoje é sempre melhor do que ontem, e o amanhã se abre em horizonte de esperança.
Dom Alberto Taveira Corrêa

Empresário, nobre tarefa


Empresário, nobre tarefa

O Papa Francisco, na Exortação Apostólica Alegria do Evangelho, afirma que a vocação de um empresário é uma nobre tarefa.

Lamentavelmente, essa nobreza é atacada pela corrupção que afeta funcionamentos de instâncias decisivas nos rumos da sociedade brasileira. A altivez da tarefa do empresário, diz o Papa Francisco, se verifica na medida em que este se deixe interpelar por um sentido mais amplo da vida e se engaje no serviço decisivo ao bem comum, em um esforço para tornar as riquezas deste mundo mais acessíveis a todos. Para isso, as complexidades e exigências das atividades econômicas não podem estar sob a regência do mercado, com suas forças cegas e invisíveis. O mercado tende sempre a comprometer o crescimento justo, que beneficia a coletividade. Com a desarvorada pretensão de aumentar a rentabilidade de poucos, gera novos excluídos e cristaliza situações de privilégios.

O que está se passando na sociedade brasileira é consequência de ações na política econômica que não estão fundamentadas em duas referências básicas para se alcançar uma realidade mais justa: o respeito à dignidade de cada pessoa e a busca pelo bem comum. Conforme indica o Papa Francisco, essas referências estão inseridas apenas no discurso político. Por isso mesmo, incomoda muito quando se exige a ética, a distribuição de bens, a defesa dos postos de trabalho e a proteção dos fracos. Incomoda também quando se fala da solidariedade mundial ou mesmo do Deus que exige um compromisso em prol da justiça.

A digna missão dos empresários não pode dispensar a nobreza própria dos políticos verdadeiros, capazes de dialogar e dedicados a sanar os graves problemas que afetam a sociedade contemporânea. O mundo empresarial e o universo político, sem dispensar os cidadãos todos, diante dos desafios deste momento – referência sobretudo à corrupção – têm a chance de dar uma nova resposta à sociedade. Para isso, é necessário um exame de consciência capaz de promover condutas éticas, exercício com força incisiva na vida do povo. Como fará diferença quando a politica abandonar a dinâmica de atender interesses partidários e de pequenos grupos para ser vivida como uma preciosa vocação, uma das formas mais completas do exercício da caridade!

Um novo tempo pode ser gerado se, particularmente, empresários e políticos, mas também outros segmentos e instituições da sociedade, conseguirem dar uma resposta nova, tomando como referência determinante o povo e a vida dos pobres.

Sem esse parâmetro, corre-se o risco de apenas “passar uma tinta” que acalma ânimos, faz transparecer que a corrupção não acontece e que os mecanismos de favorecimentos e negociatas são apenas factoide. Não se pode esconder a ferida e a enfermidade que se abatem sobre o caminho da sociedade brasileira, agravada pelos enraizamentos históricos e pela perda de sentido de pátria e de cidadania.

É hora de um amplo diálogo social para superar esse abalo sísmico nos alicerces da sociedade. Nesse horizonte, é urgente que as instituições e segmentos diversos se posicionem adequadamente em estado de alerta e de contribuição. Ao promover a Campanha da Fraternidade 2015, corajosamente abordando o tema “Fraternidade: Igreja e Sociedade”, a Igreja Católica no Brasil reafirma seu compromisso de trabalhar para o pleno desenvolvimento do ser humano e para promover o bem comum. Isto só se faz em amplo diálogo com o Estado, com as culturas, ciências e com aqueles que confessam diferentemente a fé.

O Papa Francisco defende o modelo de uma Igreja “em saída”, capaz de oferecer novas respostas à sociedade. O convite é para sair da própria comodidade e ter coragem de alcançar todas as periferias. A Igreja está desafiada a experimentar um aprofundado processo de transformação. O mundo empresarial e o âmbito político estão também desafiados a descobrir suas dinâmicas próprias “de saída” para encontrar um novo modelo. Somente assim será possível investir na formação de um tecido cultural que liberte a sociedade brasileira para caminhar rumo ao desenvolvimento. Empresários, políticos, intelectuais, cientistas, cidadãos todos, eis o desafio: defender a nobreza das suas ações.
Dom Walmor Oliveira de Azevedo